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sábado, 18 de maio de 2024

SÓNIA SULTUANE - CHOREI OS HOMENS






 Chorei os homens,

mas nenhum, as minhas lágrimas viu,
nenhum as viu correr dentro de mim,
chorei os homens,
com lágrimas já tão cansadas, esperei...enfim...,
que algum as visse e as pudesse secar,
que algum as pudesse ouvir,
ouvir somente dizer que foi por amor,
que chorei lágrimas doídas


Sónia Sultuane
Moçambique


Biografia:

Nota: Amigos, só agora vi que embora continue em pausa, ainda saíram duas postagens dando ideia de que estava de volta. Não aconteceu, as postagens saíram porque estavam agendadas. Pensava regressar ao vosso convívio este mês mas uma virose, seguida de uma gastrite e uma infeção urinária não me têm dado descanso. Voltarei para em Junho, se entretanto recuperar a saúde. 





quinta-feira, 22 de julho de 2021

LIZETE SITOE



Globalização


Já não basta o sangue nosso derramado?
Sou a voz que clama no deserto,
Libertem o meu povo.
Não queremos as asas que nos cortaram,
Nem o limbo que nos trouxeram;

Testa por testa se quiserem,
Deixem-nos curvados aos nossos ancestrais,
Dançando Mapico,
Saboreando a deliciosa Nyangana;

Mesmo sem as asas que nos cortaram,
Com o limbo que nos trouxeram;
Depois chamam-nos pretos,
E esquecem que somos pretos, sim.
Somos pretos.

Pretos da cor do carvão,
Do carvão da nossa terra,
Terra rica de cultura;
Somos pretos.

Pretos da cor do povo,
Povo preto da minha terra,
Terra rica de cultura;

Sou a voz que clama no deserto,
Libertem o meu povo;
Não nos matem com o samba e o bacalhau...
Não nos corrompem com as vossas vestes. Pobre capulana.
Já não basta o sangue nosso derramado?
Agora a moda, o som, o paladar?




Biografia

Lizete António Sitoe, nasceu na capital de Moçambique, cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques aos 26 de janeiro de 1998. É estudante de técnico aduaneiro, poetisa, declamadora, amante da psicologia, professora nas escolas dominicais da igreja evangélica assembleia de Deus, onde tornou-se Cristã e foi baptizada.


Escrevia poemas desde a sua infância e começou a declamar no ano 2015 especialmente para a sua Mãe, em seguida na sua instituição e com o tempo foi se expondo nos saraus de poesia, nas Rádio e tv's e foi vencedora em vários concursos de poesia na sua instituição. Em 2016 participou em certos eventos de moda, como estátua humana e em 2017 tornou-se membro da associação Nkaringana Arte e coordenadora de eventos na associação Fénix e iniciou um movimento "pequeninos de Jesus " em seu centro dominical.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

CELINA SHEILA MACOME




Amo um ser que não existe


Viajei num mundo imaginário
Encantei-me aos olhos do poeta
Procurei um lugar que não existe
Mergulhei no mar, ao encontro da poesia

Escrevi um poema entre as nuvens
Entre versos, beijei o poeta
No luar, fizemos tercetos
Andei atrás, de uma carta que não existia

Sonhei, num barco de palavras poéticas
Lancei-me no mar, ao encontro do meu ser
Escrevi um romance , nos olhos de um poeta

Celina Sheila

 AQUI  podem conhecer melhor a autora

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

SÓNIA SULTUANE



Penso despertar em mim belezas ocultas


Tenho em mim esta garra
que me transforma
nessas mulheres de vários karmas
mulher agreste, selvagem
mulher luz, mulher poente
mulher confusa, mulher vidente
fico desperta quando descubro
que já vivi em outros mundos
com belezas ocultas de deusa, peregrina, supérflua, feiticeira,
todas guardadas nas profundezas do meu sangue,
da minha alma velha, mas de menina ainda contente.

Biografia  AQUI

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

DEUSA d'ÁFRICA


 A VIDA QUE NÃO TIVE


Um abraço
Um apreço
Um vaso
Para jogar a semente e irrigá-la
E clientes para fornecer-lhes
A água vinda das minhas pupilas.

Um afecto
Como um insecto
Cujo pai ensina-o a voar.

Um punhal
Para encravar
Em minhas entranhas,
A liberdade, 
E livrar-me da colonização da vida.


Deusa d’África, in “A Voz das Minhas Entranhas”, página 48, edição Deusa d’África / Grupo Cultural Xitende / Ciedima, Lda., Maputo, 2014.


Biografia  AQUI

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

GLÓRIA DE SANT'ANNA


Poema Agreste

Não sei por que buscas palavras longas
para as coisas breves que nos assombram.

Não sei por que teces teias enormes
para as incertezas que nos envolvem.

Não sei por que insistes. Não sei porque insistes
em prender meus passos nesse limite.

Glória de Sant'Anna, in 'Poemas do Tempo Agreste'

Biografia   Aqui

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

FÁTIMA LANGA





MULHER


Procurei palavras bonitas
Palavras caras e raras
Palavras de dicionário
Palavras que só os doutores sabem dizer
Para falar de ti, mulher
E não encontrei

Perguntei ao vento ao fogo e ao mar
À terra, ao tempo e espreitei no ar
Buscando alguém,
alguma coisa
Que me dissesse o teu nome
Para eu falar de ti, mulher
E ninguém me respondeu

Então, vasculhei sentimentos e atitudes
E no fundo de cada um
Descobri as tuas pegadas
Por vezes longínquas,
Outras vezes ténues
Mas sempre presentes
numa caminhada perene, penosa

por fim encontrei-te.
Encontrei-te no rosto das crianças
que geraste e criaste
No amor que criaste com grãos de dor
Na esperança que semeaste
em pedaços de desespero
Em feridas que curaste
com lágrimas escondidas
Para não mostrar a face

Encontrei-te
nas bocas saciadas da família
Em pedaços de percurso
entre caminhões e fronteiras

 

Encontrei-te
também no sono reparador do teu lar
Que semeaste em cada viagem arriscada
A pé, de chapa ou de boleia
Entre insultos, violência e abusos
respondes com um sorriso

Encontrei-te nesse amor que só tu sabes cultivar
Nos ombros que emprestas a quem precisa de chorar
Encontrei-te nesse amálgama de emoções
Que vives em cada dia
E que transformas num olhar

Mas vi também pegadas recentes
Nas salas de trabalho de políticos e cientistas
Reconheci-te com microfones falando para multidões
Descobri que já começaste a consolidar espaços novos
Nas tecnologias, nas decisões e nos espaços nobres
Nas empresas que algumas já te pertencem
Até condenas criminosos em salas de audiência.

Num momento de pausa

Encontrei-te sozinha com o olhar iluminado
E perguntei-te o teu nome
Respondeste: Sou mulher



Biografia   AQUI


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

HIRONDINA JOSHUA


Invenção
De súbito,
o desejo despeja-se
no corpo inventado,
há uma contemplação invisível.
É momento de luz:
Uma mão pronuncia a voz do interior
e outra subjacente vagueia

Biografia AQUI

terça-feira, 1 de outubro de 2019

GLÓRIA DE SANT'ANNA

Recado

Se eu morrer longe
sepulta-me no mar
dentro das algas ignorantes
e lúcidas.

Cobre o meu rosto de palavras
antigas
e de música.

Deixa em meus dedos
a memória mais recente
de outras coisas inúmeras

e nos meus cabelos
o incerto movimento
do vento e da chuva.

Eu vogarei sob as estrelas
com pálidas luzes entre os cílios
e pequenos caramujos
entrarão nos meus ouvidos.

Estarei assim idêntica
a todos os motivos.

Glória de Sant'Anna, in 'Música Ausente'


Biografia  AQUI

sábado, 19 de janeiro de 2019

SÓNIA SULTUANE




Africana
dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana,
porque não uso missiri nem missangas,
deixa-me rir…
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de “Levis, Gucci ou Diesel”,
não o sou… será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem esta profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que é que tu saberás? O que é que tu sabes?
Deixa-me rir…
deixa-me rir…

Sónia Sultuane


Biografia AQUI