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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

JANITA




CONSTRUÇÕES.


 É nas noites,

longas e quase eternas

que procuro construir-te à medida

do meu sonho.

Faço-te, desfaço-te

foge-me o traço.

Escovo, raspo, 

encho de água fresca o tanque.

Lavo, esfrego com água e sabão,

o meu cansaço e

adormeço sem te saber.


Mas é logo de manhã, ao acordar,

que sempre te reconheço

                      mesmo sem te conhecer...


Biografia

A Janita, é uma colega nossa, aqui da blogosfera. É simpática, brincalhona, e escreve muito bem, sobre os mais diversos motivos, pelo que acompanhar o seu  Cantinho é muito agradável.  Há pouco tempo começou a mostrar-nos os seus dotes de poeta. E como podem ver e ler, a sua poesia é mesmo muito boa.

sábado, 7 de novembro de 2020

MIRIAM ALVES





Calafrio



O sorriso gela
a porta do paraíso prometido

A tarde cobre-se de frio

grita
esconde-se atrás dos
casacos
faz esculpir aquela saudade
do lugar
jamais percorrido.

Escorrem feito sorvete

as esperanças derretidas
no ardor do querer.


- Miriam Alves, em "Cadernos Negros". n. 7, São Paulo: Quilombhoje, 1984.



Biografia AQUI


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

EM MEMÓRIA DAQUELES QUE AMÁMOS E JÁ PARTIRAM


 

DIA DE FINADOS


Passam tristes em romagem piedosa

Levam nos ramos as mais belas flores

Veste-se a natureza de sombrias cores

Pois também ela está triste e chorosa.

E eu vou nesta romagem atormentada

Que já morreram todos os meus amores

Hoje carrego a saudade e as dores

Sepultadas na minha alma amargurada

Curvada, ante mim própria sou a campa

A minha ilusão de viver era tanta

Que um dia a própria vida a matou.

Agora em cada dia de finados

Levo aos meus sonhos, mortos e chorados

Pétalas de uma flor que já murchou.

 


domingo, 1 de novembro de 2020

LÍRIA PORTO


   Foto "O casarão" aguarela da minha autoria



andarilha

minha casa é onde durmo
um colchão um travesseiro
fecho os olhos nem pergunto
se o chão é estrangeiro




rebanho

há almas
que marcam nosso corpo
com ferro e fogo

há corpos
que fincam em nossa alma
a eternidade




adiamentos


a lua esperava o sol
redonda um talismã
quando ela se despiu
ficou de manhã

o sol lambia a lua
o meio o lado as beiras
lamberia a face oculta
a nuvem veio

só amanhã


- Líria Porto, em "revista mallarmargens", poemas, vol. 3, nº 9, 9 de janeiro de 2015.

Biografia AQUI