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sábado, 2 de julho de 2016

VERA DUARTE






DESEJOS

Queria ser um poema lindo

cheirando a terra

com sabor a cana


Queria ver morrer assassinado

um tempo de luto

de homens indignos


Queria desabrochar

— flor rubra —

do chão fecundado da terra


ver raiar a aurora transparente


ser r´beira d´julion


em tempo de são João


nos anos de fartura d´espiga d´midje



E ser


riso


flor


fragrante


em cânticos na manhã renovada







Biografia AQUI

domingo, 27 de setembro de 2009

AMÉLIA DALOMBA

Foto de um quadro do pintor angolano Eleuterio Sanches retirada DAQUI

HERANÇA DE MORTE

Lírios em mãos de carrascos

Pombal à porta de ladrões

Filho de mulher à boca do lixo

Feridas gangrenadas sobre pontes quebradas

Assim construímos África nos cursos de herança e morte

Quando a crosta romper os beiços da terra

O vento ditará a sentença aos deserdados

Um feixe de luz constante na paginação da história

Cada ser um dever e um direito

Na voz ferida todos os abismos deglutidos pela esperança



Amélia Dalomba


Biogradia



Amélia Dalomba, nasceu em Cabinda aos 23 de Novembro de 1961. Tem exercido actividades profissionais em diversas áreas do jornalismo, nomeadamente radiofónico e de imprensa. Publicou poemas e artigos no Jornal de Angola. Presentemente prossegue os estudos superiores de Psicologia.

É uma das poucas vozes femininas que no nosso meio literário demonstra um relevante interesse em trazer contribuições novas para a poesia angolana. A sua dicção poética insere-se, até este momento, numa das correntes visíveis entre os autores da Geração das Incertezas, a chamada Geração de 80.

Tal tendência ou corrente manifesta-se através de um ostensivo tratamento estético da relação que se estabelece entre o homem e a mulher. Nota-se o recurso a um despojamento vocabular denso do ponto de vista semântico, resultando daí aquilo a que poderia denominar uma poética corporal.

Sobre a poesia desta autora, Manuel Rui diz: " No sentir, o laboratório dos sentidos para escrita, percebe-se à primeira vista, que é mesmo feminino".

Amélia Dalomba é membro da União dos Escritores Angolanos em cujos corpos gerentes tem ocupado diversos cargos. Publicou: Ânsia (1995) e Sacrossanto Refúgio (1996)

Biografia DAQUI

domingo, 23 de agosto de 2009

TÂNIA TOMÉ

Foto da net

África Inexplorada


Eu sou a parte de toda África

Ainda inexplorada

Onde batuque

Se auto musica

No orvalho terrestre

Nas aguas ainda mudas

Que correm a mutação

Das savanas e das pestes

Eu sou África ainda pura

Que nos seus campos virgens

Ainda adora o sol

E o canta pentatónica

Com a felicidade de existir

Sou África em cada pedaço de mim

E cada pedaço de mim a existir

Mupipi sobrevoando o grão

Urdindo o cântico litúrgico

Da utopia nas sementes

Marrabentando o futuro

Com mesmo sol dendêm

Das acácias e das palancas

Das palmeiras alcançando o céu

Eco ritmando o mistério e o feitiço

Da mãe ventrando a terra una

E da mão carne e alma de mulher

Eu sou a África profunda

Nos montes e ilhas

Que clamam os quatro ventos

Do sonho e dos horizontes

Que nos escorrem pelos dedos

No desacredito dos desertos

E das rochas esquecidas

Sou eu África fecunda

Que te escrevo

No sabor do lirismo que nos une

Na poesia dos povos

Neste exotismo de ânsias

Que nos sonha

Parte da África ainda inexplorada.


Tânia Tomé


biografia:

Tãnia Teresa Tomé nasceu a 11 de Novembro de 1981,na cidade de Maputo em Moçambique. Desde cedo que nutre uma paixão fulminante pelas artes, e com ela vai crescendo nos envolvimentos e interacções que vai tendo na vida artístico-cultural.

Cantora, compositora e declamadora são as outras actividades que a identificam e que vai exercendo para além da actividade profissional[Analista de Risco de Crédito no Banco].É Licenciada em Economia e Pos-graduada em Auditoria e Controlo de Gestão pela Universidade Católica Portuguesa [Portugal,Porto].

Faz parte de uma antologia Palop, para além de participações em alguns boletins e jornais, é membro da AEMO [Associação dos escritores Moçambicanos], e faz parte de um Movimento cultural [100 critica] composto por artistas que promovem recitais de poesia e música tradicional e acústica em Moçambique [Meu país Amado].

Participou em alguns projectos de poesia e declamação,de referenciar 'Dentro de mim outra ilha de Júlio Carrilho' com Jaime Santos [Declamador Moçambicano], e participação na Feira da Voz no Franco-Moçambicano como Júri de Declamação e actuação com Eduardo White [Poeta Moçambicano], ganhou alguns prémios de poesia, e têm 'mão' alguns projectos para o futuro presente.

Esta aberta a critica construtiva, a reflexão, a opiniões variadas, e a conselhos.A vida é uma recta continua de aprendizagem, qualquer amadurecimento implica o reconhecimento de ainda necessitar de crescimento, e da consciência exacta de se ainda ser pequeno,mas não obstante ter uma tarefa enorme a cumprir: com a minha acção socio-cultural individual contribuir com o crescimento do meu País [MOÇAMBIQUE] e do mundo que me gira a volta.

' Escrevo,para que numa dimensão sem espaço e sem tempo, eu possa interagir comigo e com os outros. Promovendo cultura para todos, conscientizando pessoas, alimentando espíritos e fazendo emergir por momentos constantes e incessantes 'PRAXIS' E 'GNOSES'. Para que possa eu, ver de mim a crescer e aprender com tudo e todos os que me possam guiar. E com isso contribuir com o que tenho na alma e na mente para fazer crescer outrem, fazer crescer meu MOÇAMBIQUE, fazer crescer MUNDO '

Tânia Tomé


Fonte

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_africa.asp?ID=1740


sábado, 18 de julho de 2009

DINA SALÚSTIO


foto DAQUI


ÉRAMOS TU E EU

Éramos eu e tu
Dentro de mim
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos.

Mãos agarradas
Pulsos acariciados
Um afago nas faces.

Éramos tu e eu
Dentro de nós
Suores inundavam os olhos
Alagavam lençóis
Corriam para o mar.
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga.

Éramos tu e eu
Dentro de nós.

As contracções cada vez mais rápidas
O descontrolo
A emoção
A ciência atenta
O oxigénio
A mão amiga
De repente a grande urgência
A Hora
A Violência
Éramos nós libertando-nos de nós.
É nossa a dor.

São nossos o sangue e as águas
O grito é nosso
A vida é tua
O filho é meu.

Os lábios esquecem o riso
Os olhos a luz
O corpo a dor.

A exaustão total
O correr do pano
O fim do parto.


Biografia

Dina Salústio (pseudónimo de Bernardina Oliveira), nasceu em 1941, em Santo Antão, Cabo Verde.
Foi professora, assistente social e jornalista, tendo trabalhado em Cabo Verde, assim como em Portugal e em Angola.
Foi produtora de rádio, dirigindo um programa radiofónico dedicado a assuntos educativos: Gentes, Ideias, Cultura.
Trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros e desempemha, actualmente (2005) o cargo de Conselheira do Ministro da Cultura, em Cabo Verde.
É membro e foi uma das fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-verdianos. É igualmente sócia fundadora das revistas: Mudjer e Ponto & Vírgula; colaborando noutros periódicos: Fragmentos, A Tribuna, Voz di Povo, Montanha, Pré Textos, Revue Noir, A Semana onde se encontra grande parte de seus textos. Tem, pois, colaboração (em prosa e poesia) na imprensa caboverdiana e no estrangeiro.
Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio de Literatura Infantil de Cabo Verde – no mesmo ano em que publicava colectânea de contos, Mornas Eram as Noites – e em 1999 ganhou o 3º Prémio de Literatura Infantil de Cabo Verde, dos PALOP.
Estreou-se no romance com A Louca de Serrano (1998), sendo este considerado o primeiro romance feminino na literatura caboverdiana.
Participou na antologia de poesia cabo-verdiana org. por J. L. H. Almada: Mirabilis de Veias ao Sol (1991) e na colectânea Cabo Verde: Insularidade e Literatura (Paris, Éditions Karthala, 1998), tanto na versão portuguesa como na francesa.


Biografia DAQUI

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ALDA DO ESPIRITO SANTO OU ALDA GRAÇA



foto da net

Avó Mariana

Avó Mariana, lavadeira
dos brancos lá da Fazenda
chegou um dia de terras distantes
com seu pedaço de pano na cintura
e ficou.
Ficou a Avó Mariana
lavando, lavando, lá na roça
pitando seu jessu1
à porta da sanzala
lembrando a viagem dos seus campos de sisal.

Num dia sinistro
p'ra ilha distante
onde a faina de trabalho
apagou a lembrança
dos bois, nos óbitos
lá no Cubal distante.

Avó Mariana chegou
e sentou-se à porta da sanzala2
e pitou seu jessu1
lavando, lavando
numa barreira de silêncio.

Os anos escoaram
lá na terra calcinante.

- "Avó Mariana, Avó Mariana
é a hora de partir.
Vai rever teus campos extensos
de plantações sem fim".

- "Onde é terra di gente?
Velha vem, não volta mais...
Cheguei de muito longe,
anos e mais anos aqui no terreiro...
Velha tonta, já não tem terra
Vou ficar aqui, minino tonto".

Avó Mariana, pitando seu jessu1
na soleira do seu beco escuro,
conta Avó Velhinha
teu fado inglório.
Viver, vegetar
à sombra dum terreiro
tu mesmo Avó minha
não contarás a tua história.

Avó Mariana, velhinha minha,
pitando seu jessu1
na soleira da senzala
nada dirás do teu destino...
Porque cruzaste mares, avó velhinha,
e te quedaste sozinha
pitando teu jessu1?

(É nosso o solo sagrado da terra)

Biografia

Nascida a 30 de Abril de 1926 na cidade de São Tomé, Alda Graça do Espírito Santo, combatente da luta pela independência nacional, instruiu a nova geração pós independência, e pelas suas mãos de poetisa nasceram versos e rimas que sustentam o orgulho da República Democrática fundada em 1975. Uma referência nacional, que rejeita vanglórias e com humildade continua a batalhar pela conquista do progresso do país soberano.

Desde a juventude que Alda Graça do Espírito Santo vive na mesma residência na Chácara, arredores da capital São Tomé. Segundo ela só deixa aquele lugar quando for chamada para o eterno descanso no cemitério do alto São João.

Aos 83 anos, continua lúcida, inteligente, um verdadeiro depósito vivo de saber que continua alimentar gerações de são-tomenses. Foi professor da geração de são-tomenses, que gritou pela independência nacional.

Criou a primeira geração de jornalistas do país, e como poetisa imortalizou o massacre de 1953 no poema TRINDADE, que desde a independência nacional é recitado todos os anos e de forma arrepiante por uma voz feminina.

A poder poético de Alda graça está presente todos os dias, e em todos os momentos de São Tomé e Príncipe. O grito pela independência nacional, a unidade do povo no coro da esperança, é reflectido na letra do hino nacional de que ela é autora.

Membro do Governo de transição, como Ministra da Educação, Alda do Espírito Santo, foi também ministra da informação e cultura. Fez dois mandatos como Presidente da Assembleia Nacional Popular.

Criou a União dos Escritores e Artistas São-tomenses, onde continua a trabalhar na criação de novos valores para cultura literária são-tomense.

“Mataram o rio da minha cidade”, é uma obra de Alda do Espírito Santo, que desperta a atenção dos são-tomenses exactamente para a recuperação da capital e do rio que deu nome a toda a região de Água Grande.

Dados biográficos da autoria de Abel Veiga

sábado, 6 de junho de 2009

ODETE COSTA SEMEDO

Bafatá , vista do rio Geba. Foto daqui


Poemar é amar o mar
Poemar é revestir o ser
Com o próprio pensamento
É trazer à superfície
O subconsciente
É ser vidente
É ser viandante
É amar a dor
E dar calor
Ao frio da noite.
Poemar é dar prazer ao ser
É estar contente
Por poder amar
E poemar é amor
Poemar é amar
Quando ao luar
O mar e a mente se entrelaçam
Quando a dor e o calor se confundem...
Poemar é amor
É amar
É mar
E é dor também

Biografia
Maria Odete da Costa Semedo nasceu em Bissau, a 7 de Novembro de 1959. Aos 18 anos iniciou as suas actividades como professora. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1989/1990). Assumiu, ao regressar à Guiné-Bissau, a Coordenação Nacional do Projecto de Língua Portuguesa no Ensino Secundário, financiada pela Fundação Gulbenkian. Foi Directora da Escola Normal Superior Tchico-Té; exerceu ali ao mesmo tempo suas actividades de professora. A partir de 1995 passou a desempenhar as funções de Directora Geral do Ensino. Foi Presidente da Comissão Nacional para a UNESCO - Bissau. Assumiu as funções de Ministra da Saúde e de Ministra da Cultura. Doutorou-se em Letras pela PUC Minas, Brasil.

Traduziu para crioulo o guião do filme Olhos Azuis de Yonta do cineasta Flora Gomes e participou na rodagem do mesmo filme como assistente de realização.

Participou na Anthologie de Literatures Francophones de l'Afrique de l'Ouest, Éditions Nathan, Paris, 1994.

Foi co-fundadora e é membro do Conselho de Redacção da Tcholona, Revista de Letras, Artes e Cultura.

Tem divulgado contos e poemas em jornais e revistas nacionais e estrangeiras.

1996 - livro de poemas Entre o Ser e o Amar, em Bissau.

2003 - Histórias e passadas que ouvi contar e No Fundo do Canto (edições portuguesas)

2006 - organizou a exposição Falas di Panus, em PUC Minas, onde se doutorou.


Biografia daqui

segunda-feira, 25 de maio de 2009

VERA DUARTE

Foto daqui

Ai se um dia...

Ai se em Outubro chovesse
a terra molhasse
o milho crescesse
e a fome acabasse

Ai se o homem sorrisse
a terra molhasse
a fome acabasse
e a chuva caísse

Ai se um dia...
Acordemos, camaradas,
As chuvas de Outubro não existem!
O que existe
É o suor cansado
Dos homens que querem

O que existe
É a busca constante
Do pão que abundante virá

Homens, mulheres, crianças
Na pátria livre libertada
Plantando mil milharais
Serão a chuva caindo
Na nossa terra explorada

Biografia
Vera Duarte, de seu nome completo Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina, nasceu no Mindelo, Cabo Verde, num Outubro qualquer. Ali brincou, cresceu e amou.
Depois esteve em Portugal para fazer o curso de Direito na Universidade Clássica de Lisboa e posteriormente para fazer formação na Magistratura Judicial, pelo Centro de Estudos Judiciários de Lisboa, tendo voltado a cidade da Praia, Cabo Verde, no sentido de trabalhar na justiça e como Juíza Conselheira do Supremo Tribunal da Justiça. Após se ter afastado do referido cargo assumiu a responsabilidade e honra de exercer as funções de Conselheira do Presidente da República.
Entretanto escreveu, casou-se, publicou, teve filhos e filhos dos filhos, divorciou-se e de novo se casou, viajou e participou - do coração - na vida pública do seu país. Sobretudo nas questões ligadas à mulher, cultura e aos Direitos Humanos.
Orgulha-se de ter sido galardoada em 1995 em Portugal pelo então presidente português Dr.Mário Soares com o Prémio Norte-Sul de Lisboa do Conselho da Europa, pelas suas actividades em prol dos Direitos Humanos. Sobretudo enquanto membro da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e da Comissão Internacional de Juristas.
Actualmente é Presidente da Associação Cabo-verdiana de Mulheres Juristas (AMJ), membro do Comité Executivo da Comissão Internacional de Juristas, além de ser membro de várias associações oriundas da sociedade civil cabo-verdiana, nomeadamente a Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC).
Tem como lema de vida, Liberdade, Justiça, Paz e Amor.

Biografia daqui

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

NOÉMIA DE SOUSA



INFELIZMENTE JAMAIS


No instintivo temor das ruas

Maria hesitava nos passeios

até não pressentiro mais fugaz

presságio.

Contorno de sombra

à berma de uma além –asfalto

fatal presságio da rua

infelizmente já não

a intimida.




Cumprido o funesto prenúncio

já atravessava uma avenida

infortunadamente já nenhum risco

intimida o espírito

de Maria.




Doentiamente eu amaria ver

Maria ainda amedrontada

e nunca como depois

em que já nada a intimida.


Noémia de Sousa


Biografia


Noémia de Sousa, nasceu em Catembe, Moçambique, em 1926 e faleceu em Cascais, Portugal, em 2002. Poeta, jornalista de agências de notícias internacionais viajou por toda a África durante as lutas pela independência de vários países. Só publicou tardiamente seu livro de poesias Sangue Negro, em 2001.

domingo, 9 de novembro de 2008

YOLANDA MORAZZO

Foto da net

Os Barcos

"Nha terra é quel piquinino
É São Vicente é que di meu"

Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.
Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.
E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...
E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...

Yolanda Morazzo

Biografia

Nasceu em 16 de Dezembro de 1927, natural da ilha de S. Vicente. Neta de José Lopes da Silva. Uma das raras poetisas cabo-verdianas deste período e a única voz feminina na revista Claridade. Frequentou o Liceu Gil Eanes do Mindelo e concluiu os seus estudos liceais em Lisboa, para onde foi em 1943, e onde fez os cursos de Francês no Instituto Francês e o de inglês no Instituto Britânico. Emigrou para Angola onde foi professora da Ailiance Française em Luanda. Deixou Angola em 1975 na sequência da descolonização e reside hoje em Lisboa. • Colaborou na Claridade, Cabo Verde - Boletim de Propaganda e Informação, no Suplemento Cultural; Ponto & Vírgula e Artiletra nos portugueses Artes e Letras do Diário de Notícias; nos angolanos Província de Angola, Jornal do Lobito, Notícia, República, etc. Figura em: Modernos poetas cabo-verdianos - Antologia, Praia, I. Santiago, 1961; Nós somos todos nós. Antologia Portugalidade, Luanda, Angola, 1969; A mulher e a sensibilidade portuguesa, Luanda, Angola, 1970; e No reino de Caliban - Antologia panorâmica da poesia africana de expressão portuguesa, Lisboa 1975. • Publicou: Cântico de /erro, Lisboa, 1976, 80 p.

(biografia recolhida na net)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ANA JÚLIA SANÇA



Emigrante

O drama começa no momento
em que nasce a idéia de "partir"
Aí param os sonhos
E começam os pesadelos.

Emigrante!

Esta é a alcunha que te deram.
A tragédia que isso acarreta
consome anos de existência
aniquilando lentamente
castelos edificados de ilusões
que dos sonhos ainda restam.

Emigrante!

Fantasia dos que ficam
Américas
Alemanhas
Franças
e outros mundos sempre iguais...

Emigrante!

Suportar esse título tão honradamente
ter que comer o pão que o diabo amassou

ser sempre forasteiro em porta alheia...

Sim, emigrante!
Emigrante = sobrevivência
Gritos de alma
ambição amordaçada
desejos frustrados...

VITA BREVIS num copo de vinho
Esquecer as amarguras
Da "Terra Prometida"



© Ana Júlia Sança

Ana Julia Sança, nasceu na Ilha de Santiago em Cabo Verde.
Viveu alguns anos em Portugal e emigrou para o Canadá em 1981.
É Assistente Social Trabalha no Consulado Geral de Portugal em Toronto, onde presentemente desempenha o cargo de Assistente Administrativa Principal.
A sua primeira colecção de poemas que mereceu o mesmo título de Arco Vírus e Vibra Sóis foi editado em 1985 pela editora Peregrinação.
Sua poesia e prosa figuram em diversas antologias publicadas em Itália, Noruega, USA, Portugal, Cabo Verde, Canadá etc..
Tem participado em diversos congressos à volta do mundo (Portugal, Cabo Verde, Holanda, USA, Itália, Macau etc.)
Recebeu prémio internacional em Itália, sobre o tema (Mulher na Literatura Contemporânea) em Washington DC por dois anos consecutivos.
Detentora do prémio, atribuído pelo jornal Voice de expressão portuguesa, com distinção "Mulher Ano 2000"
Em 2001 foi laureada pelo prémio literário concedido pela ACAPO (Associação de Clubes e Associações Portuguesas do Ontário.
Em 2002 teve reconhecimento literário pelo jornal Nove Ilhas.
EM RECUPERAÇÃO DE UMA CIRURGIA, QUE GRAÇAS A DEUS CORREU BEM, PEÇO DESCULPA PELA AUSÊNCIA, e PROMETO VISITÁ-LOS LOGO QUE POSSÍVEL.
OBRIGADA, PELO VOSSO CARINHO.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ANA PAULA TAVARES


Canto de nascimento

Aceso está o fogo
prontas as mãos

o dia parou a sua lenta marcha
de mergulhar na noite.

As mãos criam na água
uma pele nova

panos brancos
uma panela a ferver
mais a faca de cortar

Uma dor fina
a marcar os intervalos de tempo
vinte cabaças de leite
que o vento trabalha manteiga

a lua pousada na pedra de afiar

Uma mulher oferece à noite
o silêncio aberto
de um grito
sem som nem gesto
apenas o silêncio aberto assim ao grito
solto ao intervalo das lágrimas

As velhas desfiam uma lenta memória
que acende a noite de palavras
depois aquecem as mãos de semear fogueiras

Uma mulher arde
no fogo de uma dor fria
igual a todas as dores
maior que todas as dores.
Esta mulher arde
no meio da noite perdida
colhendo o rio

enquanto as crianças dormem
seus pequenos sonhos de leite.


Biografia

Nasceu no Lubango, Huíla, Sul de Angola, em 1952. É historiadora, tendo obtido o grau de Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A autora vem atuando em várias atividades ligadas à literatura e à história africana. Foi membro do júri do Prêmio Nacional de Literatura de Angola nos anos de 1988 a 1990 e responsável pelo Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica, em Luanda, de 1983 a 1985. Em 1999, publicou vários estudos sobre a história de Angola na revista "Fontes & Estudos", de Luanda.

Obra poética:
Ritos de Passagem, 1985, Luanda, União dos Escritores Angolanos;

O Lago da Lua, 1999, Lisboa, Editorial Caminho.

Dizes-me coisas amargas como os frutos, 2001, Lisboa, Editorial Caminho.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

ALDA ESPIRITO SANTO




Onde estão os homens caçados neste vento de loucura

O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.
Ai o cais, o sangue, os homens,
os grilhões, os golpes das pancadas
a soarem, a soarem, a soarem
caindo no silêncio das vidas tombadas
dos gritos, dos uivos de dor
dos homens que não são homens,
na mão dos verdugos sem nome.
Zé Mulato, na história do cais
baleando homens no silêncio
do tombar dos corpos.
Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.
As vítimas clamam vingança
O mar, o mar de Fernão Dias
engolindo vidas humanas
está rubro de sangue.
- Nós estamos de pé -
nossos olhos se viram para ti.
Nossas vidas enterradas
nos campos da morte,
os homens do cinco de Fevereiro
os homens caídos na estufa da morte
clamando piedade
gritando pela vida,
mortos sem ar e sem água
levantam-se todos
da vala comum
e de pé no coro de justiça
clamam vingança...
... Os corpos tombados no mato,
as casas, as casas dos homens
destruídas na voragem
do fogo incendiário,
as vias queimadas,
erguem o coro insólito de justiça
clamando vingança.
E vós todos carrascos
e vós todos algozes
sentados nos bancos dos réus:
- Que fizeste do meu povo?...
- Que respondeis?
- Onde está o meu povo?
...E eu respondo no silêncio
das vozes erguidas
clamando justiça...
Um a um, todos em fila...
Para vós, carrascos,
o perdão não tem nome.
A justiça vai soar,
E o sangue das vidas caídas
nos matos da morte
ensopando a terra
num silêncio de arrepios
vai fecundar a terra,
clamando justiça.
É a chamada da humanidade
cantando a esperança
num mundo sem peias
onde a liberdade
é a pátria dos homens...

(É nosso o solo sagrado da terra)


Alda Graça

Biografia

Alda Espirito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda freqüentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas atividades políticas, mas também por motivos econômicos.
Regressou a São Tomé, onde trabalhou como professora.
Ali exerceu alguns cargos governamentais nas áreas da Educação, da Informação e da Cultura e foi deputada e Presidente da Assembleia Nacional.
É actualmente Presidente da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe, cargo que acumula com a Presidência do Fórum da Mulher de S. Tomé e Príncipe.
Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.
Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada.
É dela a letra do Hino Nacional de S.Tomé e Príncipe.

Independência total

Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Dinamismo
Na luta nacional
Juramento eterno
No país soberano
De São Tomé e Príncipe
Guerrilheiro da guerra sem armas na mão
Chama viva na alma do povo
Congregando os filhos das ilhas
Em redor da Pátria Imortal
Independência total, total e completa
Construindo no progresso e na paz
A Nação mais ditosa da terra
Com os braços heróicos do povo
Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Trabalhando, lutando e vencendo
Caminhamos a passos gigantes
Na cruzada dos povos africanos
Hasteando a bandeira nacional
Voz do povo, presente, presente em conjunto
Vibra rijo no coro da esperança
Ser herói na hora do perigo
Ser herói no ressurgir do país
Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Dinamismo
Na luta nacional
Juramento eterno
No país soberano
De São Tomé e Príncipe

HINO NACIONAL DE São Tomé e Príncipe.

Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Obra poética:
O Jogral das Ilhas, 1976, São Tomé, e. a.;

É Nosso o Solo Sagrada da Terra, 1978, Lisboa, Ulmeiro.