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sábado, 22 de agosto de 2020

ANILDA LEÃO




À procura da infância




Procuro ouvir na voz do vento
o eco perdido da minha infância.
E no riso franco das criancinhas
eu vislumbro o meu riso antigo.
Procuro nas ruas desertas e silenciosas,
o canto alegre das cirandas
e as minhas correrias do tempo recuado.
Dentro daquela avenida asfaltada,
onde rolam automóveis de luxo,
eu busco a minha ruazinha feia e pobre.
Procuro ver nas bonecas de hoje,
tão lindas, de tranças sedosas,
a bonequinha de trapo que eu embalei no meus braços.
Procuro encontrar no rosto das neocomungantes 
traços de minha inocência
e a primeira emoção daquela que ficou no tempo.
Procuro descobrir, desesperada,
na face ingênua das crianças
a minha pureza perdida.
Procuro em vão, pois não encontrarei jamais
vestígios da minha infância feliz,
que os anos guardaram no seu abismo.




- Anilda Leão, em "Chão de pedras". Maceió: Caetés, 1961.



Biografia e outros poemas AQUI

15 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Boa noite de paz, querida amiga Elvira!
Que nunca percamos de vista nossa infância!
Imagem bonita e terna...
Tenha dias abençoados!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

abasozora disse...

um coração aberto nos faz parecer felizes e despreocupados

lua singular disse...


Oi Elvira,
Não viva de reminiscências mil, pois elas embalam um passado que hoje não existe mais.
Gosto daqui
Beijos no coração
Lua Singular

Os olhares da Gracinha! disse...

Gosto poema Elvira e da saudade que despertou... recordações da infância!!!
Bj

Maria Rodrigues disse...

Ficam as doces recordações da nossa infância, para aliviar por vezes as mágoas do presente. Belíssimo poema, obrigado pela partilha.
Peço desculpa da minha ausência mas ando com obras em casa e o tempo disponível é pouco. Os posts estão agendados e vão saindo.
Beijinhos

" R y k @ r d o " disse...

Bom dia:- Poema lindíssimo
.
Um dia feliz

O meu pensamento viaja disse...

Não conhecia a autora deste belo poema.

mz disse...

Todos procuramos memórias da nossa infância.
Um abraço Elvira.

Olinda Melo disse...


A infância acompanha-nos sempre. As recordações do que
foi vivido são por vezes moldados pela nossa vontade do
que poderia ter sido.

abraço
Olinda

Pedro Luso disse...

As imagens de nossa infância nos acompanharão sempre, independente do nosso presente.
Não conhecia a poeta que me deste a conhecer, Elvira. E gostei de ler tão belo poema.
Um bom fim de semana,
um abraço.









Gracita disse...

As lembranças da infância nos acompanham e são alentos para aqueles dias enevoados que quase nos tiram o chão
O poema é maravilhoso
Beijinhos poéticos

Marta Vinhais disse...

As memórias felizes que ficam sempre guardadas e nas quais encontramos força para enfrentar o Mundo...
Não conhecia a autoria; obrigada pela partilha e pelas visitas ao meu blog.
Beijos e abraços
Marta

São disse...

Será bom que consigamos guardar algo de infantil em nós, sempre.

Beijinho amigo e bom fim de semana

MARILENE disse...

A infância é preciosa e todos temos dela ricas lembranças. Nela mora a inocência que os anos levam. Muito bonito! Bjs.

ROSELINE DAVIDSON disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.