Bloquear botão direito do mouse: Bloquear seleção de texto: Bloquear tecla Ctrl+C/Ctrl+V: Bloquear arrastar e soltar:

Seguidores

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

LOUISE GLUCK - NOBEL DA LITERATURA 2020

 

O lírio prateado


As noites ficaram frias de novo, como as noites

de começo de primavera, e quietas de novo. Será

que a conversa te incomoda? Estamos

sozinhos agora; não temos razão para silêncio.

 

Vês, sobre o jardim — a lua cheia nasce.

Não verei a próxima lua cheia.

 

Na primavera, quando a lua nascia, significava

que o tempo era infinito. Anêmonas

abriam e fechavam, as sementes

em cachos caíam dos bordos em pálidas lufadas.

Branco sobre branco, a lua nascia sobre o vidoeiro.

E no arco em que a árvore se divide,

folhas dos primeiros narcisos, ao luar

prata-verde-claras.

 

Juntos, chegamos perto demais do fim para agora

temermos o fim. Nessas noites, não estou nem mesmo certa

de que sei o que significa o fim. E tu, que estiveste

com um homem —

depois dos primeiros gritos,

não faz a alegria, como o medo, barulho algum?

(Tradução de Maria Lúcia Milléo Martins)





Biografia  AQUI

11 comentários:

lua singular disse...

Oi Elvira,
Que texto maravilhoso, cheio de amor e natureza.
Beijos no coração
Lua Singular

Luiz Gomes disse...

Boa noite Elvira. Lírio e poesia. Combinação perfeita e maravilhosa.

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e outros textos literários. disse...

Sempre existe poesia
No teu espaço Elvira!
Sente-se o planger da lira
Como por certa magia
Que comove e irradia
Certa energia amorosa
De ação misteriosa
Anímica da alma tua,
Elvira! Tu és como a lua
Brilhas discreta e ciosa!

Abraço cordial! Laerte.

Majo Dutra disse...

~~
Poesia diáfana e purissima!

Da que eu gosto...
Grata pelos ótimos momentos de leitura.
Abraço
~~~~

Marta Vinhais disse...

E o tempo é ou não infinito?
Um poema que levanta muitas questões...
Não conheço o trabalho da poetisa e estou muito curiosa em saber mais.
Em relação à questão, sim, a Margarida é uma personagem nova, falo dela quando descrevi a briga que houve entre o Gustavo e o ex-namorado da Júlia.
Talvez seja a namorada ideal para o Gustavo, já que parece ser uma pessoa determinada.
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Cidália Ferreira disse...

Fantástico, obrigada pela partilha! :))
-
Inocência confinada...
-
Beijos e um excelente dia!

Os olhares da Gracinha! disse...

Também gosto!!!
Boa noite🙏

MARILENE disse...

Apesar de ter recebido o Nobel da Literatura, além de outros grandes prêmios, eu não a conhecia. Li a biografia que você indicou e fiquei encantada com o poema que escolheu para a postagem. Bjs.

Juvenal Nunes disse...

O texto revela um eu-lírico que se conforma com a inevitabilidade do fim, ante a mutação constante da natureza, que sempre se renova e regressa em força.
Abraço poético.

Toninho disse...

Uma linda leitura, que nos leva ao criar das imagens numa conversa de encantamento diante das belezas e delicadezas desta natureza.
Poesia é vida e no silêncio profundo o mergulho no eu. Show de escolha.
Grato.
Bjs no coração.

ROSELINE DAVIDSON disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.