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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

LOUISE GLUCK - NOBEL DA LITERATURA 2020

 

O lírio prateado


As noites ficaram frias de novo, como as noites

de começo de primavera, e quietas de novo. Será

que a conversa te incomoda? Estamos

sozinhos agora; não temos razão para silêncio.

 

Vês, sobre o jardim — a lua cheia nasce.

Não verei a próxima lua cheia.

 

Na primavera, quando a lua nascia, significava

que o tempo era infinito. Anêmonas

abriam e fechavam, as sementes

em cachos caíam dos bordos em pálidas lufadas.

Branco sobre branco, a lua nascia sobre o vidoeiro.

E no arco em que a árvore se divide,

folhas dos primeiros narcisos, ao luar

prata-verde-claras.

 

Juntos, chegamos perto demais do fim para agora

temermos o fim. Nessas noites, não estou nem mesmo certa

de que sei o que significa o fim. E tu, que estiveste

com um homem —

depois dos primeiros gritos,

não faz a alegria, como o medo, barulho algum?

(Tradução de Maria Lúcia Milléo Martins)





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