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quarta-feira, 15 de abril de 2020

MARIA TERESA HORTA

                                                           foto da Internet


Desperta-me de noite

Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito

É rede a tua língua
Em sua teia
É vicio as palavras
Com que falas

A trégua
A entrega
O disfarce

E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo

E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta


Biografia
Escritora portuguesa, natural de Lisboa. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, enveredando depois pela carreira jornalística. Dirigiu o ABC Cine-Clube e fez parte do grupo Poesia 61. Colaborou em jornais e revistas (Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Jornal de Letras e Artes, Hidra 1, entre outros) e foi chefe de redacção da revista Mulheres. Feminista, publicou, com Maria Velho da Costa e Isabel Barreno, as Novas Cartas Portuguesas (1971), cujo conteúdo levou as autoras a tribunal. A sua obra encontra-se marcada por uma forte tendência de experimentação e exploração das potencialidades da linguagem, numa escrita impetuosa e frequentemente sensual. Estreou-se com a obra poética Espelho Inicial (1960), a que se seguiram, Tatuagem (1961), Cidadelas Submersas (1961), Verão Coincidente (1962), Amor Habitado (1963), Candelabro (1964), Jardim de Inverno (1966), Cronista Não é Recado (1967), Minha Senhora de Mim (1971), Poesia Completa (1983, dois volumes), e as obras de ficção Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970), Ana (1975), A Educação Sentimental (1975), Os Anjos (1983), Ema (1984), O Transfer (1984), Rosa Sangrenta (1987), Antologia Política (1994), A Paixão Segundo Constança H. (1994) e O Destino (1997). Em 1999, lançou a obra A Mãe na Literatura Portuguesa, constituída por uma longa introdução da autora, depoimentos de várias individualidades, uma antologia de poesia e prosa de escritores portugueses e no fim um conjunto de quadras e provérbios, tudo em torno da temática da mãe. Em 2001, publica Minha Senhora de Mim

biografia da Internet

sábado, 11 de abril de 2020

PÁSCOA FELIZ


Possa a humanidade renascer com mais solidariedade no coração depois da tragédia que se abateu sobre ela.
Relembremos o mandamento que Jesus nos deixou:
"Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei"
Feliz Páscoa

quinta-feira, 9 de abril de 2020

CLÁUDIA ROQUETE-PINTO





O DIA INTEIRO
O dia inteiro perseguindo uma idéia:
vagalumes tontos contra a teia
das especulações, e nenhuma
floração, nem ao menos
um botão incipiente
no recorte da janela
empresta foco ao hipotético jardim.
Longe daqui, de mim
(mais para dentro)
desço no poço de silêncio
que em gerúndio vara madrugadas
ora branco (como lábios de espanto)
ora negro (como cego, como
medo atado à garganta)
segura apenas por um fio, frágil e físsil,
ínfimo ao infinito,
mínimo onde o superlativo esbarra
e é tudo de que disponho
até dispensar o sonho de um chão provável
até que meus pés se cravem
no rosto desta última flor.


Biografia     AQUI

sexta-feira, 3 de abril de 2020

HÁ-DE HAVER QUEM VENÇA!


HÁ-DE HAVER QUEM VENÇA!
*

Morrem os velhos, morrem os doentes,
Morrem humildes e até  poderosos...
Que dos que partem nasçam as sementes
Que irão vingar e dar frutos viçosos!
*
Fazem clausura crentes e descrentes,
Cessam abraços, por perniciosos,
Temem as gentes tornar-se os agentes
Desse contágio. Todos, quais leprosos,
*
Tapam os rostos, evitam tocar-se,
Que é grande o medo de contaminar-se;
Enorme o risco e tremenda a sentença!
*
Das negras noites nasce o fel dos dias,
Mas... vida é Vida e, depois das fobias,
Há-de haver risos, há-de haver quem vença!


Maria João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa - já é repetente neste blogue. Para quem não conheça AQUI  podem ver a sua biografia e conhecê-la melhor. E podem visitá-la no seu blogue AQUI .