AS AVES NÃO SE SUICIDAM
Em outro mundo possível
a Morte das aves sobrevém com aparência de gato.
Ao fio de um ramo.
A inanição, um deserto para sonhar insetos, larvas e sementes.
Colidir com a miragem de uma janela indiferente.
Perturbada por nevascas,
desordem de asas desfeitas à mercê da anunciação do inverno.
Cansadas de tempo
escondidas no interior de um tronco
até que sejam encontradas
por multidões de formigas e besouros.
Não importa qual o destino
a sua Morte
uma figura agraciada com suavidade de outono
espera para acompanhar
a sombra cristalina de seus corpos
até uma leve infinitude
Assim canta um pássaro para sua Linhagem
seguro da cidade adormecida
enquanto lhe escuto claro e distinto
apoiada em sigilo atrás da janela do quarto
Ouvir o augúrio de morte dos pássaros
o sentido trinado de sua entidade secreta
de seu canto existencial
Emudeço
Sem o desejo de haver falado
(qual aparência terá minha morte?)
Indago-me
sem Linhagem
sem possuir um canto
exatamente antes da madrugada.
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