terça-feira, 16 de junho de 2020
CLÁUDIA R. SAMPAIO
Tragam-me um homem que me levante
com os olhos
que em mim deposite o fim da tragédia
com a graça de um balão acabado de encher
tragam-me um homem que venha em baldes,
solto e líquido para se misturar em mim
com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se
leve, leve, um principiante de pássaro
tragam-me um homem que me ame em círculos
que me ame em medos, que me ame em risos
que me ame em autocarros de roda no precipício
e me devolva as olheiras em gratidão de
estarmos vivos
um homem homem, um homem criança
um homem mulher
um homem florido de noites nos cabelos
um homem aquático em lume e inteiro
um homem casa, um homem inverno
um homem com boca de crepúsculo inclinado
de coração prefácio à espera de ser escrito
tragam-me um homem que me queira em mim
que eu erga em hemisférios e espalhe e cante
um homem mundo onde me possa perder
e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos
atirando-me à ilusão de sermos duas
novíssimas nuvens em pé.
Cláudia R. Sampaio, Ver no Escuro
Biografia AQUI
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4 comentários:
Adorei este poema! :)
-
Escrevo ao anoitecer, quando me visitas
Beijos e uma excelente noite! :)
Bravo, Cláudia! Bravo.
Elvira, um beijo.
Olá Elvira
Não conhecia esta autora, obrigada por nos dar a conhecer estas belezas!
Espero que esteja tudo bem por aí.
Beijinhos
Hola Elvira, muy buenos días por Galicia soleados por fin, ya era hora.
Bonito poema que no pide poco, pero está bien por pedir que no sea.
yo también quiero un hombre así... aunque ya pasó en tren por mi puerta y no me apetece coger otro.
Me alegra saber de ti, te dejo un beso y bendiciones, mi gratitud y estima.
Se muy, muy feliz.
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