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quarta-feira, 2 de março de 2022

PAIRAM NO AR FUMOS DE TRAGÉDIA


 Pairam no ar fumos de tragédia

Pairam no ar fumos de tragédia
Na liberdade e dignidade
De um povo.
Cerceada pela força das armas
E pelos sonhos de um visionário.
Sonhos que transformam
Em pesadelo.
A vida desse povo, antes livre.
Vidas em fuga, temerosas
Da guerra.
Almas incrédulas, mutiladas
Ou ceifadas como searas em flor
Que nunca darão fruto.
Elvira Carvalho

segunda-feira, 26 de abril de 2021

25 DE ABRIL - LIBERDADE




LIBERDADE


Ontem

Olhavas e fingias que não vias.

Os órfãos e viúvas de guerras inglórias

O desespero dos emigrantes clandestinos

As terras abandonadas ao sabor da fome

A força-sacrifício dos ideais feitos homens

Encerrados e torturados nas prisões do meu país.


Acordaste numa manhã de Abril

E ficaste arrepiado…


Porque nas nossas mãos 

O sangue era cravo rubro.

Nas nossas gargantas

O medo era um hino à Liberdade.

Os nossos braços,

Enlaçavam-se na esperança do momento.

Acordaste... 

E como quem muda de camisa

Puseste-te ao nosso lado.


Era o tempo

De fingires ser democrata.


Os anos passaram

Com a liberdade por companheira

Entre avanços e recuos, 

Fomos fazendo a nossa história

E tu

Como joio insidioso abafando o trigo

Ias minando a caminhada.

Encerrando escolas

Fechando fábricas

Cortando subsídios

Empurrando-nos para a emigração

Aprisionando os nossos sonhos

O desespero e desencanto

Fomentando a descrença

Entre o Povo



Agora largaste a máscara

E ameaças voltar.

Mas hoje

O povo conhece o sabor 

Da Liberdade.

Distingue-lhe o sal das lágrimas, 

O odor do sangue derramado

Daqueles que por ela

Deram a vida.


E não se deixa enganar! 


Elvira Carvalho

segunda-feira, 22 de março de 2021

DIA 21 DE MARÇO -- DIA MUNDIAL DA POESIA




 A minha casa é um palácio


A minha casa é um palácio

Às vezes amarelo 

Brilhante como sol em céu azul

Que abarrotava  de risos

Outras vezes cinzento, 

muito escuro.

Tão escuro quanto a dor

que dilacerava o meu corpo

e se esparramava pelo chão.

Às vezes enchia-se de música

como riso de crianças

Brincando num parque.

Outras vezes tão silencioso 

como espírito amordaçado pelo medo.


A minha casa sempre foi um palácio

quarta-feira, 3 de março de 2021

O MAIS DIFÍCIL



O MAIS DIFÍCIL

 

O mais difícil
hoje
não é sonhar
ainda que
o sonho
seja pérola negra
aprisionada
na ostra
do quotidiano.

O mais difícil
hoje
é inventar a Vida
no espaço agónico
da sobrevivência.


Este poema já foi publicado no Sexta, portanto já é conhecido daqueles que frequentam aquele espaço.

terça-feira, 19 de março de 2019

DIA DO PAI




PAI

Para ti,
Que foste a semente da vida,
em mim.
Que me acolheste com Amor 
em teus braços,
tantas vezes cansados,
mas sempre presentes.
E me acompanhaste,
mais de metade da minha vida.
Que me ensinaste,
a caminhar
a ler
e a escrever.
Que me mostraste
com teu exemplo
como ser uma pessoa de bem.
Para ti,
meu pai, meu amigo,
meu mentor,
um enorme obrigado.
E se lá na dimensão
onde te encontras,
te é dado ver o nosso plano,
aceita pai, a minha gratidão,
o meu amor, a minha saudade.


Elvira Carvalho


A todos os pais que por aqui passem desejo um dia feliz.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

COM AS MINHAS PALAVRAS

  

 COM AS MINHAS PALAVRAS


Com as minhas palavras invento o Sonho
terá alma o Sonho?
Saberá dos milhares de crianças chorando
a fome
revoltados
pelo vento que arranca impiedoso
os frutos ainda verdes?

Com as minhas palavras invento a Vida
terá alma a Vida?
Saberá do silêncio dos que nascem
vivem
e morrem
no desespero da solidão?

Com as minhas palavras invento a Liberdade
terá alma a liberdade?
Saberá dos milhares de homens vivendo
dia após dia
hora após hora
a esmagar a raiva que martelam na memória.

Com as minhas palavras invento o Amor
Terá alma o amor?
saberá da indiferença dos que dormem
lado a lado
frustrados
na rotina agonizante do dia-a-dia.

Elvira Carvalho



Sem tempo para pesquisar novas poetas, deixo-vos com uma reedição.

domingo, 10 de junho de 2018

10 DE JUNHO DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES


                                                         


VENHO CONTAR-TE ESTRANGEIRO



Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal
Aos teus olhos tão estranhos vou mostrar-te,
as aldeias esquecidas do interior,
onde os campos raquíticos
 não dão pão.
Terras,só terras desertas,
sem escolas
sem homens,
que já se cansaram da fome
herdada
desde longínquas gerações.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Aos teus olhos velados da cegueira,
das campanhas turísticas.
Aos teus olhos que erram pelas praias,
e cidades
banhadas pelo sol.
Venho contar-te estrangeiro
as horas de incerteza e de angústia,
vividas pelo meu povo
que outrora dominou os mares
e mais tarde pela fome,
foi por ele escravizado.
E...venho contar-te mais
desta terra onde nasci...
Onde os homens nasciam
viviam
e morriam
sem consciência de terem vivido.
Terra de homens-escravos.
Escravos do tempo
das máquinas
do dinheiro
até da própria Vida.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Deste país que já não é, só de poetas
porque um dia,
um punhado de homens acordou
quebrou as amarras do medo e lutou.
Era Primavera e os cravos floriram.
Na terra dos homens-escravos,
a Revolução nasceu.

Hoje...
quando o desalento mata a esperança
quando os nossos filhos estão ausentes
procurando nas vossas terras
uma vida melhor.
E devorados pela saudade
nós envelhecemos solitários
segurando nas mãos as pétalas secas
dos cravos da nossa esperança.
Hoje... quando os políticos
 se esquecem dos sonhos,
reféns do poder,
escravos de escusos interesses.
Hoje...
Venho falar-te  estrangeiro,
Da minha raiva, do meu desalento.
Ah! como eu queria acordar este país
com a revolta que me rasga o peito
e gritar
EU QUERO UM PORTUGAL DIFERENTE
Para meus filhos e netos!


Elvira Carvalho


quarta-feira, 16 de maio de 2018

PERDIDAMENTE - Antologia de poetas lusófonos contemporâneos

Decorreu no dia 13 de Maio, no hotel Sana em Lisboa o Lançamento da Antologia de poesia  PERDIDAMENTE  volume III no qual colaboro com dois poemas. Deixo-vos com um dos poemas, que os mais antigos talvez já conheçam





                     Louca Perigosa

Deixem-me ir para a rua
quero gritar
chorar
cantar.
Quero levantar bem alto
a bandeira
do desespero.

Quero rir-me de ti
de mim
de todos nós.
Quero que os bandidos
chorem
a dor
e a vergonha
de o serem.

Quero dar pão
A quem tem fome
e dar água aos sedentos.
Quero dar amor
carinho
ternura
a quem vive só.

Quero sofrer com o presidiário
e sorrir feliz com os noivos.
Quero dar um lar aos órfãos
E trabalho a quem o procura.
Quero que todos os políticos
unam esforços
numa aliança firme
por um mundo melhor.

Quero acabar com o terrorismo
e as penas de morte.
Quero acabar com a fome
a poluição,
e a guerra.

Deixem-me ir para a rua
Deixem-me erguer bem alto
a minha bandeira.
E escrevam depois nos jornais
Que anda por aí à solta
Uma louca perigosa.


Elvira Carvalho 

in  "perdidamente" vol III páginas 179/180

segunda-feira, 23 de abril de 2018

LIBERDADE

25 DE ABRIL.  SEMPRE.





LIBERDADE


Ontem
Olhavas e fingias que não vias.
Os órfãos e viúvas de guerras inglórias
O desespero dos emigrantes clandestinos
As terras abandonadas pelo terror da fome
A força sacrifício dos ideais feitos homens
Encerrados e torturados nas prisões do meu país

Acordaste numa manhã de Abril
Espantado
Porque nas nossas mãos
A revolta era cravo rubro
Nas nossas gargantas
O medo era um hino à Liberdade
Nos nossos braços enlaçados
A força da esperança no futuro.
Acordaste...
E como quem muda de camisa
Puseste-te ao nosso lado.

Era o tempo
de fingires ser democrata...

Com a Liberdade por companheira
Entre avanços e recuos
Fomos fazendo a nossa história
Mas como joio insidioso, 
Abafando o trigo
Ias minando a caminhada
Encerrando escolas, 
Fechando fábricas.
Cortando subsídios
Aumentando o desemprego
Empurrando-nos para a emigração
Aprisionando os nossos sonhos, 
No desespero e desencanto.
Fomentavas a descrença
Para desunir o Povo


Podes continuar a tentar.
Tal como a noite tenta todos os dias
apagar o esplendor do sol
Porque hoje
O povo tem mais
Do que o sonho e a esperança
Conhece o sabor da Liberdade
Reconhece o sabor a sal
Das lágrimas
O odor do sangue derramado
Daqueles que por ela, deram a vida.

E não se deixa enganar!

elvira carvalho


quinta-feira, 8 de março de 2018

8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER





MULHER

Mulher
Hoje como ontem, sonhas com o Amor
A liberdade, o respeito, a dignidade
O prazer e o orgulho de seres Mulher.
Mas hoje como ontem, és desprezada
Violada, espancada, escravizada
Mulher-rosa é tua vida sem perfume
Espinhosa na profissão e no lar.
Corpo e alma em chaga permanente.
E ainda assim, mulher-mãe
Continuas a carregar amorosamente
No ventre, 
Aqueles que te irão apunhalar..



Elvira Carvalho.  






segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

PENSO EM TI






PENSO EM TI





Penso em ti
Na solidão
angustiada
dos dias
que dançam
em ondas de agonia
no oceano
do meu corpo
esquecido.

Penso em ti
Nos labirintos
do sonho
perdida.
Como barco
sem rumo
nem norte
em mar de
tempestade.

Penso em ti
Na escuridão
silenciosa
da minha noite
que cavalga
o tempo sem fim
do meu corpo
ondulante
de desejo.

Penso em ti
Principio e fim
da razão
do meu ser.



Elvira Carvalho

sábado, 2 de dezembro de 2017

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ELVIRA CARVALHO




SE EU TIVESSE CORAGEM




Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os homens que vivem algemados
aos dias sem pão, nem futuro.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os operários sem emprego,
engolindo dia a dia
os sonhos afogados no tempo
dum mísero subsídio.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
para os jovens, sem tempo nem idade
perdidos
nos tortuosos caminhos da droga.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
as minhas fantasias de criança,
a minha ansiedade de adulto,
a minha angústia de idoso,
a minha dor sem dor tão sentida.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
a minha fome de justiça
os sonhos que não sonhei
a vida que não vivi
a cruz que sem fé carreguei.


Se eu tivesse coragem,
havia de cantar
contra aqueles que nos dão
falsas ilusões
em forma de 
promessas eleitorais
em vez de pão
habitação
escolas e hospitais.


Ah!... Se eu tivesse coragem...


 Elvira Carvalho



Sem tempo para pesquisar uma nova poetisa, deixo aqui mais um dos meus poemas.
Este blogue vai ficar de férias até Setembro.  
Fiquem bem

sábado, 30 de abril de 2016

LOUCA PERIGOSA

                      foto de Jorge Bispo


Louca Perigosa

Deixem-me ir para a rua
quero gritar
chorar
cantar.
Quero levantar bem alto
a bandeira
do desespero.

Quero rir-me de ti
de mim
de todos nós.
Quero que os bandidos
chorem
a dor
e a vergonha
de o serem.

Quero dar pão
A quem tem fome
e dar água aos sedentos.
Quero dar amor
carinho
ternura
a quem vive só.

Quero sofrer com o presidiário
e sorrir feliz com os noivos.
Quero dar um lar aos órfãos
E trabalho a quem o procura.
Quero que todos os políticos
unam esforços
numa aliança firme
por um mundo melhor.

Quero acabar com o terrorismo
e as penas de morte.
Quero acabar com a fome
a poluição,
e a guerra.

Deixem-me ir para a rua
Deixem-me erguer bem alto
a minha bandeira.
E escrevam depois nos jornais
Que anda por aí à solta
Uma louca perigosa.

Elvira Carvalho 

sábado, 5 de março de 2016

VENHO CONTAR-TE ESTRANGEIRO


                                                            Ponta da Piedade. Foto minha




Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal
Aos teus olhos tão estranhos vou mostrar-te
as aldeias esquecidas do interior
onde os campos raquíticos
 não dão pão
Terras,só terras,sem água, sem luz
sem escolas
sem homens
que já se cansaram da fome
herdada
desde longínquas gerações.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Aos teus olhos velados da cegueira
das campanhas turísticas.
Aos teus olhos que erram pelas praias
banhadas de sol.
Venho contar-te estrangeiro
as horas de incerteza e de angústia
vividas pelo meu povo
que pela fome ,o mar tornou seu escravo.
E...venho contar-te mais
desta terra onde nasci...
Onde os homens nascem
vivem
e morrem
sem consciência de terem vivido.
Terra de homens-escravos.
Escravos do tempo
das máquinas
do dinheiro
da própria Vida.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Deste país que já não é  só de poetas
porque um dia um punhado de homens acordou
quebrou as amarras do medo e lutou.
Era Primavera e os cravos floriram.
Na terra dos homens-escravos,
a Revolução nasceu.

Hoje...quero contar-te estrangeiro
quando o desalento mata a esperança
quando o desemprego cria raízes no meu país
e o meu povo envelhece desiludido
olhando as pétalas secas dos cravos.
Hoje... quando os homens se esquecem dos sonhos
e voltam a ser escravos.
Hoje, estrangeiro
como eu queria acordar este país
com a revolta que me rasga o peito
e gritar
EU QUERO UM PORTUGAL DIFERENTE
no futuro


Elvira Carvalho



terça-feira, 3 de setembro de 2013

DEIXA



 
Hoje faço 99 anos. Perdão inverti os números. Rsrsrs. 66.
 Apesar de já ter perdido o nome, ( não sabem? Depois dos 60, passamos ao rol dos idosos e nunca mais ninguém nos trata pelo nome. Reparem nos noticiários) sinto-me feliz, e até me propus este ano ir estudar, coisa que nunca fiz, primeiro porque tive uma infância muito pobre e tive que ir trabalhar muito nova, segundo porque a vida mais tarde por várias vicissitudes nunca me deu essa oportunidade. Ah, mas este ano já me matriculei. Afinal nunca é tarde para nada enquanto estamos vivos não é mesmo?

E como presente deixo-vos aqui um dos meus poemas.


DEIXA

Deixa que a vida
não seja desespero
mas só vida.

Deixa que o mar
não seja túmulo
mas só mar.

Deixa que o sonho
não seja pesadelo
mas só sonho.

Exige
JUSTIÇA
PAZ
AMOR.
E vive...

Deixa
que a vida
seja vida,
e o mar
mar
e o sonho
sonho.
E luta
sofre
ama
e vive...

Essa vida
que não tens
mas anseias
conhecer. 

Elvira Carvalho.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de ABRIL de 2013. DIA DA LIBERDADE




CANSAÇO

Estou cansada
dos homens que adormecem ao sol
como lagartos.
Estou cansada dos ideais esquecidos
condenados sem nenhum recurso
nas mentes abarrotadas de ambição
dos líderes políticos.

Estou cansada
das aldeias de terras abandonadas
regadas
pelas lágrimas ardentes
das mulheres saudosas.
Estou cansada de crianças sem pai
que não sabem rir
porque ainda não têm pão.

Estou cansada
dos operários submergidos no desespero
dos salários em atraso,
que tornam caricato o pensamento
dum sol que nasce igual para todos.
Estou cansada
das mulheres que não têm noites de amor
desaparecidos os seus homens
no mar da emigração.

Estou cansada
das promessas das campanhas eleitorais
e das promessas a longo prazo, dos governos eleitos.
(Tão a longo prazo que não chegam nunca )
Estou cansada desta hipocrisia
que corre em linhas de incerteza
nos lábios dos homens sem tempo
nem idade.

Elvira Carvalho


Hoje no Sexta o 25 de Abril comemora-se com outro poema meu. Se lhe apetecer passe por lá.
Resto de bom feriado e bom fim de semana