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sábado, 29 de dezembro de 2018

TRAJE DE RÉVEILLON


TRAJE DE RÉVEILLON

O Novo Ano bate à porta
ansioso para saber
que cor desta vez eu usarei
para sua vinda e propostas receber.
Mal sabe ele que realmente importa
para mim agora
é o que com suas propostas farei.
Os sonhos vestiram-me de todas as cores,
a esperança deu um toque especial:
perfumou-me com os melhores odores
da ceia de Amor partilhada no Natal.
Não esqueci os adereços coloridos
para com graça e charme me enfeitar:
discernimento, paciência, tolerância,
alegria, lições das agruras vencidas
e muita fé para os olhos e coração iluminar.

Marilene Amaral Branquinho

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL.





 Estamos a poucos dias do Natal. Todo o mundo anda atarefado com as últimas compras, as últimas prendas. É o bacalhau ou o polvo para a ceia, o peru ou o cabrito para o almoço, a prenda para o pai ou o avô que ficou para o fim.
E os presentes, alguém se lembra dos presentes? 
- Ora essa,- dirão vocês. Pois não estão lá já amontoados debaixo da árvore? 
E eu responderei. “ Não, Isso são as prendas” E não me olhem com essa cara de quem está a pensar, que estou caduca, já não sei o que digo. Porque presentes não são a mesma coisa que prendas. Presentes não têm preço, ao contrário das prendas que muitas vezes se compram com sacrifício e quantas vezes nem agradam a quem as recebe. Presentes não se  encontram nas lojas dos grandes centros comerciais. Nem tão pouco nas lojas de bairro. Presente é a mão amiga que se pousa em silêncio, num ombro entrecortado por soluços. Presente,  é o telefonema que alguém recebe, sem assunto, mas que quebrou a sua solidão e levou um pouco de alegria à sua vida. Presente, são os cinco minutos de atenção que alguém esquecido recebe, é o beijo que se dá sem ser esperado, um abraço que partilha a alegria e a dor. Presente, é o receber um gesto de amor sem ser mendigado.
E nem precisa ser Natal para sermos generosos e distribuir estes presentes. Afinal o Natal, pode e deve ser vivido durante o ano inteiro.
Um Santo e Feliz Natal, e que 2019 seja o melhor ano das vossas vidas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

FERNANDA MONTENEGRO









Gosto muito do Natal



Gosto muito do Natal
Festa de anos de Jesus
Que nos quis livrar do mal
E encheu-nos de luz.

É uma noite diferente
Uma noite sem igual
Enche de amor toda a gente
Santa noite de Natal!

Fernanda Montenegro

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

MARIA DA LUZ PEDROSA


É Natal


 É Natal e por esse Mundo,

 Quantos Corações sem Esperança

 Quantas Lágrimas Rolando

 Num Rostinho de Criança


Quanta Criança Descalça
,
 Rotinha, Magra, Faminta
,
 Apelando para o Mundo 

Na Rua Estende a Mãozita…


 Ah se eu fosse Poderosa

 Bem Mais do que um Simples Ser,

 Não Haveria no Mundo

 Uma Criança a Sofrer 


Por isso meu Bom Jesus

 Quando o Sino Badalar 

Vou fazer uma Oração 

Tua Imagem Adorar 


Pedirei Paz para o Mundo

 Muito Amor para os Pequeninos

 Alegria para os que Choram

 E Pão para os Pobrezinhos


 E Ajudando os que Sofrem

A Cada um Dando a Mão

 Passaremos um Natal

 Com mais Paz no Coração



Maria da Luz Pedrosa

domingo, 25 de novembro de 2018

LUÍSA DUCLA SOARES

Até ao fim do Ano, o Natal andará por aqui. Espero que gostem. Luísa Ducla Soares já é da casa, pelo que se quiserem conhecer mais sobre ela basta utilizarem a caixa de pesquisa.










Dia de Natal



Hoje é dia de Natal
Mas o Menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.

Recebi cinco brinquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre Menino Jesus,
Faz anos e está despido.

Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.

Os Reis de longe lhe trazem
Tesouro, incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.

Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.

Luísa Ducla Soares

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

MANUELA MARGARIDO

Depois de Alda Espírito Santo, Olinda Beja, Conceição Lima, continuo na poesia S. Tomense, com Manuela Margarido


                                         S. Tomé e Príncipe






ALTO COMO O SILÊNCIO


A ilha te fala
de rosas bravias
com pétalas
de abandono e medo.


No fundo da sombra
bebendo por conchas
de vermelha espuma
que mundos de gentes
por entre cortinas
espessas de dor.

Oh, a tarde clara
deste fim de Inverno!
Só com horas azuis
no fundo do casulo,
e agora a ilha,
a linha bravia das rosas
e a grande baba negra
e mortal das cobras


Manuela Margarido


Biografia AQUI

domingo, 11 de novembro de 2018

CONCEIÇÃO LIMA


                                                Conceição Lima

Depois de Alda Espírito Santo, e Olinda Beja, eis-me de novo na poesia de S. Tomé, desta vez pela pena de Conceição Lima. 



Inegável

Por dote recebi-te à nascença
e conheço em minha voz a tua fala.
No teu âmago, como a semente na fruta
o verso no poema, existo.
Casa marinha, fonte não eleita
a ti pertenço e chamo-te minha
como à mãe que não escolhi
e contudo amo.


Digo em Surdina o Teu Nome

Digo em surdina o teu nome e solto um
pássaro
Escondida na minha voz, ancorada na luz
da insónia.
Afugento agoiros para esconjurar a erosão
da profecia.
Os anjos desertaram ou fui eu que roubei
as suas asas?

Biografia:
Conceição Lima. Nascida em Santana, ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe, a 8 de Dezembro de 1961. Jornalista de profissão, tendo exercido vários cargos de chefia nos órgãos nacionais de comunicação social, incluindo o de directora da TVS, Televisão São-tomense. Durante vários anos, foi jornalista e produtora dos Serviços de Língua Portuguesa da BBC, baseada em Londres. Licenciada em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King’s College of London, com o grau de mestre em Estudos Africanos, pela School of Oriental and African Studies, SOAS, de Londres. Publicou O Útero da CasaA Dolorosa Raiz do Micondó e O País de Akendenguê pela Editorial Caminho, de Lisboa. Em 2015, publicou Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico. Está traduzida para o alemão, o árabe, espanhol, francês, inglês, italiano, turco, servo-croata e shona.




 Poema e biografia retirados DAQUI

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

MARINA COLASANTI






SEXTA-FEIRA À NOITE


Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.

Biografia AQUI



terça-feira, 23 de outubro de 2018

LINA SOARES




Hoje trago-vos uma nova poet(is)a natural do Barreiro. Melhor, não será uma nova poeta, ela é-o quase desde que nasceu, eu é que apesar de termos nascido as duas no Barreiro e cá vivermos só a conheci no Sábado passado no lançamento do seu novo livro de poesia cuja capa aí está. Memórias do meu rio, é um livro de poemas e fotografias em que a autora mistura sentires pessoais com as memórias da nossa terra. Transcrevo o poema da página 42.


Sufoco!
Vendam-me os olhos, 
Põem mordaça em minha boca, 
Calam-me os sentidos.
Sou mais uma emparedada,
Para que o espaço
Que me pertence 
Seja só meu
E me abandone ao vazio.
Tapam-me os olhos,
Janelas da alma, 
Calam-me a boca, 
Porta do meu mundo.
Nem uma lágrima,
Nem um grito me deixam ficar.





Biografia

Para além do que aqui ficou, a autora está no Facebook se alguém estiver interessado em conhecer melhor a sua obra.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

ADÍLIA LOPES

Foto daqui


Arte Poética


Escrever um poema 
é como apanhar um peixe 
com as mãos 
nunca pesquei assim um peixe 
mas posso falar assim 
sei que nem tudo o que vem às mãos 
é peixe 
o peixe debate-se 
tenta escapar-se 
escapa-se 
eu persisto 
luto corpo a corpo 
com o peixe 
ou morremos os dois 
ou nos salvamos os dois 
tenho de estar atenta 
tenho medo de não chegar ao fim 
é uma questão de vida ou de morte 
quando chego ao fim 
descubro que precisei de apanhar o peixe 
para me livrar do peixe 
livro-me do peixe com o alívio 
que não sei dizer 

Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

COM AS MINHAS PALAVRAS

  

 COM AS MINHAS PALAVRAS


Com as minhas palavras invento o Sonho
terá alma o Sonho?
Saberá dos milhares de crianças chorando
a fome
revoltados
pelo vento que arranca impiedoso
os frutos ainda verdes?

Com as minhas palavras invento a Vida
terá alma a Vida?
Saberá do silêncio dos que nascem
vivem
e morrem
no desespero da solidão?

Com as minhas palavras invento a Liberdade
terá alma a liberdade?
Saberá dos milhares de homens vivendo
dia após dia
hora após hora
a esmagar a raiva que martelam na memória.

Com as minhas palavras invento o Amor
Terá alma o amor?
saberá da indiferença dos que dormem
lado a lado
frustrados
na rotina agonizante do dia-a-dia.

Elvira Carvalho



Sem tempo para pesquisar novas poetas, deixo-vos com uma reedição.

domingo, 23 de setembro de 2018

CONTINUANDO COM... MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

Apaixonei-me por este poema, desde que o li a primeira vez. Vi daí hoje fui ao seu blogue e roubei-lho. Espero que gostem tanto dele como eu.
 
Parto da Viola de Amadeo Souza Cardoso



Cada poema
Tem asas de papel nascendo incertas
Como velas rumando à descoberta
Da Ilha de S. Nunca da partida

Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida

Onde um termina,
Começa um outro verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário de memórias de uma vida…

Cada poema
Tem alma de mulher, corpo de chama
De aonde irrompe a voz que então proclama
O culminar da luz na pele rendida

Cada poema
É raiva, urgência, amor,
Silêncio, grito e voz da mesma dor
Numa explosão domada ou incontida

Cada poema
É mais do que uma inércia, é um transporte,
É eixo, é a matriz deste suporte
Das minhas transgressões de fera ferida

Cada poema
Tem sempre a dimensão de um corpo estranho,
Imensurável, pois não tem tamanho,
Porta-voz de uma força indesmentida

Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida

Onde um termina,
Começa um novo verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário de memórias de uma vida.


Maria João Brito de Sousa 


Para os amantes de poesia, aqui vos deixo os endereços de vários blogues da autora.


Poetaporkedeusker

Liberdades

Salão de baile

Salão de troféus

Maria João Brito de Sousa



Vão até lá e deixem-se encantar.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

                                   IMAGEM DE UM DOS BLOGUES DA AUTORA



UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU
*


É lençol de água pura e linho cru,
Este amor que se expande e gratifica,
Que não tem voz, mas te trata por tu
E em ternura te eleva e multiplica,


 Tal qual nasce um menino e, todo nu,
Reduz a nada a extrema dor que implica
O parto, essa memória de baú
Que se relê quando já nada a explica.


 Cobrimo-lo de panos pra que aqueça,
Amparamos-lhe a queda, se tropeça,
Tentamos dar-lhe tudo, nada tendo,


E o mesmo fazemos, sem sabê-lo,
Se a mão nos obedece ao estranho apelo
De um verso que nos nasce e vai crescendo.





BIOGRAFIA DA POETISA, ESCRITA PELO SEU PRÓPRIO PUNHO

O meu nome é Maria João Brito de Sousa.
Nasci em Lisboa, no dia 04 de Novembro do ano de 1952, mas fui registada no Concelho de Oeiras por expressa vontade de meu avô, o poeta António de Sousa que, tendo deixado Coimbra para fixar residência em Algés, passou a nutrir profundo afecto pelo Concelho onde desde sempre residi.
Coube-me em sorte ser neta de um dos "grandes" do Modernismo e poder conviver com alguns dos maiores nomes da poesia do século XX.
Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Natália Correia, David Mourão Ferreira, Virgínia Moura, Manuel Ribeiro de Pavia, Guilherme Filipe e José Régio, entre muitos outros, foram pessoas com quem privei desde os meus primeiros tempos de vida e de quem, se assim se pode dizer, fui "absorvendo" conhecimentos, aguçado espírito crítico e paixão pela criatividade e pela escrita.
Decidida a trabalhar e a casar-me cedo, abandonei os estudos acadêmicos mal terminei o curso complementar dos liceus, no então Liceu Nacional de Oeiras, hoje Escola Secundária Sebastião e Silva, onde frequentei a alínea de Germânicas.
Trabalhei como intérpetre para a Agência Abreu durante cerca de dois anos, acabando por deixar o cargo aquando do nascimento da minha filha mais velha, em 1973.
Desde o ano 2000 e enquanto a saúde mo permitiu, fui membro da Associação de Artistas Plásticos - Paço De Artes, sediada no Alto da Loba, Concelho de Oeiras e, nessa qualidade, participei em inúmeras exposições de pintura de carácter colectivo e de uma individual, na sala Elisiário Carvalho - salão nobre da Associação - sob a temática Auto-Retrato, em 2007.
Dessas muitas exposições, destaco a Colectiva da Fundação Marquês de Pombal, a Colectiva da Escola Náutica Infante D. Henrique em Dezembro de 2000, a Colectiva de Setembro de 2005 na Galeria Verney e, dentre as muitas mostras anuais, a do salão nobre do Clube Recreativo de Paço de Arcos e a Colectiva, na Galeria Viagraça, em Lisboa, por ocasião do lançamento do livro Poemas de Mim, de Ezequiel Francisco, bem como de uma Colectiva em 2004, no Instituto de Estudos Tecnológicos de Cascais.
Foi ainda enquanto membro activo da Paço de Artes que, em Abril de 2006 participei na acção de formação, promovida pela CultDigest,"Gestão das Actividades Associativas - Produção e Organização de Projectos Culturais - 1ª edição", com frequência dos módulos"Gestão de Projectos" e "Contexto Jurídico das Associações".

Em Janeiro de 2000, estreara-me, no âmbito das exposições individuais, em Lisboa, na Voz do Operário, onde, no salão João Hogan, tive expostas vinte e oito telas sob o título Promessas Traídas, tendo ainda participado na Voz D`Arte - Primavera 2000, no hotel Roma, em Lisboa.

Sou também membro da Associação Portuguesa de Poetas, ainda que por motivos de saúde me não tenha sido possível comparecer às reuniões do colectivo desde 2009, e tenho apenas três livros publicados; Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009, Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012 (World Art Friends) e Almas Gémeas, em Março de 2016, uma edição que me foi ofertada pelos poetas e grandes amigos Joaquim Sustelo e Albertino Galvão, sob a chancela da Euedito. Colaborei, ainda, com várias Antologias Poéticas editadas anualmente também por Joaquim Sustelo a cada aniversário do conceituado site de poesia "online" - Horizontes da Poesia.

Vários sonetos meus foram editados, em 2014, na colectânea de poetas lusófonos Enigma(s), sob a chancela da Sinapis Editores - Editorial Minerva - e nas antologias "Tertúlia da Gandaia"I e II, Hórus Editora, 2016, bem como na Antologia da Academia Virtual de Letras, no mesmo ano.

A minha produção literária tem-se espraiado e adquirido a dimensão de vasta obra poética, nestes últimos dez anos de completa e diária entrega ao trabalho de produção, maturação e partilha "online" do poema - clássico e também modernista -, na Web, nos blogs que criei na plataforma Sapo no dealbar do ano de 2008, na Academia Virtual de Letras - Intenção e Gestos, no site Horizontes da Poesia e na página autoral que mais recentemente criei no Facebook, bem como na Colectânea Literária Oline - Fenix, onde me foram gentilmente oferecidas pelos escritores Carmo Vasconcelos e Henrique Lacerda Ramalho duas colectâneas individuais; uma de trabalhos de expressão plástica e poesia e outra contendo apenas sonetos.
Muito recentemente, fui ainda convidada a participar com dezoito sonetos e várias parcerias em glosas - com meu avô António de Sousa, Fernando Pessoa, Antero de Quental, Florbela Espanca e Maria da Encarnação Alexandre -, no blogue O SECULAR SONETO, criado pela poetisa Regina Coeli e inspirado na obra do poeta brasileiro Vasco de Castro Lima, "O Mundo Maravilhoso do Soneto".
Já no ano de 2016, integrei o grupo de quinze munícipes oeirenses que, em conjunto com elementos da Câmara Municipal de Oeiras e da Fundação Aga Khan, foram convidados a participar na delineação do Modelo de Funcionamento do Forum Oeiras Sénior, uma estrutura de apoio direccionada para a população mais idosa, no sentido de garantir a sua participação social no contexto de um envelhecimento mais digno, mais saudável e mais participativo.

Agraciada em Outubro de 2017 com um Título Honorífico no âmbito da Arte Cultura pela Assembleia da Freguesia de União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias.
 

domingo, 9 de setembro de 2018

CEIFEIRAS JAMAIS

Aqui a autora declama um dos seus poemas. Não o Ceifeiras, que não consegui encontrar.



Ceifeiras !
Jamais!
Há um cante envolto em pranto, que lembra um tempo sem volta!
Mas que vai ganhando um outro encanto, pondo de lado a revolta!
Nossos pais sofreram tanto, nossos avós ainda mais!
Nós, nós fugimos a esse pranto, p’ra não ouvirmos seus ais
Homem que foi terra foi barro, em pleno campo criado
Comeu as sopas no tarro, levou aos ombros seu fardo!
Vamos olhar de outro jeito, o progresso em caminhada
Para aliviar o peito, desta gente amargurada!
Nossos campos ainda lá estão, as searas até o gado
Mas ceifeiras, essas não, foram escravas do passado!
Ainda o sobreiro dá sombra, e a cortiça que é riqueza
Arvore que a todos deslumbra, de raiz bem portuguesa...
Ainda há regatos correndo, e há ribeiras naturais
E a chuva que Deus vai mandando, p’ra dar vida aos cereais!
Ainda se ouvem cantar os rouxinóis na ribeira
Os pardais; a chilrear em alegre cavaqueira.
Ainda há lírios, alecrim, papoilas, planícies de trigais
Codornizes, perdizes rolas, mas as ceifeiras? Jamais…
Alegra-te meu amigo, olha a alvorada, outro dia
Anda vem cantar comigo as cantigas d’álegria
Saudades sim porque não, mas passado nunca mais
Pois marcou uma geração de dores misérias e ais
O mundo está em mudança, hoje a vida tem outro fado!
Nova canção! Outra dança!
Pois o passado é passado...

Rosa Dias


Biografia

Joaquina Rosa Pedreiro Guerreiro Dias, mais conhecida por Rosa Dias, nasceu em Elvas na maternidade Mariana Martins, em 26-9-1947.
 Sendo baptizada e registada em Campo Maior Vila de concelho, do alto Alentejo, onde cresceu e frequentou a escola primária do Bairro Novo, e onde completou a quarta classe. Logo que saiu da escola começou a trabalhar numa torrefacção de Café, pertencente ao Sr. João Ensina, onde começou a ganhar 25 tostões por dia, e onde esteve pouco tempo, pois logo começou a trabalhar como empregada doméstica, vindo aos 13 anos para Lisboa, onde continuou no mesmo ramo.
Conheceu o seu grande amor com quem viria a casar aos dezassete anos e com quem ainda vive até aos dias de hoje.

Mais Aqui
Podem também visitar o blogue da poetisa  Aqui