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segunda-feira, 8 de junho de 2020

DÊ O PODER A UMA FLOR




DÊ O PODER A UMA FLOR


Dê o poder para uma flor,
que representa a simbologia do amor.
Dê o poder a uma flor,
pois por detrás da sua fragilidade
esconde os espinhos
para aliviar a dor.
Dê o poder para uma flor,
a flor feminina,
a flor que procria a vida
nas diversas formas de sabedoria,
e sabe que foi feita para vencer
e atingir o poder da humanidade
na sua concepção de fraternidade.
Dê o poder para uma flor,
porque além do sexto sentido
vem o amor no peito
que carrega contigo,
e a sensibilidade para olhar nos olhos
e ver o povo além de uma multidão.
Dê o poder para uma flor,
a flor feminina
que tem o poder de transformação
sobre o destino dos homens.
Dê o poder para uma flor
que constrói a vida
sem destruir o amor.
A flor feminina
que ensina
que não é o poder que governa a terra,
mas sim as formas diversas
de se criar poesia no cotidiano humano.

Cristiane Neder


Cristiane Neder já é uma repetente neste blog pelo que a sua biografia se encontra AQUI

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

SALLETE TAVARES

reedição




Aqui me encontrarás


Aqui me encontrarás

dormindo-me silêncio

no fumo que os telhados

perfumam de pinheiro,

aqui me encontrarás

e a lua no meu ombro

vermelha do ardor

meu sangue companheiro.

Eco que eu sou

na morte de uma era

aninham os meus braços

outonos de fulgores

e os pássaros da noite

em seus olhos de espera

escutam o arfar

do perfume das cores.

Aqui me encontrarás

floresta de vermelho

segredo de vulcão

zumbindo-me no peito

aqui me encontrarás

quente fornalha de espelho

brasa amarela de vida

sol da cor com que me enfeito.

Minha forma uma montanha

de seios que a lua aquece

meus braços caminhos de água

por toda a serra a descer

recorta-me a tarde morta

perfil que o céu enlouquece

rumor remanso de frágua

brilho lunar a correr.

Prata de frio entornada,

carreiro meu sangue d´albas

esplendor de muro húmido

em leques de fetos verdes

langores de musgo veludo

em sombra de plantas malvas

em ti me sei e me escuto,

em ti me escorro e me bebo.

Aqui me encontrarás tão de longe navegada

afago de ares anjos

no oceano de uma asa

nesta terra em que me mostro

aqui de além coroada

sou água que a chuva traz

à sua primeira casa.



Salette Tavares



--------------------------------------------------------------------------------



Salette Tavares nasceu em 1922, em Moçambique, então uma colónia portuguesa, na cidade de Lourenço Marques (hoje em dia Maputo). Aos onze anos mudou-se com a sua família para Sintra, Portugal, e viveu em Lisboa até 1994, ano em que morreu aos 72 anos.
Fez o curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1948 com a tese Aproximação ao pensamento concreto de Gabriel Marcel, que seria publicada nesse mesmo ano, em Lisboa. Traduziu os Pensamentos, de Pascal, e As maravilhas do cinema, de Georges Sadoul. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer uma especialização em Estética, em França e na Itália, onde trabalhou com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles. Em 1964, a seguir à publicação do primeiro Caderno da Poesia Experimental, faz uma visita a Nova Iorque onde visita vários museus na companhia do seu amigo poeta Frank O'Hara, tendo estudado arquitectura moderna com Philip Johnson. Durante o auge da produção concretista portuguesa, em 1965, lecciona Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, e publica as lições correspondentes, sem ilustrações, na revista Brotéria. Um livro com essas mesmas lições, mas completas, intitulado “A dialética das formas”, estava composto em 1972, mas nunca foi publicado. Em 1979, teve uma retrospectiva da sua poesia visual na Galeria Quadrum, numa exposição chamada “Brincar”.

Biografia retirada da net

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ALDA LARA - LAGO




LAGO

Todo o meu ser
é um lago fundo e doce…

Por onde passeiam barcos
com meninos…

namorados que se beijam
em noites sem destino…

e também tu! Oh belo solitário
inesquecível…

Todo o meu ser é um lago
doce e fundo…

onde a tristeza,
é uma ansiosa e definível
aspiração…

Alda Lara

sábado, 16 de setembro de 2017

ANA BRANCO


Chovia simplesmente

Saí...
E meu corpo sacudiu estonteante
Ao embate do vento
E da chuva na pele
Sangrava violentamente o espírito desesperado
Que lutava pelo escasso espaço a circular pelas artérias,
Lutava para me manter à tona.
Os pulmões vomitavam os sons lindos da morte.

Estava a morrer
Enquanto o mundo fugia devagar
Por toda aquela maré.
Já todos tinham ido embora,
Tinham todos fugido da chuva
E do vento
Gritando os nomes sonantes dos parentes
Já falecidos lá longe pelas velhas matas do Maiombe.

Estava a morrer,
Mas ecoei os ecos dos mortos
Enquanto lutava para chegar ao único sítio
Onde seria feliz
à sombra da minha árvore.

Despertei,
Não choveu
Eram as lágrimas de uma criança que me molhavam.




Biografia


Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras: Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua direcção.


fonte: União dos Escritores Angolanos

sábado, 2 de julho de 2016

VERA DUARTE






DESEJOS

Queria ser um poema lindo

cheirando a terra

com sabor a cana


Queria ver morrer assassinado

um tempo de luto

de homens indignos


Queria desabrochar

— flor rubra —

do chão fecundado da terra


ver raiar a aurora transparente


ser r´beira d´julion


em tempo de são João


nos anos de fartura d´espiga d´midje



E ser


riso


flor


fragrante


em cânticos na manhã renovada







Biografia AQUI

domingo, 12 de outubro de 2014

ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA


EU NÃO SOU O TEMPO

Eu não sou o tempo....
Mas eu sei que vai chover
Sinto-me bem quando fico contigo....
Para viver o dia a dia.....
Vejo-te à minha frente....
Num caminho de lama e chuva....
Um caminho que eu espero de felicidade...
Mas eu perco-me no meio de palavras....
Um sonho não basta....
Preciso de de ti meu amor ...
Que me afastes, da ilusão e da incerteza...
Tenho de acreditar e confiar nos meus instintos..
Deste nevoeiro que é a minha vida.....
Amar-te como ninguém já amou....
Como se fosses uma parte de mim.....
Até desconhecer quem eu sou.....
Encontrar-te como ninguém te encontrou.....
Amar-te entre as flores do meu jardim....
Colher as mais belas e perfumadas.....
Sentir o jasmim dos teus beijos....
Simplesmente querer amar...
Amor é palavra estranha.....
Que rima com dor e saudade...
Arde como a lenha numa fogueira !




Isabel Morais Ribeiro Fonseca



Biografia: AQUI  encontrarão a biografia e obra da autora.

domingo, 13 de julho de 2014

YOLANDA MARAZZO


Barcos


"Nha terra é quel piquinino
É São Vicente é que di meu"
Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.
Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.
E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...

E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...




Biografia daqui

Yolanda Marazzo Lopes da Silva, poeta e escritora de língua portuguesa, nasceu em São Vicente, Cabo Verde,  África, a 16 de Dezembro de 1927.  Ao 15 anos, 1943, partiu para Lisboa, onde completou o estudos no Liceu Rainha Dona Leonor. É diplomada com o curso superior de Francês e o curso superior de Moderna Literatura Francesa, da Alliance Française e com o curso de Ingês do Instituto Britânico. Em 1958, parte para Angola acompanhando o marido e aí permanence no período convulso da guerra colonial, de 58 a 68. Findo esse tempo foi vver para Luanda onde lecciona no ensino particular, trabalhando ao mesmo tempo na Embaixada da Jugoslávia.
Neta de José Lopes, um dos maiores e mais cultos poetas de Cabo Verde, cedo revelou a sua poesia, tendo feito parte do Grupo do Suplemento Cultural, juntamente com Gabriel Mariano, Aguinaldo Fonseca, Ovídio Martins, Carlos Alberto Monteiro Leite e Francisco Lopes da Silva.
Colaborou em Lisboa no Artes e Letras do Diário de Notícias, no República e em periódicos angolanos, como Província de Angola, Jornal de Lobito e Notícias.
Figura nas seguintes Antologias: Modernos Poetas de Cabo Verde; Portugalidade; Mulheres e a Sensbilidade Portuguesa; Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa
Publicou: Cântico de ferro, Lisboa, 1976. Em 2006 a Casa da Moeda, em Portugal, publicou a sua Poesia completa 1954-2004.

Faleceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 2009, vitima de doença prolongada 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MANUELA MARGARIDO


                             foto da net


Roça

A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.

A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;

capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.

E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto

há-de realizar.

Biografia

Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido (roça Olímpia, Ilha do Príncipe, 1925 - Lisboa, 10 de Março de 2007) foi uma poetisa são-tomense.

Manuela Margarido cedo abraçou a causa do combate anti-colonialista, que a partir da década de 1950 se afirmou em África, e da independência do arquipélago. Em 1953, levanta a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa.
Denunciou com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.

Estudou ciências religiosas, sociologia, etnologia e cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.

Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé e Príncipe.

Fonte: Wikipédia

sábado, 21 de junho de 2014

ANA DE SANTANA



NÚPCIAS


Penetro
esse colchão de cristal,
e
um lençol de mar
me envolve
tecendo o meu vestido raro,
                                      espuma e sal.
Interrompo estas núpcias com o coral,
vem-me o mavioso murmurar
das palmeiras pela brisa

será que não aprovam?


Biografia

Poetisa angolana, Ana Paula de Jesus Faria Santana nasceu a 20 de Setembro de 1960, em Luanda (Angola).
Completou o curso de Ciências Económicas na Universidade de Lisboa e, em 1985, ingressou na União de Escritores Angolanos. A poetisa publicou, em 1986, Sabores, Odores e Sonho .


Biografia extraída de: www.infopedia.pt

sábado, 8 de março de 2014

CARLA QUEIROZ


DECLARAÇÃO


Nasci
No ventre desencantado da serpente
No leito guarnecido das sementes

Cresci
Nos trapos sujos do desespero da rocha
Encaracolada e desfeita pelo projecto
do cão

Multipliquei-me
Na corrente do desequilíbrio cívico dos
sinistrados
Como uma espécie de insecto que
pernoita no zumbido.

Da argola e do conto

Morri sem uma bela insígnia
distinguindo minhas intimidades
Sem uma coroa bonita ao redor do meu sonho


 Carla Queiroz

 Biografia
Pouco descobri na net além disto: Carla Queiroz, nasceu no Kwanza-Sul em 1968 Angola, e foi vencedora do Prêmio António Jacinto/ 2001. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MANUELA MARGARIDO

                                  Foto de Laércio Miranda


ROÇA

A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.

A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;

capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.

E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto
                        há-de realizar.


                      Manuela Margarido


 Biografia


Poetisa são-tomense, Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido nasceu em 1925, na ilha do Príncipe, e faleceu a 10 de março de 2007, em Lisboa. Tendo, desde muito cedo, abraçado a causa da independência e do combate anti-colonialista, esteve exilada em Paris, onde se interessou por várias áreas de estudo, como sociologia, ciências da religião e cinema, que estudou na Universidade de Sorbonne.
Chegando a ocupar o cargo de embaixadora do seu país em Bruxelas, viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde se dedicou à divulgação da cultura são-tomense.
Empenhada na luta pela independência de São Tomé e Príncipe, a sua poesia, de uma maneira geral, reflete e denuncia a repressão colonialista portuguesa, assim como a vida pobre dos seus conterrâneos nas roças do café e do cacau.

Fonte 
infopédia

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

ANA BRANCO



 Foto da net

Sétimo Poema

Dormitei na noite coberta de frio
Enquanto sonhava
Com a tempestade que me cobria
Quando subtilmente
Entreabri os olhos
E despertei sobressaltada
Ouvindo uivos e ganidos do vento furioso a lamentar-se.


Subi os degraus da solidão
E ouvi
O vento chamar por mim,
Como quem diz:
— "Sai, Sai, procura os filhos que pariste perdidos algures pelas savanas distantes das praias ensolaradas africanas".

O medo entranhou-se-me
Nas veias ensanguentas da carne
Estremecendo a medula dos cérebros
Que tão dificilmente carrego.
O vento estava furioso comigo
E a chuva castigava-me inocente.
Estava tudo coberto e enevoado,
A água escorria e encobria
Todas as portas dos vizinhos desconhecidos,
Nenhum som era desenhado na terra figura da chuva forte.


Ana Branco


Biografia


Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras: Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua direcção.

fonte: União dos Escritores Angolanos


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

VERA DUARTE

Fotos de Mindelo - Imagens selecionadas
Essa foto de Mindelo é cortesia do TripAdvisor


                    Desejos

Queria ser um poema lindo
cheirando a terra
com sabor a cana

Queria ver morrer assassinado
um tempo de luto
de homens indignos

Queria desabrochar
— flor rubra —
do chão fecundado da terra
ver raiar a aurora transparente
ser r´beira d´julion
em tempo de são João
nos anos de fartura d´espiga d´midje

E ser
riso
flor
fragrante
em cânticos na manhã renovada



Biografia



Vera Duarte (Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina) nasceu em Mindelo, S. Vicente. É Juíza Desembargadora. Exerceu até Março de 2010 as funções de Ministra da Educação e Ensino Superior, foi Pre­sidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania, Conselheira do Presidente da República e Juíza Conselheira do Supremo Tribunal de Justiça. Como poeta, estreou-se na publicação com a obra poética Amanha Amadrugada (1993), a que se seguiram O Arquipélago da Paixão (2001), Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança (2005). Tem também variada colaboração em prosa e poesia em jornais, revistas e obras colectivas nacionais e internacionais. Destas cabe destacar entre outras: Across the Atlantic: An Anthology of Cape Verdean Literature (1988), Mirabilis de Veias ao Sol (1998), Antologia da poesia feminina dos PALOP (1998), Na Liberdade (2004), Destino de Bai (2008) e Portuguesia Contraantologia (2009).

Aqui encontram mais informações sobre a autora e outros poemas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

MARIA DE FÁTIMA (CHÓ DO GURI)

                 
                                                       



                                                                      INOCÊNCIA

  Já venerei dias de miséria
nos ponteiros trilhados
de um relógio sem tempo
onde cresce o meu tormento
o mesmo flash se repete
Com miúdos sem nome
a abraçar desgraças
nas ruas ...
andam aos milhares
soltando as malícias do ventre
as vozes de fome
no e mesmo instante
em cada flash
brilham as barrigas
 
destes miúdos que esperam
(sem tempo) a abraçar desgraças
contrastam com as barrigas eminentes
da gente que passa e
se escapa a escarrar luxúria
regresso odiosamente à minha infância
com impulsos incontrolados do coração
onde se encontra a muda revolta da minha aflição
vejo-me
revejo-me
nestes retratos na rua
onde o flash se repete em cada esquina
como um pedaço de mim
escondendo-me dos bocejos da noite
mas essa graça da inocência ... eu já perdi. 

Maria de Fátima



Biografia.

A obra literária da escritora angolana Maria de Fátima "Chó do Guri", intitulada "Chiquito da Camuchiba", que narra o quotidiano das crianças trabalhadoras para ajudar nas despesas domésticas, foi a vencedora do prémio Vale Flor de 2011
Chiquito é uma criança luandense, que na praia da Camuchiba, no município da Samba, em Luanda, ajudava as donas de casa que lá se dirigiam para comprar peixe, indicando as vendedoras que vendiam a um preço mais barato.
 Aqui  uma biografia completa da autora.

domingo, 29 de setembro de 2013

ALZIRA CABRAL








Mantenha

Filha do teu adultério
existo
queiras ou não com a mesma pele.
Exilada
sobrevivo contente na terra dos sem cor.
Com a boa vontade que ganhei
das gentes daqui,
sem ressentimentos nem vergonha
cultivo a mentira da tua grandeza
no existir dos meus descendentes.

E mando mantenhas, oh terra
através dos meus poemas vermelhos:

A cor que me deste!

Biografia
Alzira Cabral nasceu em Cabo Verde (Bissau) em 1955. Sua obra encontra-se dispersa em revistas e uma seleção dos seus poemas foi publicada na antologia “Mirabilis de veias ao sol” (1991). O poema acima foi extraído da antologia “Poesia Africana de Língua Portuguesa”, organizado por Lívia Apa, Arlindo Barbeitos e Maria Alexandre Dáskalos. Lacerda Editores, RJ, 2003.

Poema e biografia retirados daqui