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terça-feira, 20 de abril de 2021

VITTORIA COLLONA




ESCREVO SÓ PARA ALIVIAR OS DANOS ...

Só escrevo para aliviar os estragos
que a luz do mundo costuma enviar ao peito
e não para iluminar meu lindo sol
ao espírito límpido e à desapropriação honrosa.

Razão certa de arrependimento me leva,
a ferir que sua glória eu diminua;
com outra pena e palavras mais sábias
é necessário arrancar seu nome da morte.

A fé pura, o ardor, a dor intensa,
tudo me desculpam, que o grande choro
é tal, que o tempo ou a razão o retarda.

Lágrimas amargas, nenhuma canção doce,
suspiros profundos que nenhuma voz serena,
não mais estilo de dor, presumo.

Rimas , 1538. Tradução de María Cinta Montagut.


BIOGRAFIA   AQUI

domingo, 18 de abril de 2021

LOU ALBERGARIA



Ser

Estranho
O ser
Que me estranha
As entranhas
O querer ser amado
Enlaçado
Envolto abraço
Assanha
Aranha carne, pele
Seus lábios
A manjedoura
Que me espera
Expele
O gérmen do amor
Que te guardo
Intocado
Nesse tempo etéreo


- Lou Albergaria, no livro "O cogumelo que nasce na bosta da vaca profana". Porto Alegre RS: Editora Vidráguas, 2011.


Biografia e outros poemas AQUI

quinta-feira, 15 de abril de 2021

HILDA HILST




De tanto te pensar, Sem Nome, me veio a ilusão,
A mesma ilusão

Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, Sem Nome, tenho nada
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e de abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cimos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
Do muito desejar altura e eternidade

Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua n’água.

– Hilda Hilst, no livro “Sobre a tua grande face”. São Paulo: Massao Ohno, 1986.

Biografia  AQUI



sábado, 10 de abril de 2021

LÍDIA BORGES

                                      Richard Emil Miller
                           Pintor norte americano (1875-1943)



PORTA DE ÁGUA

 Um espelho é uma porta de água.

A parede onde se encosta

está frequentemente perto da ficção.

Podes então mergulhar, 

encetar as viagens  que quiseres.

 

Pode acontecer no regresso

depares com a solidez da parede

atrás da qual o espelho te espera.

Não para te revelar o mistério

das coisas indecifráveis que buscavas

mas o engano das coisas decifráveis

de que fugias.

 

É por aí que às vezes se perde o coração.

 

Lídia Borges


AQUI,  podem encontrar uma pequena biografia da poeta. Mas Lídia Borges, também está  na blogosfera.

AQUI, poderão encontrar o seu blogue.