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domingo, 5 de junho de 2022

ROSÁLIA DE CASTRO


 Busque e anseie pela paz

Ele procura e anseia por calma...
mas... quem vai acalmá-lo?
Com o que sonha acordado,
adormecido volta a sonhar.
Que hoje como ontem, e amanhã como
hoje, em sua eterna ânsia
de encontrar o bem a que aspira
-quando só encontra o mal-,
sempre condenado a sonhar,
nunca se acalme.


Biografia AQUI

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

ASTRID CABRAL



Modo de amar

Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.




Biografia AQUI

domingo, 23 de agosto de 2020

NARCISA AMÁLIA DE CAMPOS





Perfil de escrava



Quando os olhos entreabro à luz que avança,
Batendo a sombra e pérfida indolência,
Vejo além da discreta transparência
Do alvo cortinando uma criança.

Pupila de gazela - viva e mansa,
Com sereno temor colhendo a ardência
Fronte imersa em palor...Rir de inocência,
Rir que trai ora angústia, ora esperança...

Eis o esboço fugaz da estátua viva,
Que - de braços em cruz - na sombra avulta
Silenciosa, atenta, pensativa!

Estátua? Não, que essa cadeia estulta
Há de quebrar-se, mísera, cativa,
Este afeto de mãe, que a dona oculta!



- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.




Biografia AQUI

terça-feira, 29 de outubro de 2019

CONCEIÇÃO EVARISTO

Vozes-mulheres

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e
fome.
A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.

Biografia  AQUI

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

SALLETE TAVARES

reedição




Aqui me encontrarás


Aqui me encontrarás

dormindo-me silêncio

no fumo que os telhados

perfumam de pinheiro,

aqui me encontrarás

e a lua no meu ombro

vermelha do ardor

meu sangue companheiro.

Eco que eu sou

na morte de uma era

aninham os meus braços

outonos de fulgores

e os pássaros da noite

em seus olhos de espera

escutam o arfar

do perfume das cores.

Aqui me encontrarás

floresta de vermelho

segredo de vulcão

zumbindo-me no peito

aqui me encontrarás

quente fornalha de espelho

brasa amarela de vida

sol da cor com que me enfeito.

Minha forma uma montanha

de seios que a lua aquece

meus braços caminhos de água

por toda a serra a descer

recorta-me a tarde morta

perfil que o céu enlouquece

rumor remanso de frágua

brilho lunar a correr.

Prata de frio entornada,

carreiro meu sangue d´albas

esplendor de muro húmido

em leques de fetos verdes

langores de musgo veludo

em sombra de plantas malvas

em ti me sei e me escuto,

em ti me escorro e me bebo.

Aqui me encontrarás tão de longe navegada

afago de ares anjos

no oceano de uma asa

nesta terra em que me mostro

aqui de além coroada

sou água que a chuva traz

à sua primeira casa.



Salette Tavares



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Salette Tavares nasceu em 1922, em Moçambique, então uma colónia portuguesa, na cidade de Lourenço Marques (hoje em dia Maputo). Aos onze anos mudou-se com a sua família para Sintra, Portugal, e viveu em Lisboa até 1994, ano em que morreu aos 72 anos.
Fez o curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1948 com a tese Aproximação ao pensamento concreto de Gabriel Marcel, que seria publicada nesse mesmo ano, em Lisboa. Traduziu os Pensamentos, de Pascal, e As maravilhas do cinema, de Georges Sadoul. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer uma especialização em Estética, em França e na Itália, onde trabalhou com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles. Em 1964, a seguir à publicação do primeiro Caderno da Poesia Experimental, faz uma visita a Nova Iorque onde visita vários museus na companhia do seu amigo poeta Frank O'Hara, tendo estudado arquitectura moderna com Philip Johnson. Durante o auge da produção concretista portuguesa, em 1965, lecciona Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, e publica as lições correspondentes, sem ilustrações, na revista Brotéria. Um livro com essas mesmas lições, mas completas, intitulado “A dialética das formas”, estava composto em 1972, mas nunca foi publicado. Em 1979, teve uma retrospectiva da sua poesia visual na Galeria Quadrum, numa exposição chamada “Brincar”.

Biografia retirada da net

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

MANUELA MARGARIDO

Depois de Alda Espírito Santo, Olinda Beja, Conceição Lima, continuo na poesia S. Tomense, com Manuela Margarido


                                         S. Tomé e Príncipe






ALTO COMO O SILÊNCIO


A ilha te fala
de rosas bravias
com pétalas
de abandono e medo.


No fundo da sombra
bebendo por conchas
de vermelha espuma
que mundos de gentes
por entre cortinas
espessas de dor.

Oh, a tarde clara
deste fim de Inverno!
Só com horas azuis
no fundo do casulo,
e agora a ilha,
a linha bravia das rosas
e a grande baba negra
e mortal das cobras


Manuela Margarido


Biografia AQUI

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

MARINA COLASANTI






SEXTA-FEIRA À NOITE


Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.

Biografia AQUI



terça-feira, 23 de outubro de 2018

LINA SOARES




Hoje trago-vos uma nova poet(is)a natural do Barreiro. Melhor, não será uma nova poeta, ela é-o quase desde que nasceu, eu é que apesar de termos nascido as duas no Barreiro e cá vivermos só a conheci no Sábado passado no lançamento do seu novo livro de poesia cuja capa aí está. Memórias do meu rio, é um livro de poemas e fotografias em que a autora mistura sentires pessoais com as memórias da nossa terra. Transcrevo o poema da página 42.


Sufoco!
Vendam-me os olhos, 
Põem mordaça em minha boca, 
Calam-me os sentidos.
Sou mais uma emparedada,
Para que o espaço
Que me pertence 
Seja só meu
E me abandone ao vazio.
Tapam-me os olhos,
Janelas da alma, 
Calam-me a boca, 
Porta do meu mundo.
Nem uma lágrima,
Nem um grito me deixam ficar.





Biografia

Para além do que aqui ficou, a autora está no Facebook se alguém estiver interessado em conhecer melhor a sua obra.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

                                   IMAGEM DE UM DOS BLOGUES DA AUTORA



UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU
*


É lençol de água pura e linho cru,
Este amor que se expande e gratifica,
Que não tem voz, mas te trata por tu
E em ternura te eleva e multiplica,


 Tal qual nasce um menino e, todo nu,
Reduz a nada a extrema dor que implica
O parto, essa memória de baú
Que se relê quando já nada a explica.


 Cobrimo-lo de panos pra que aqueça,
Amparamos-lhe a queda, se tropeça,
Tentamos dar-lhe tudo, nada tendo,


E o mesmo fazemos, sem sabê-lo,
Se a mão nos obedece ao estranho apelo
De um verso que nos nasce e vai crescendo.





BIOGRAFIA DA POETISA, ESCRITA PELO SEU PRÓPRIO PUNHO

O meu nome é Maria João Brito de Sousa.
Nasci em Lisboa, no dia 04 de Novembro do ano de 1952, mas fui registada no Concelho de Oeiras por expressa vontade de meu avô, o poeta António de Sousa que, tendo deixado Coimbra para fixar residência em Algés, passou a nutrir profundo afecto pelo Concelho onde desde sempre residi.
Coube-me em sorte ser neta de um dos "grandes" do Modernismo e poder conviver com alguns dos maiores nomes da poesia do século XX.
Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Natália Correia, David Mourão Ferreira, Virgínia Moura, Manuel Ribeiro de Pavia, Guilherme Filipe e José Régio, entre muitos outros, foram pessoas com quem privei desde os meus primeiros tempos de vida e de quem, se assim se pode dizer, fui "absorvendo" conhecimentos, aguçado espírito crítico e paixão pela criatividade e pela escrita.
Decidida a trabalhar e a casar-me cedo, abandonei os estudos acadêmicos mal terminei o curso complementar dos liceus, no então Liceu Nacional de Oeiras, hoje Escola Secundária Sebastião e Silva, onde frequentei a alínea de Germânicas.
Trabalhei como intérpetre para a Agência Abreu durante cerca de dois anos, acabando por deixar o cargo aquando do nascimento da minha filha mais velha, em 1973.
Desde o ano 2000 e enquanto a saúde mo permitiu, fui membro da Associação de Artistas Plásticos - Paço De Artes, sediada no Alto da Loba, Concelho de Oeiras e, nessa qualidade, participei em inúmeras exposições de pintura de carácter colectivo e de uma individual, na sala Elisiário Carvalho - salão nobre da Associação - sob a temática Auto-Retrato, em 2007.
Dessas muitas exposições, destaco a Colectiva da Fundação Marquês de Pombal, a Colectiva da Escola Náutica Infante D. Henrique em Dezembro de 2000, a Colectiva de Setembro de 2005 na Galeria Verney e, dentre as muitas mostras anuais, a do salão nobre do Clube Recreativo de Paço de Arcos e a Colectiva, na Galeria Viagraça, em Lisboa, por ocasião do lançamento do livro Poemas de Mim, de Ezequiel Francisco, bem como de uma Colectiva em 2004, no Instituto de Estudos Tecnológicos de Cascais.
Foi ainda enquanto membro activo da Paço de Artes que, em Abril de 2006 participei na acção de formação, promovida pela CultDigest,"Gestão das Actividades Associativas - Produção e Organização de Projectos Culturais - 1ª edição", com frequência dos módulos"Gestão de Projectos" e "Contexto Jurídico das Associações".

Em Janeiro de 2000, estreara-me, no âmbito das exposições individuais, em Lisboa, na Voz do Operário, onde, no salão João Hogan, tive expostas vinte e oito telas sob o título Promessas Traídas, tendo ainda participado na Voz D`Arte - Primavera 2000, no hotel Roma, em Lisboa.

Sou também membro da Associação Portuguesa de Poetas, ainda que por motivos de saúde me não tenha sido possível comparecer às reuniões do colectivo desde 2009, e tenho apenas três livros publicados; Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009, Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012 (World Art Friends) e Almas Gémeas, em Março de 2016, uma edição que me foi ofertada pelos poetas e grandes amigos Joaquim Sustelo e Albertino Galvão, sob a chancela da Euedito. Colaborei, ainda, com várias Antologias Poéticas editadas anualmente também por Joaquim Sustelo a cada aniversário do conceituado site de poesia "online" - Horizontes da Poesia.

Vários sonetos meus foram editados, em 2014, na colectânea de poetas lusófonos Enigma(s), sob a chancela da Sinapis Editores - Editorial Minerva - e nas antologias "Tertúlia da Gandaia"I e II, Hórus Editora, 2016, bem como na Antologia da Academia Virtual de Letras, no mesmo ano.

A minha produção literária tem-se espraiado e adquirido a dimensão de vasta obra poética, nestes últimos dez anos de completa e diária entrega ao trabalho de produção, maturação e partilha "online" do poema - clássico e também modernista -, na Web, nos blogs que criei na plataforma Sapo no dealbar do ano de 2008, na Academia Virtual de Letras - Intenção e Gestos, no site Horizontes da Poesia e na página autoral que mais recentemente criei no Facebook, bem como na Colectânea Literária Oline - Fenix, onde me foram gentilmente oferecidas pelos escritores Carmo Vasconcelos e Henrique Lacerda Ramalho duas colectâneas individuais; uma de trabalhos de expressão plástica e poesia e outra contendo apenas sonetos.
Muito recentemente, fui ainda convidada a participar com dezoito sonetos e várias parcerias em glosas - com meu avô António de Sousa, Fernando Pessoa, Antero de Quental, Florbela Espanca e Maria da Encarnação Alexandre -, no blogue O SECULAR SONETO, criado pela poetisa Regina Coeli e inspirado na obra do poeta brasileiro Vasco de Castro Lima, "O Mundo Maravilhoso do Soneto".
Já no ano de 2016, integrei o grupo de quinze munícipes oeirenses que, em conjunto com elementos da Câmara Municipal de Oeiras e da Fundação Aga Khan, foram convidados a participar na delineação do Modelo de Funcionamento do Forum Oeiras Sénior, uma estrutura de apoio direccionada para a população mais idosa, no sentido de garantir a sua participação social no contexto de um envelhecimento mais digno, mais saudável e mais participativo.

Agraciada em Outubro de 2017 com um Título Honorífico no âmbito da Arte Cultura pela Assembleia da Freguesia de União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias.
 

quinta-feira, 14 de junho de 2018

MARIA HELENA AMARO







BONECA DE TRAPOS

Minha boneca de trapos
Feita de muitos trapinhos...
Minha boneca de trapos
De pernitas de madeira
De olhos pintados de Azul
De cabelos de cordel
De vestidinhos de chita
Com lacinhos cor de rosa
Minha boneca de trapos
Com saiotes de papel...

Eras feia, muito feia
Pobrezita e andrajosa
Mas o brinquedo mais belo
Da minha infância ditosa!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973



Biografia.  AQUI

OU  AQUI

terça-feira, 13 de março de 2018

IVANA MARIA FRANCO RIBEIRO.





Contrastar

Olho pro mar e vejo o céu
O embaixo está em cima
E em cima está embaixo
Entre o céu e o mar está o meu caminhar
As árvores da minha cidade estão florescendo
A praça onde estou é paragem de crianças
Estamos em pleno mar – diria Castro Alves
Estamos em pleno mar de carros
Olho para a esquerda e vejo longas filas de carros
Olho para direita e a cena é a mesma
Dentro dos carros as vidas quase mortas
Suspiros ofegantes
Smarthphones são oásis
Ora riem
Ora choram
Às vezes profundamente
Poucos são os risos
Raríssimas as gargalhadas
É raro ver alguém cantando nesse estacionamento a céu aberto
A solidão, amigo, é devastadora


Biografia e outros poemas, AQUI

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

DIA DOS NAMORADOS - SOLANGE RECH



Imenso amor o meu

Imenso amor o meu, tão grande
Que minha alma, liberta da couraça
Do egoísmo, da mágoa, da aridez,
Vive no espaço que esse amor lhe traça.
Dia após dia, mês depois de mês,
Sigo teus passos, preso à tua graça.
És a resposta a todos os porquês
E a afirmação de que nem tudo passa.
Quando disseste “vem comigo”, eu vim
Pois eras a esperança, eras meu sonho
Mais divino, mais puro, mais pudico.
Como a lei natural impõe um fim,
Morra eu, que de matéria me componho,
Mas nunca morra o amor que te dedico
Solange Rech
Nota: Num blogue de poetisas, abro uma exceção hoje, não só porque gosto muito do poema, mas porque o poeta usava um pseudónimo feminino.
Aqui a biografia

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

DALILA MOURA



Travessia de um abraço


O dia acendeu-se por entra a chuva
e todo o lume gotejou sobre os meus olhos
enquanto o tempo envelhecia.
Divinos são os pingos
que se abrigam entre os frutos
e despois escorrem para o mar
ampliando as estrelas e os barcos
onde descansam as marés!
Tudo é colheita,
na limpidez da água,
onde navega o coração na travessia de um abraço!






BIOGRAFIA


Dalila Moura Baião nasceu em Santo Estêvão – Benavente, a 8 de Novembro e vive em Setúbal.
É Professora, com Doutoramento Europeu, em Ciências da Educação, realizado na Universidade de Huelva.
Exerce a sua actividade profissional em Setúbal, no Agrupamento de Escolas, Lima de Freitas. O seu percurso profissional encontra-se ligado à Educação pela Arte, possuindo nesta área o curso de Estudos Superiores Especializados e um curso de Teatro e Expressão Dramática. Possui o Diploma de Estudos Avançados na Área do Conhecimento – Didáctica e Organização Escolar, pela Universidade de Huelva. Foi Docente de Prática e Reflexão Pedagógica do 2º e 3º ano do Curso de Licenciatura em Professores do Ensino Básico, da ESE de Setúbal. Formadora com Certificado de Qualificação na área e domínio C05 Didácticas Específicas, com aplicação a professores do 1º ciclo do ensino Básico.
A autora de “Momentos” (1983), “Varandas de Luar” (2009), “Amar em Chão de Mar” (2010) , “Quando o Mar Corre no Peito” (2015), que participou no “II Concurso de Poesia da Associação cultural Draca”, tendo obtido o 1º prémio, com o poema: “Poema Incompleto – a Pina Bausch”, apresenta-nos em 2016, o poemário: “No Fio da Memória” e em 2017, o livro Infanto-Juvenil “A Gruta de Corais”.



FONTE  A

sábado, 20 de janeiro de 2018

BÁRBARA LIA


Flor escandalosa

Meu pai sonhava o deserto
E viveu ao lado do amor
Rimbaud sonhava as areias
Também reinventar o amor
Rimbaud viveu no deserto
Meu pai morreu de amor
Meu pai surfava o mar de estrelas
Com um teodolito da cor da destemperança
– verde oliva que tende ao amarelo –
Quando eu dormia ele soprava
Sementes de poesia
Por cima das minhas cobertas
Rimbaud passava noites inteiras
Regando com um regador de nuvens
Minha alma de fogo e a semente
Nasceu esta flor escandalosa
Misto de estrela e rosa
Da cor dos olhos do amor
E do deserto sonhado
Por meu pai e Rimbaud
Meu pai viveu em poesia
Nunca escreveu um verso
Rimbaud desistiu bem cedo
Meu pai sabia; sabia Rimbaud
O vento que atravessa a cortina
Traz a voz de ambos, mixada:
Ilumine o verbo!
Incendeie a alma!
Faça de corações desertos
Cactos em flor
Sangue em ebulição

 Bárbara Lia



BIOGRAFIA  AQUI

sábado, 16 de setembro de 2017

ANA BRANCO


Chovia simplesmente

Saí...
E meu corpo sacudiu estonteante
Ao embate do vento
E da chuva na pele
Sangrava violentamente o espírito desesperado
Que lutava pelo escasso espaço a circular pelas artérias,
Lutava para me manter à tona.
Os pulmões vomitavam os sons lindos da morte.

Estava a morrer
Enquanto o mundo fugia devagar
Por toda aquela maré.
Já todos tinham ido embora,
Tinham todos fugido da chuva
E do vento
Gritando os nomes sonantes dos parentes
Já falecidos lá longe pelas velhas matas do Maiombe.

Estava a morrer,
Mas ecoei os ecos dos mortos
Enquanto lutava para chegar ao único sítio
Onde seria feliz
à sombra da minha árvore.

Despertei,
Não choveu
Eram as lágrimas de uma criança que me molhavam.




Biografia


Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras: Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua direcção.


fonte: União dos Escritores Angolanos

domingo, 11 de junho de 2017

ALICE OGANDO


                                                                     Foto Daqui





PESADELO



"Arranquem-se as correntes que me prendem!
Derrubem as muralhas que me cercam!
O sol anda lá fora,
a rir, a soluçar,
a amar e a sofrer
talvez, mas a viver.

Eu não quero morrer aqui metida,
banhada no silêncio frio da escuridão.
Nasci ave liberta…
quero voar,
quebrar as asas, adejar no espaço
e cair finalmente,
heroicamente,
de vez, aniquilada, fulminada.
E nunca de asas feridas, inúteis,
padecentes.

Mas antes, pairar alto
lá longe, onde voam as águias,
além, em plena altura!
Olhos postos no sol que me alumia,
nesse bondoso irmão que assim me beija
e que não me deseja
o corpo que banhou da luz mais pura.

Mas antes quero beber avidamente
a luz argêntea do luar,
deixar-me abençoar
pelo orvalho brando da manhã,
minha serena irmã
de olhos de cinza.

Mas antes quero beber a água cristalina
que cai da nuvem densa,
nuvem pesada, imensa,
que me parecia um gigante
quando eu era menina
e já sabia sonhar, fantasiar,
porque afinal,
sou hoje como era dantes. (…)"


Biografia AQUI


segunda-feira, 27 de março de 2017

CARLA RIBEIRO







Percorrer o teu corpo…


Hoje queria ser uma gota de água
Sair do chuveiro e percorrer o teu corpo
Sentir cada espaço do teu corpo como meu.
Recordar o cheiro da tua pele,
A suavidade sempre que lhe toco.
Hoje, hoje eu apenas queria,
Ser uma incessante gota de água.
Percorrer os teus cabelos,
Beijar os teus olhos,
Beijar os teus lábios.
Escorregar no teu queixo,
E seguir, pelo teu pescoço.
Queria escorregar,
E, sentir a pele suave,
Das tuas costas…
Massajar os teus ombros.
Seguir massajando as tuas costas.
Descer pelo teu peito,
E sentir a delícia do teu perfume…
Seguir beijando o teu corpo sem fim.
Hoje sou apenas uma gota de água,
Que quer acariciar o teu corpo.
Sentir cada arrepio teu…
Cada poro do teu corpo,
Desejar a minha passagem…
Hoje sou apenas uma gota de água.
Que vai beber do teu corpo.
Quero sentir o teu beijo…
Hoje quero apenas sentir….


Biografia AQUI