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terça-feira, 16 de setembro de 2014

ANTONIELLA DEVANIER






PEDIDOS DO CORPO



O corpo pede um drink:
pode ser martini
Na manhã que chega,
estranha e solitária,
sou mulher também.
Mas, ontem à noite,
o corpo pediu um toque
da língua, nos gelos
que estavam
perdidos no copo.





Biografia  AQUI

domingo, 7 de setembro de 2014

MARIA ISABEL BARCELOS

a menina sabe que
nenhum olho existe fora de um rosto

não quer ver o barco
também ele existe fora do mar

quer desenhar um sol
mas não se recorda do lugar onde guardou a caixa
dos lápis de cor

a menina está triste e não está triste
todo o lugar é um não-lugar
todas as coisas andam perdidas ou talvez não andem perdidas
e se tenham encontrado noutro lugar que elas ainda não conhecem

nesse outro lugar o sol está á espera
da caixa dos lápis de cor e da menina

onde fica o lugar do sol?
a criança abre os braços e imagina muitas crianças alegres a saltar,
com os braços abertos, e quem salta mais alto chega ao lugar do
sol mas eu só quero chegar à minha mãe.

Maria Isabel Barcelos


Biografia

Nasceu no Funchal em 1958. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.
Prémio Revelação da Literatura Infantil da APE. Obteve a Bolsa de Criação Literária em 2001 do Ministério da Cultura, na modalidade de poesia.
É professora do ensino secundário e divulgadora de poesia e literatura infantil em escolas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

MARIA ERMELINDA MORGADO




                                                                 Foto do Google


HÁ DIAS ASSIM


Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em

 concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é 
tanto.
Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que

 nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao 
longe o mar.
Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. 

Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de
quem dorme na rua.
Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho 

nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama.
Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me 

de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio 
sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E 
fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, 
o mar és tu...




Maria Ermelinda Morgado, é o nome da autora, conhecida na blogosfera por Maria Morgado, que acaba de publicar o seu primeiro livro de poesia.  "Mar de Abril" editora Lua de Marfim do qual vos deixo este poema.


Aqui podem encontrar o blogue da autora.

domingo, 20 de julho de 2014

MAR. MARIA



                                                                          Foto DAQUI


PERMITE-ME...


Hoje, só hoje, permite-me:


abrir livros,
tomar banho nas palavras,
enfeitar-me de joias,
ser cor-de-rosa
cheirar as flores,
andar descalça,
ser mimada,
sonhar noutro tempo,
encontrar-me em local desconhecido,
ser lamechas.


Permite-me hoje, fantasias de diamante
pois o meus coração é carvão.




Mar Maria, é o nome da  Pérola. que publicou há pouco tempo o seu primeiro livro de poesia.
Dele retirei este pequeno poema que muito me agradou.  Para conhecer melhor a autora, clique no livro ou
Aqui, e será direcionado/a para o blogue da autora, onde poderá ler outros poemas , ou pedir o livro.