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sexta-feira, 10 de junho de 2016

ISABEL MENDES - ISAMAR


Biografia: Não consegui uma biografia da autora, mas ela está na net. Tem um blogue AQUI e perfil no google.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

ERMELINDA DUARTE


Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.

Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.

Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".

Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.

Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Cantora compositora, Ermelinda fez grande sucesso com esta canção no pós 25 de Abril.
Depois parece ter preferido o anonimato e ter-se dedicado à dobragem de filmes e séries.

terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO


O Berlinde

Era uma vez uma pomba
Sem um ninho, sem um pombal,
Era branca como a Lua
E os seus olhos de cristal.

Era uma vez uma pomba
Que não sabia chorar:
O seu choro trrru… trrru…
Era um modo de cantar.

Era uma vez uma pomba
Que noite e dia voava:
Fosse noite, fosse dia,
Nunca a pomba descansava.

Era uma vez uma pomba
Que nos céus, longe, voava,
Seu coração um berlinde
Grande segredo guardava.

Era uma pomba tão estranha
Que voava noite e dia:
Quanto mais alto voava
Mais da terra ela se via.

Era uma vez uma pomba
Com penas de seda real:
Era uma pomba do Mundo
Com seus olhos de cristal.

Seu coração um berlinde
De vidros de sete cores,
Que do sol tinha o brilhar,
Um espelhinho de mil flores.

Um dia longe nos céus,
Viu um menino a chorar
Sentadinho sobre um monte,
Numa noite de nevar.

Não era branco nem negro
Assim na neve o menino,
Seu chorar era triste,
Tornava-o mais pequenino.

E a pomba logo o viu
Com seus olhos de cristal:
Logo desceu para o monte
– Era aquele o seu pombal.

Poisou nas mãos do menino
Com seu corpo, seu calor:
Mãos por debaixo da neve,
Ninguém lhes sabia a cor.


Dorme, dorme, meu menino…
Branco ou negro tanto faz:
Meu coração é um berlinde,
Tem o segredo da Paz.

E o menino já ria,
Podia dormir sem medo,
Sonhava com o berlinde,
Coração feito brinquedo.

Há quem diga que uma estrela
Fugiu do céu a correr,
Atravessou todo o mundo
Para o segredo dizer.

Escutaram-na os meninos,
Têm um berlinde na mão:
Seja noite de Natal,
Seja noite de S.João.

Matilde Rosa Araújo

Biografia
Nasceu em Lisboa a 20 de Junho de1921, na quinta dos avós, em Benfica. Em 1945, licencia-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e em 1946 apresenta a tese inovadora por considerar a reportagem como um género literário: "A Reportagem Como Género: Génese do Jornalismo Através do Constante Histórico-Literário". Leccionou durante 42 anos, 36 dos quais no ensino secundário técnico-profissional em diversas localidades do país; 3 anos no Magistério e outros 3 anos no Jardim Escola João de Deus. Em 1956 publica Poemas Infantis e no ano seguinte O Livro da Tila. Vocacionada para as questões pedagógicas, mesmo depois de estar aposentada do ensino continua a manter contacto com as crianças em visitas e colóquios em escolas e bibliotecas.Fez parte dos corpos directivos da Sociedade Portuguesa de Escritores, foi sócia fundadora do comité português para a Unicef. Tem obras traduzidas no Brasil, na Roménia e na Moldávia.


Eis algumas das suas obras:
1943 - A Garrana
1945 - Estrada Sem Nome
1956 - Poemas Infantis nº 3 da Graal
1957 - O Livro da Tila
1962 - O Palhaço Verde
1962 - Praia Nova
1963 - História de Um Rapazinho
1967 - O Cantar da Tila
1971 - O Sol e o Menino dos Pés Frios
1974 - O Reino das Sete Pontas
1975 - Gil Vicente
1977 - A Balada das Vinte Meninas
1977 - As Botas do Meu Pai
1978 - A Velha do Bosque
1978 - Camões Poeta Mancebo e Pobre
1978 - Os Quatro Irmãos
1979 - O Cavaleiro Sem Espada
1980 - A Escola do Rio Verde
1986 - Voz Nua
1988 - Estrada Fascinante
1990 - O Passarinho de Maio
1993 - Rosalinda Foi à Feira
1994 - As Fadas Verdes
1997 - As Cançõezinhas da Tila
2000 - Segredos e Brinquedos
2003 - Sons Para a Guitarra da Boneca

Matilde Rosa Araújo deixou-nos hoje para empreender essa viagem que todos faremos um dia.
E o panorama cultural português ficou bem mais pobre.




domingo, 6 de setembro de 2009

SOROR VIOLANTE DO CÉU





SONETO

Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

soror Violante do Céu


Biografia



Soror Violante do Céu (1602-1693) era uma freira dominicana que na vida secular se chamou Violante Montesino. Professou no Convento de Nossa Senhora do Rosário da Ordem de S. Domingos em 1630. Foi uma das poetizas mais consideradas do seu tempo, sendo conhecida pelos meios culturais da época como Décima Musa e Fénix dos Engenhos Lusitanos. É hoje um dos máximos expoentes da poesia barroca em Portugal. Aos 17 anos celebrizou-se ao compor uma comédia para ser representada durante a visita de Filipe II a Lisboa. Além do volume Rimas publicado em Ruão em 1646 e do Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, publicado em Lisboa em 1733 em dois volumes, tem várias composições poéticas na Fénix Renascida.

Biografia retirada daquihttp://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/violante.htm

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

MARIA JOSÉ AREAL



Não pensem que...


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque os dias me açoitam
E as noites me agitam.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque lá fora o mundo se atropela
E agente anda aturdida.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque em Agosto choveu
E o mar estremeceu.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque os olhos do vento
Se esbugalharam contra os meus.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque o Gaio deixou de cantar
E a seara não deu trigo maduro.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque ser amigo demora
E as palavras deixaram de ser sentidas.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque desacreditaram os poetas
E esqueceram as laranjas da madrugada.


Não pensem que vou desistir da vida,
Só porque uma árvore morreu queimada
E a rosa murchou no umbral da tua casa.


Não pensem que vou desistir da vida.
Não pensem que vou desistir da vida.
Sobra-me o espanto e tanto atrevimento.



Maria José Areal



Biografia
Nasceu em 13 de Fevereiro de 1951, na freguesia de Cristelo-Covo, concelho de Valença, de onde saiu , como emigrante, para os E.U.A. no ano de 1967, regressando dois anos depois, para reiniciar os seus estudos no Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Valença.
No ano de 1975 concluiu o Curso do Magistério Primário, iniciando as suas funções docentes na Telescola de Riba de Mouro-Monção.
Entre o ano de 1978 1 1985, integrou o Projecto “Educação Física e Desporto Escolar” nas escolas do 1º Ciclo dos concelhos de Vila Nova de Cerveira e Valença, considerando um dos momentos altos, em termos de aprendizagem, na sua carreira.
No ano de 1986 matriculasse na Universidade Portucalense, concluindo a Licenciatura em Ciências Históricas, no ano de 1990.
Passa pela Universidade do Minho, onde conclui a parte curricular do mestrado em Demografia Histórica, encontrando-se no ano de 1999 a frequentar o Doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela na Galiza.
Desde a ano de 1995 até 2007 foi Directora do centro de Formação de Professores de caminha e Vila Nova de Cerveira.
Actualmente é docente voluntária na Universidade sénior de Cerveira, nas disciplinas de Expressão Corporal e História da Oralidade: e é também voluntária na biblioteca de Cerveira onde "dirije" um clube de Leitura.
Casada com o Arqº. Jaime Areal e mãe do Luís Carlos, reparte o seu tempo nas coisas da vida. A dança e a poesia são o seu vínculo mais real ao universo da fantasia.

Obras da autora

Pedaços de Mim - Maio 1999
À Deriva - Fevereiro 2004
Sabor a Sal e a Mel – Maio de 2006
Pedaços de Memória - Itinerâncias no tempo e no espaço". Composta por 27 histórias verdadeiras, de 7 autores, (grupo de alunos da História da Oralidade) sobre a sua coordenação.



Biografia cedida por um familiar da autora.

sábado, 15 de agosto de 2009

MARIA JOSÉ FRAQUEZA

Foto da net



HINO DE AMOR

Neste mundo cruel e tão carente
A guerra, a droga, a sida me apavora
Ao ver numa criança,um inocente
O Homem desumano que a explora...

Quero viver num mundo diferente,
Mas que mundo voraz, mundo de agora!
Que a Paz chegasse a todo o continente...
Existe tanta gente que ainda chora!

Eu quero ver um mundo que a sorrir,
Saiba abrir as Portas ao Porvir...
Mais temente a Deus Pai - o Criador!

Amar! Amar... e não ter mais fronteiras
A Bandeira da Paz, nas dianteiras...
Hino à Pátria Amada! Ecos d Amor!

biografia:

Maria José Viegas da Conceição Fraqueza
, natural da Fuseta, nascida em 8 de Maio de 1936, autora inscrita na Sociedade Portuguesa de Autores, tem cerca de 11 obras individuais cujos títulos se descrevem - Histórias da Minha Terra - 1ª e 2ª edições; Alcunhas e Apelidos - Histórias da Minha Gente; Murmúrios do Mar; Vendavais da Alma; Cântico das Ondas; Há Natal Dentro de Mim; Maresias Infinitas; Maré de Trovas; Quando o Mar Canta para Mim; Mar Infinito; Mar de Rosas; Tochas Floridas; Sob as Margens do Gilão e No Tempo da Mana Anica [prosa - conto].
Maria José Fraqueza, é professora aposentada, poetisa, pintora, escritora, calígrafa, radialista e jornalista. Exerceu no ensino secundário até à aposentação 37 anos de serviço dos quais constam inúmeras actividades culturais em paralelo. Como poetisa e prosadora, tem cerca de setecentos prémios a nível nacional e internacional, em jogos florais e concursos literários, em diversas modalidades. Na pintura possui cerca de 40telas a óleo, tendo participado nalgumas exposições colectivas. Como escritora dramaturga, tem diversas obras teatrais já apresentadas em palco, desde Almada a Vila Real de Santo António. Tem participado em diversos jornais e revistas com crónicas, entrevistas e artigos, não só em Portugal como no Brasil. Como radialista há cerca de nove anos que realiza o programa semanal na Rádio Gilão de Tavira - 'A Poesia em Movimento - Onda Poética ' entre outros em que já colaborou e realizou em diversas rádios locais - A Magia das Palavras - Poeta é o Povo - Clube dos Poetas Vivos - Poetas da Minha Terra.
É sub-directora do Jornal Correio Meridional e fundadoura do Jornal Brisas do Sul, a que lhe deu o nome, sendo a sua primeira directora.
É Directora dos Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo da Fuseta com 35 anos de existência, vinte anos dos quais tem dinamizado e realizado. Directora Cultural e Presidente da Assembleia do Sport Lisboa e Fuseta; Directora Cultural do Elos Clube de Faro; Vic- Presidente do Clube de Simpatia de Olhão; Vice-Presidente da Associação de Jornalistas e Escritores do Algarve; Presidente em Portugal da Sociedade de Cultura Latina - Secção Brasil - Mogi das Cruzes - S. Paulo; Membro Académico das Academias Brasileiras de Trovas de Magé - Rio de Janeiro; Membro Académico da Academia de Trovas de Niterói; Membro Académico da Accademia Internazionale 'Il Convívio' em Castiglione di Sicília - Itália.
Tem sido júri de diversos Concursos Nacionais de Poesia e Prosa em Portugal, Brasil e Itália.
É ensaiadora de teatro, cantares e danças populares. Na área da música - prémio compositor [letra] - canção ligeira, tem no seu currículo: três primeiros prémios e um segundo, nos anos de 2002, 2003 e 2004, nomeadamente no Festival da Canção do Sul, entre outros.


Biografia DAQUI

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ISABEL MEYRELLES

imagem do Google


Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?

Isabel Meyrelles

Biografia

Escultora e poetisa portuguesa nascida em 1929, em Matosinhos. Começou cedo o seu interesse pela escultura, aos 16 anos iniciou os estudos no Porto, mas decidiu ir para Lisboa estudar e conhecer os artistas nas tertúlias dos cafés. Assim sendo, conheceu personalidades das artes, como Mário de Cesariny e Cruzeiro Seixas, e assistiu ao surgimento do Grupo Surrealista Português e do Os Surrealistas. Corrente artística à qual ficou sempre, de alguma forma, ligada.Nos tempos difíceis que se viviam em Portugal, Isabel Meyrelles sentiu a necessidade de evasão, de sair do país para viver em liberdade. Foi então que decidiu ir viver para França, o seu país de adopção e com o qual se identifica. Em Paris continuou os estudos, desta vez não só de Escultura, na Ecole National Supérieure des Beaux-Arts, como também de Literatura, na Universidade de Sorbonne. Fez várias exposições em Portugal e em França e traduziu obras de vários autores como, por exemplo, Jorge Amado.As suas obras literárias foram publicadas tanto em português (nos primórdios) como em francês. São elas: Em Voz Baixa (1951), Palavras Nocturnas (1954), O rosto deserto (1966), O Livro do Tigre (1976), O Mensageiro dos Sonhos, publicado somente na antologia Poesia (2004).


fonte: infopédia

terça-feira, 28 de julho de 2009

HELGA MOREIRA





Apago cigarro após cigarro,
a chávena ainda quente do café,
e o corpo todo à escuta.
No sono entrevi o teu olhar e
ao visitar-te, excessivamente te beijei.
Entre temor, entre comas, os lugares
que habito são apenas pontos
de esquecimento e fuga.
Tenho medo, por vezes, de estar em casa,
outras, de sair, não sei o que me persegue
ou persigo, movo-me apenas
por entre odores, escombros, e aflita
com perigos indefiníveis.




Os dias todos assim, 1996,


Biografia


Nasceu na Guarda. Fez estudos de Física e começou a publicar poesia nos anos 80. Depois de uma pausa de 11 anos, volta a publicar com alguma regularidade a partir da segunda metade dos anos 90, propondo uma poesia muito pessoal onde se entrelaçam, com registos do quotidiano, a angústia, a emoção e o desejo.

Obras da autora

1978 Cantos do Silêncio
1980 Fogo Suspenso
1983 Quem não vier do sul
1985 Aromas
1996 Os Dias Todos Assim
2001 Um Fio de Noite
2002 Desrazões
2003 Tumulto
2006 Agora que falamos de morrer



fontes:
Wikipédia
O livro "Cem poemas portugueses"
http://www.arlindo-correia.com/141202.html


PARA OS AMIGOS QUE POR AQUI PASSEM. VOU ESTAR AUSENTE, JÁ QUE O PC VAI HOJE PARA A OFICINA, SEM DATA MARCADA PARA O REGRESSO.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

EUGÉNIA TABOSA

Foto oferecida por uma amiga
Destino


No passeio junto à praia,
do outro lado da estrada
duas mulheres de negro
caminham apressadas,
o vento fá-las dobrar
as saias parecem asas
debatendo-se no ar.
Do outro lado da estrada
no passeio junto ao mar
duas mulheres gemendo
parecem quase voar,
na cabeça lenços pretos
encobrem-lhes o olhar,
as mãos apertam o peito
pra o coração não estalar.
O vento uiva mais alto
trazendo gritos da praia
um espanto para lá do mar,
elas correm, como correm
nem a água as faz parar
procuram cegas os barcos
e nada há que encontrar.
Só então abrem os braços
erguendo o punho ao ar
gritam de revolta e dor,
soltam seu ódio, seu mal,
chamam, choram de amor,
e as lágrimas abrem sulcos
naqueles rostos desfeitos.
Desceu um silêncio à praia
era a morte a passear
por entre gaivotas feridas
todas de negro vestidas
olhos presos no mar.


Eugénia Tabosa

Biografia

Nasceu em Lisboa, e viveu cruzando o Atlântico, entre Lisboa e S. Paulo, até que em 2005 se radicou em S. Paulo .
Mulher de múltiplos talentos, é licenciada em Pintura pela Universidade de Belas Artes de Lisboa.
Professora de Educação Visual por mais de um quarto de século, trabalha também em Cerâmica e Azulejaria, e ainda restauro arqueológico.
A leitura e a escrita são paixões antigas, e AQUI pode encontrar algumas das suas obras em pintura, desenho e cerâmica.

(biografia apresentada na página da escritora AQUI

sexta-feira, 15 de maio de 2009

MARIA ALBERTA MENÉRES

(foto da net)

AS PEDRAS
As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

Maria Alberta Menéres

Biografia


Nasceu em Vila Nova de Gaia em 1930. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico, Preparatório e Secundário (1965-1973).Trabalhou na RTP como directora do Departamento de programas Infantis e Juvenis entre 1975 e 1986. Dedicou-se à poesia e à tradução e tem colaborado com artigos de opinião em vários jornais e revistas.A par da sua actividade poética, desenvolve um importante trabalho pedagógico no âmbito da educação literária infantil, publicando vários livros para infância e juventude incluindo poesia, contos, teatro, novelas e adaptação de clássicos. A sua obra para a infância, que conta no total mais de 70 títulos, é caracterizada pelo humor e pela poesia. Como poeta é habitualmente associada a um conjunto de escritores contemporâneos do polémico surrealismo português. Fez parte da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores, de 1973 a 1975. A partir de 1973, tem dirigido vários Encontros (ao nível das Câmaras Municipais, Escolas Primárias, Preparatórias e Secundárias e Escolas Superiores de Educação, por todo o país) entre alunos, entre professores e alunos simultaneamente – Encontros cujos temas são “O Ensino e a Poesia”, “Criatividade no Ensino” e “Leituras e Escritas”. Desde 1998 é Directora da revista “Super Bebés”. Foi Assessora do Provedor de Justiça, de 1993 a 1998, como criadora e responsável pela linha telefónica grátis “Recados da Criança”.Está representada em várias antologias nacionais e estrangeiras.E, ainda em 2002, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, fez conferências sobre "Leituras e Escritas do Nosso Dia-a-dia", na intenção de uma descoberta e dinamização da Imaginação no nosso quotidiano, em 10 Câmaras Municipais, sob o título de "Re/visão da Matéria", a cerca de 200/300 Professores, em sessões de 4 horas.É cooperadora da SPA desde Outubro de 1983.

Biografia retirada da net.

terça-feira, 21 de abril de 2009

FERNANDA BOTELHO

(foto recebida no orkut. Obrigada Juli)
Amnésia
Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas:
apenas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.

Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).

E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.

E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.

Fernanda Botelho

Biografia
Escritora portuguesa natural do Porto. Após o curso de Filologia Clássica nas Universidades de Coimbra e Lisboa, fixou-se na capital para dirigir o departamento de turismo da Bélgica. Para além da sua colaboração em revistas como Graal, Europa ou Távola Redonda, iniciou-se na poesia com As Coordenadas Líricas (1951). Em 1960 o seu romance A Gata e a Fábula recebeu o prémio Camilo Castelo Branco. A sua obra de ficção caracteriza-se pela análise, ao mesmo tempo sarcástica e delicada, da trama de relações presentes numa realidade assente no antagonismo entre o quotidiano banal e a inquietação existencial. Publicou, além das obras citadas, o volume de novelas O Enigma das Sete Alíneas (1956) e os romances O Ângulo Raso (1957), Calendário Privado (1958), Xerazade e os Outros (1964), Terra sem Música (1969), Lourenço é Nome de Jogral (1971, Prémio Nacional de Novelística), Esta Noite Sonhei com Brueghel (1987, Prémio da Crítica), Festa em Casa de Flores (1990, Prémio Eça de Queirós), Dramaticamente Vestida de Negro (1994) e As Contadoras de Histórias (1998, Prémio de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores)



Faleceu a 11 de Dezembro de 2007

Biografia retirada da net



sábado, 21 de março de 2009

LUÍSA DACOSTA


Se...-
Se eu tivesse um carro
havia de conhecer
toda a terra.
Se eu tivesse um barco
havia de conhecer
todo o mar.
Se eu tivesse um avião
havia de conhecer
todo o céu.
Tens duas pernas
e ainda não conheces
a gente da tua rua.

Luísa Dacosta

Biografia

Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas, curso que começou a frequentar em 1944. No entanto, já na altura se interessava por literatura, tendo assistido a aulas deVitorino Nemésio (que considerou «absolutamente espantosas»), Lindley Cintra e Crabbé Rocha.
Mas as suas «Universidades» foram as mulheres deA Ver-o-Mar, que murcham aos trinta anos, vivem e morrem na resignação de terem filhos e de os perder, na rotina de um trabalho escravo, sem remuneração, espancadas como animais de carga («Ele não me bate muito, só o preciso») e que, mesmo afeitas, num treino de gerações, às vezes não aguentam e se suicidam («oh! Senhora das Neves! E tu permites!») depois de um parto, quando o mundo recomeça num vagido de criança! Às mulheres de A-Ver-O-Mar «deve» a língua ao rés do coloquial.
Foi professora do antigo Ciclo Preparatório (actualmente Segundo Ciclo do Ensino Básico) nas escolas Ramalho Ortigão(1968–1976) e Francisco Torrinha (1976–1997). Participou, a partir de 1972, na experiência de Veiga Simão para o lançamento dos 7º e 8º anos de escolaridade. Não se limitou a influenciar os alunos. Os alunos também a influenciaram, como o prova o facto de ter incorporado nas suas obras neologismos da autoria deles, tal como «renovescer» no lugar «renovar».
Em 1975, cumpriu um mandato no Conselho de Imprensa, em representação da opinião pública, vindo a cumprir um segundo mandato em 1981. Ainda em 1975, esteve em Timorpor requisição do governo daquela (então) província ultramarina, para prestar serviço na comissão eventual encarregada de fazer a remodelação dos programas de ensino.

Biografia da WiKipédia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

INÊS LOURENÇO

Foto da net



Rua de Camões

A minha infância
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha mãe

Ao fogão a carvão
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustentáculo da mansarda
obstáculo da perspectiva.

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas tão incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e a sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam lá em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imutável expressão

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

Não olhes para os rapazes
que é feio.



Inês Lourenço


Biografia

Inês Lourenço nasceu no Porto em 1942. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Trabalhou nos CTT e no Ensino Secundário.
Publicou os seguintes livros de poesia: Cicatriz 100%, Editora das Mulheres, Lisboa, 1980,.(prefácio de Maria Isabel Barreno); Retinografias, idem, Lisboa, 1986; Os Solistas, Limiar, Porto, 1994; Teoria da Imunidade, Felício & Cabral, Porto, 1996; Um Quarto com Cidades ao Fundo – poesia reunida (1980-2000) incluindo mais vinte inéditos, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2000. A Enganosa Respiração da Manhã, Asa Editores, Porto, 2002.
Principais colaborações em Antologias: Antologia de Poesia Contemporânea, O Poeta e a Cidade, organizada por Eugénio de Andrade, Campo das Letras, Porto, 1996, 3ª edição, Asa Ed., Porto, 2001; Aproximações a Eugénio de Andrade, Asa Ed., Porto, 2000, 2ª edição, 2001; Vozes e Olhares no Feminino, Ed. Afrontamento, Porto, 2000; Das Tripas ao Coração, Antologia trilingue (português, francês e inglês), Campo das Letras, Porto, 2001; Homenagem a Júlio / Saúl Dias, Quasi Ed., V. N. Famalicão, 2001; Ao Porto, Colectânea de Poesia sobre o Porto, Publicações D. Quixote, Lisboa, 2001; O Futuro em Anos-Luz – 100 anos – 100 poetas – 100 poemas, Quasi Ed., V. N. Famalicão, 2001; Assinar a Pele – Antologia de poesia contemporânea sobre gatos, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001; EnCantada Coimbra – Antologia de poesia sobre Coimbra, D. Quixote, Lisboa, 2003.
Colaborou com poesia em diversas publicações portuguesas, como: JL-Jornal De Letras, Artes e Ideias, Cadernos de Serrúbia, Colóquio-Letras, etc. e também em revistas de poesia de Espanha, Itália e França (Página – cien años de poesia portuguesa, Tenerife, – Ánfora Nova-Mujer y Poesía, Córdoba, – Hablar/Falar de Poesia, Badajoz, – Bolletario 4, Modena, – Europe, Paris, 2000, etc.) com poemas que foram traduzidos nas respectivas línguas.
Coordenou e editou desde 1987, os Cadernos de Poesia – Hífen, com 13 números editados, na sua maioria, temáticos, publicação de carácter inter-geracional, em que têm participado, com colaborações inéditas, grande parte dos poetas portugueses actuais, bem como poetas de outras línguas.
Participou em diversos eventos dedicados à Poesia, entre os quais destaca: Bibliothéque Faidherbe, Paris, 2000; Encontros com Poetas, Fundação Eugénio de Andrade, 2000; Vozes e Olhares no Feminino, Porto 2001, Biblioteca Almeida Garrett, com Teolinda Gersão e Isabel Allegro de Magalhães, 2001; 4º Encontro Internacional de Poetas, Coimbra, Biblioteca Joanina, 2001.





Biografia daqui http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/ineslourenco.htm

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ANA LUÍSA AMARAL






Um céu e nada mais

Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
ímplodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais -que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.


Ana Luísa Amaral

Biografia

Nasceu em 1956, onde nasceram 90% dos lisboetas (na Maternidade Alfredo da Costa). Aos nove anos, mudou-se, por vontade alheia, de Sintra para terras do Norte (Leça da Palmeira), tendo sofrido na pele a estupidez da divisão Norte/Sul. Como era muito magrinha, estava em minoria e tinha acentuada pronúncia da capital, foi várias vezes atirada ao ar por colegas mais velhas da escola. Felizmente sempre apanhada a tempo, acabou por ficar amiga de algumas. Leituras que mais a marcaram: o Zorro (de que foi assinante desde os seis anos e de que possui ainda hoje todos os números); Oito Primos; a colecção completa de Os Cinco (nunca gostou de Os Sete); Ivanhoe; David Crockett; Os Contos de Alhambra. Como não havia as antologias que há hoje de poesia pensada para um público infantil, nem os seus pais tinham livros de poemas em casa (esses que os poetas costumam dizer terem lido omnivoramente na infância), as suas influências literárias principais vieram-lhe das várias Selectas Literárias do liceu. Poema decorado aos seis anos e recitado na escola de Sintra: "O Passeio de Santo António". Andou, dos dez aos dezasseis anos, num colégio de freiras espanholas muito pouco canónico (aí, aprendeu a gostar de churros e a fazer rissóis de atum com tomate). Frequentou a Faculdade de Letras do Porto, tendo-se licenciado em Germânicas.


Deve ter gostado tanto da Faculdade que por lá se deixou ficar, como professora, até ao presente momento. Por necessidade de carreira, tinha que fazer doutoramento. E fez; sobre Emily Dickinson, cujos poemas a fascinam tanto como a fascinara o Zorro. Pelo caminho, foi publicando livros de poemas. Vive ainda em Leça da Palmeira, tem uma filha de doze anos chamada Rita, uma gata chamada Muffin e uma cadela chamada Lili (Marlene).
Biografia e foto da net

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

LÍDIA JORGE



Fado do retorno
Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada


Voltaste, já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E páras no tapete


Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa


Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada


Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças


Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça.


Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada


Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro


Já fuma o nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta


Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A árvore do Outono
Coberta de cereja.

Lídia Jorge


BIOGRAFIA

Data de Nascimento: 1946-->Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, Algarve, em 1946. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo sido professora do Ensino Secundário. Foi nessa condição que passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da Guerra Colonial. A publicação do seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios (1980) constituiu um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da Literatura Portuguesa. Seguiram-se os romances O Cais das Merendas (1982) e Notícia da Cidade Silvestre (1984), ambos distinguidos com o Prémio Literário Cidade de Lisboa. Mas foi com A Costa dos Murmúrios (1988), livro que reflecte a experiência colonial passada em África, que a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das Letras portuguesas. Entre outros romances, conta-se O Vale da Paixão (1998) galardoado com o Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio de Ficção do P.E.N. Clube, e em 2000, o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, Escritor Europeu do Ano. Passados quatro anos, Lídia Jorge publicou O Vento Assobiando nas Gruas (2002), romance que mereceu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Correntes d’Escritas.


A autora publicou ainda duas antologias de contos, Marido e Outros Contos (1997) e O Belo Adormecido (2003), para além das publicações separadas de A Instrumentalina (1992) e O Conto do Nadador (1992). A peça de teatro A Maçon foi levada à cena no Teatro Nacional Dona Maria II, em 1997. O romance A Costa dos Murmúrios foi recentemente adaptado ao Cinema por Margarida Cardoso. Os romances de Lídia Jorge encontram-se traduzidos em diversas línguas. Em 2006, a autora foi distinguida na Alemanha, com a primeira edição do Albatroz, Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass, atribuído pelo conjunto da sua obra. Combateremos a Sombra, apresentado no dia 22 de Março, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, é o seu mais recente romance, e o Grande Prémio SPA-Millennium a sua mais recente distinção.
Em Portugal todos os seus livros têm a chancela das Publicações Dom Quixote

terça-feira, 21 de outubro de 2008

AGUSTINA BESSA-LUÍS

foto da net

Garras dos sentidos

Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos

Agustina Bessa-Luis

Biografia
Agustina Bessa-Luís (Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa) nasceu emVila Meã na freguesia de Real concelho de Amarante (região do Douro) descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho, pelo lado paterno (o seu pai foi emigrante, tendo enriquecido no Brasil), e de uma família espanhola de Zamora, por parte da avó materna (Lourença Agostinha Jurado).

Desde muito nova interessou-se por livros, começando por ler alguns da biblioteca do avô materno - Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destas primeiras leituras que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses, os quais lhe despertaram a arte narrativa. Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, mudando-se para Coimbra em 1945, e, a partir de 1950, fixa definitivamente a sua residência no Porto.

A escritora surge no panorama literário português numa altura em que a oposição entre o neo-realismo e o modernismo do movimento da «Presença» atinge o auge. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, mas foi o romance A Sibila, publicado em 1954, que constituiu um enorme sucesso e lhe trouxe imediato reconhecimento geral. E é com A Sibila que Bessa Luís atinge a total maturidade do seu originalíssimo processo criador. É conhecido o seu interesse pela vida e obra de Camilo Castelo Branco, cuja herança se faz sentir quer a nível temático (inúmeras obras de Agustina se relacionam com a sociedade de Entre Douro e Minho), quer a nível da técnica narrativa.

Além da actividade literária, a escritora envolveu-se em diversos projectos. Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962). Colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É ainda membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras), tendo já sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres, atribuído pelo governo francês (1989).

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem é amiga e com quem tem trabalhado e colaborado de perto. Exemplos desta parceria são Fanny Owen (Francisca), Vale Abraão, As Terras do Risco (O Convento), ou A mãe de um rio (Inquietude). É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance “As Fúrias” sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

A sua criação é extremamente fértil e variada. A autora escreveu até o momento mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. Foi traduzida para Alemão, Castelhano, Dinamarquês, Francês, Grego, Italiano e Romeno. O seu livro-emblema, A Sibila, já atingiu a 25a edição.

Em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões. Na acta do júri da 16ª edição do Prémio, pode ler-se que “o júri tomou em consideração que a obra de Agustina Bessa-Luís traduz a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora, assim contribuindo para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.




Da net

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ANA MAFALDA LEITE

foto da net


Papoilas

estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas

o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro

aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me

qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos

coisa estranha

opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro

para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras

Ana Mafalda Leite


Ana Mafalda Leite

Ana Mafalda Leite nasceu em Portugal e apenas com alguns meses foi para Moçambique (Tete-Moatize), onde viveu até aos dezoito anos, tendo feito parte dos estudos universitários em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane.
Literariamente vincula-se ao país onde cresceu, com o qual mantém uma relação de pertença afectiva, bem como apaixonada intervenção criativa e crítica.
É professora na Universidade de Lisboa e especializou-se em Literaturas Africanas, desenvolvendo actividade de pesquisa e de docência em várias universidades de língua portuguesa e estrangeiras. Autora de livros de ensaio, entre os quais A Poética de José Craveirinha (1990), Oralidades & Escritas nas Literaturas Africanas (1998) e Literaturas Africanas e Formulações Pós-Coloniais (2003).
Como poeta publicou Em Sombra Acesa (1984), Canções de Alba (1989), Mariscando Luas (em colaboração com o pintor Roberto Chichorro e com o poeta Luís Carlos Patraquim, 1992), Rosas da China (1999) e Passaporte do Coração (2002).

(da net)
AMIGOS ; VOU ESTAR AUSENTE DURANTE ALGUM TEMPO; POR MOTIVOS DE SAÚDE.
A QUEM INTERESSAR AMANHÃ À NOITE; SERÃO DADAS NOTÍCIAS SOBRE A CIRURGIA
NO SEXTA-FEIRA.
UM ABRAÇO A TODOS E OBRIGADA PELO VOSSO CARINHO.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

FERNANDA DE CASTRO



Fim de Outono


Fim de outono... Folhas mortas...
Sol doente... Nostalgia...


Tudo seco pelas hortas,
Grandes lágrimas no chão
Nem uma flor pelos montes,
Tudo numa quietação
Soluça numa oração
O triste cantar das fontes.


Fim de outono... Folhas mortas...
Sol doente... Nostalgia...


A terra fechou as portas
Aos beijos do sol ardente,
E agora está na agonia...
Valha à terra agonizante
A Santa Virgem Maria!


Fim de Outono... Folhas mortas...
Sol doente... Nostalgia

Boigrafia


Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro (Lisboa, 8 de Dezembro de 1900 – 19 de Dezembro de 1994), foi uma escritora portuguesa.

Fernanda de Castro, filha de João Filipe das Dores de Quadros (oficial da marinha) e de Ana Laura Codina Telles de Castro da Silva, fez os seus estudos em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa, tendo casado em 1922 com António Joaquim Tavares Ferro. Deste casamento nasceu António Gabriel de Quadros Ferro que se distinguiu como filósofo e ensaísta e Fernando Manuel Teles de Castro e Quadros Tavares Ferro. A sua neta, Rita Ferro também se distinguiu como escritora.

Foi juntamente com o marido e outros, fundadora da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, actualmente designada por Sociedade Portuguesa de Autores.

O escritor David Mourão-Ferreira, durante as comemorações dos cinquenta anos de actividade literária de Fernanda de Castro disse: “Ela foi a primeira, neste país de musas sorumbáticas e de poetas tristes, a demonstrar que o riso e a alegria também são formas de inspiração, que uma gargalhada pode estalar no tecido de um poema, que o Sol ao meio-dia, olhado de frente, não é um motivo menos nobre do que a Lua à meia-noite”.

Parte da vida de Fernanda de Castro, foi dedicada à infância, tendo sido a fundadora da Associação Nacional de Parques Infantis, associação na qual teve o cargo de presidente.

Como escritora, dedicou-se à tradução de peças de teatro, a escrever poesia, romances, ficção e teatro.


[editar] Prémios
Prémio do Teatro Nacional D.Maria II – (1920) com a peça “Náufragos”.
Prémio Ricardo Malheiros – (1945) com o romance “Maria da Lua”, foi a primeira mulher a obter este prémio da Academia das ciências.
Prémio Nacional de Poesia – (1969))

[editar] Obras
A Wikipédia possui o
Portal de biografias
{{{Portal2}}}
{{{Portal3}}}
{{{Portal4}}}
{{{Portal5}}}
Náufragos (1920) (teatro)
Maria da Lua (1945) (romance)
Antemanhã (1919) (poesia)
Náufragos e Fim da Memória (poesia)
O Veneno do Sol e Sorte (1928) (ficção)
As aventuras de Mariazinha (literatura infantil)
Mariazinha em África (1926) (literatura infantil) (fruto da passagem da escritora pela Guiné Portuguesa
A Princesa dos Sete Castelos (1935) (literatura infantil)
As Novas Aventuras de Mariazinha (1935) (literatura infantil)
Asa no Espaço (1955) (poesia)
Poesia I e II (1969) (poesia)
Urgente (1989) (poesia)
Fontebela (1973)
Ao Fim da Memória “(Memórias 1906 – 1939)" (1986)
Pedra no Lago (teatro)
Exílio (1952)
África Raiz (1966).
Tudo É Príncípio
Os Cães não Mordem
Jardim (1928)
A Pedra no Lago (1943)
Asa no Espaço (poesia)
Cartas a um Poeta (tradução de Rainer Maria Rilke)
O Diário (tradução de Katherine Mansfield)
Verdade Para Cada Um (tradução de Piradello)
O Novo Inquilino (tradução de Ionesco)


Biografia retirada da net

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

SÃO BANZA

GUERREIROS

Somos guerreiros
Vindos de outras eras
Mas nem por dentro
De todos os tempos
Vencemos
As nossas guerrras.


São Banza

Residente no Lavradio, Maria da Conceição Banza, a São Banza que muitos conhecem da Blogosfera, é uma poet(is)a com uma vasta obra, embora apenas um livro publicado.
Ligada ao ensino, São Banza, participou na revista "O Professor" da Editorial Caminho.
Participou em alguns livros de poesia com outros poetas, nomeadamente o Fingidor 1 Colecção Salamandra, e Fingidor 2 , também da mesma colecção. Participou de várias outras poblicações, nomeadamente jornais e revistas. A 8 de Dezembro de 2004 saíu o seu único livro individual de poesia "Em Ouro Crú" que abre com o poema acima publicado.
Resultou essa poblicação de uma homenagem de que foi objecto por parte da S.F.A.L., da Junta de Freguesia do Lavradio e da Câmara Municipal do Barreiro.
É prefácionado por João Carlos Pereira, e ilustrado por Kátia K., Zilda D. e Manuel Antunes.


São Banza utiliza também o pseudónimo de Ariel Alány.

Ainda de "Em Ouro Crú" este poema

LEGADO

Tenho gelo a crescer
Por dentro das veias
E pesado manto
Sobre os ombros:
Não desconheço
Que a minha barca
Começa a sulcar
Os atalhos
Da mais longa viagem.

Sem ignorar os sinais
Lego como herança
A certa certeza
De que só o amor
Liberta e dá voz
À divindade
Dentro de nós!

São Banza é hoje aniversariante. Para ela os meus sinceros parabéns. E o desejo de que consiga em breve, a publicação de novo livro, e também a reedição do "Em Ouro Crú" há muito esgotado.

ROSAS PARA SI. PARABÉNS. UM DIA MUITO FELIZ.

http://saobanza.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

MARIA MAMEDE


A MINHA CIDADE


A minha cidade não se chama Lisboa,
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo,
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
Na minha cidade os Poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
Na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando nectar e almas...
Da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente,
depois de vencido o nevoeiro...
Na minha cidade também há pregões,
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas,
como roupa a secar nos arames...
A minha cidade tem também tardes languescentes,
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viuvas e solteironas
passeando de eléctrico...
É bem verdade que na minha cidade
a luz, não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro-rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...

Maria Mamede



MARIA MAMEDE - pseudónimo literário de Maria do Céu Silva Fernandes
Nasceu em 1947, na aldeia (hoje cidade) de S.Mamede de Infesta
Vive na Maia.


Livros Editados

POESIA

Desencontro - 1977
Uma Mão Cheia de Nada - 1978
Palavras Gastas - 1994
Retratos - 2000
Pelas Letras do Alfabeto - 2001
Banalidades - 2003
Poemas Maiatos - 2004
Lume - 2006


CONTOS

Memórias da Minha Gente - 2004



COLECTÂNEAS

Além do Arco Íris - 1989
Noites de Poesia em Vermoim - 2005
O Porto em Poesia - 2005
DezSete - 2007
Antologia de Natal - 2007

Biografia cedida pela própria autora, que poderão visitar e conhecer melhor no seu blog http://noceuenaterra.blogspot.com/