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terça-feira, 29 de outubro de 2019

CONCEIÇÃO EVARISTO

Vozes-mulheres

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e
fome.
A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.

Biografia  AQUI

sábado, 16 de abril de 2016

ALICE SPÍNDOLA



                                            foto do Google






Vaso a verdade
vertente de tudo
vinda de longe
trazendo prelúdios
de canção inédita.
Vazo a verdade
vinda de perto
em vôo visível
de sonho modesto
no vértice vivo.
Vazo canção isolada…
sozinha no tempo.
METÁFORA ANTIGA
O artesão da palavra
faz paragem no tempo,
com talento, tela e fios
faz também surgir tramas e teias,
viaja   e busca no íntimo,
melodia e tijolo antigo
que completam o sonho.
PÁSSARO DE FOGO
Trovão, fogo,
fanfarra
assustam o pássaro,
que pernoita
no alçapão.
Chuva miúda
faz festa
para o pássaro
sair do silêncio.
O pássaro voa
e expande silêncios,
esconde esperança.
Metamorfose
de pássaro de fogo.


Biografia  AQUI