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sábado, 29 de junho de 2019
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
AUSÊNCIA
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
PUDESSE EU
Pudesse eu não ter laços
nem limites
Ó vida de mil faces
transbordantes
Para poder responder
aos teus convites
Suspensos na surpresa
dos instantes!
APESAR DAS RUÍNAS
Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - LIBERDADE
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Vamos continuar com Sophia de Mello Breyner Andresen até 2 de Julho data do Aniversário da sua morte.
quarta-feira, 12 de junho de 2019
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - AS ROSAS
Continuamos com Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen
As rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Obra Poética", Ed Caminho, Lisboa, 2010
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