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domingo, 23 de agosto de 2020

NARCISA AMÁLIA DE CAMPOS





Perfil de escrava



Quando os olhos entreabro à luz que avança,
Batendo a sombra e pérfida indolência,
Vejo além da discreta transparência
Do alvo cortinando uma criança.

Pupila de gazela - viva e mansa,
Com sereno temor colhendo a ardência
Fronte imersa em palor...Rir de inocência,
Rir que trai ora angústia, ora esperança...

Eis o esboço fugaz da estátua viva,
Que - de braços em cruz - na sombra avulta
Silenciosa, atenta, pensativa!

Estátua? Não, que essa cadeia estulta
Há de quebrar-se, mísera, cativa,
Este afeto de mãe, que a dona oculta!



- Narcisa Amália, em "Nebulosas". 1872.




Biografia AQUI

13 comentários:

MARILENE disse...

Que lindo! Amei ler o soneto! Bjs.

" R y k @ r d o " disse...

Foto e soneto, maravilhosos
.
Um domingo feliz

Cidália Ferreira disse...

Tão bonito!! :))

*
Caminhar seguro...
.
Beijo e um bom Domingo

Pedro Luso disse...

Olá, Elvira, não conhecia essa poetisa, e gostei muito de ler seu belo soneto.
Fui no site da autora saber um pouco dela.Gostei muito.
Abraço, uma boa semana com saúde.

Fê blue bird disse...

Obrigada amiga Elvira por me dar a conhecer esta poeta nesta intensa e sublime poesia.

Beijinho com muita saúde para si e para os seus.

silvioafonso disse...

A sua poesia mexe comigo,
Elvira querida. Um beijo
e bom dia, minha querida
amiga.

São disse...

Gostei de conhecer.

Saúde e tudo de bom

Mar Arável disse...

Boa partilha
Bj

silvioafonso disse...

Saudade da poeta, dos seus versos
e do seu bom humor.
Um beijo de máscara, mas um beijo.

lua singular disse...


Amei ler o soneto
Parabéns, seu blog está lindo!
Beijos
Lua Singular

Ana Tapadas disse...

Agradeço que aqui traga a poetisa. Na realidade nem a conhecia. Gostei muito.

Um beijinho para si e cuide-se.

CÉU disse...

Olá, estimada Elvira!

Não conhecia a poetisa e estive a ler a biografia dela, a qual me deu uma panorâmica muito abrangente desta escritora e jornalista.

O soneto está extremamente bem feito e "isto" é que se diz ser uma composição poética soberba. Vocabulário muito rico e diversificado, e algum pediu-me dicionário, o que mostra bem o potencial cultural desta senhora.

O poema fala-nos das características maravilhosas das crianças ("Pupila de gazela") e daquilo que algumas são vítimas. Todavia, um dia, elas terão todas direito a um lugar ao sol.

Voltarei à blogosfera, dia 31, na próxima 2ª feira, mas no blogue "Sonhos e Poesia" da Gracita. Claro que é, desde já, minha convidada. Obrigada por participar.

Beijos para todos e bom domingo.

ROSELINE DAVIDSON disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.