PRESÉPIOS
De presépios gosto
desde menina.
De construir por minhas mãos um pequenino mundo
a meu jeito.
A moda do Pai Natal só veio mais tarde
assim como a da Árvore de Natal.
Com ele nunca engracei
postiço das barbas até à barriga.
Quem trazia presentes à minha infância era o Menino Jesus
– cedo percebi que era uma maneira de dizer
como as fadas.
Como podia alguém como eu descer pela chaminé
sem se sujar nem se aleijar?!
Da Árvore de Natal só gosto por ser árvore
e verde.
(Pensar que as há de plástico!)
Hoje tenho presépios pela casa toda
todo o ano!
Que vou comprando por onde ando.
O meu Menino Jesus gosta de ser muitos
e de diferentes sítios como o Pessoa!
No Natal limito-me a atualizá-los com musgo.
E líquenes. E pinhas que trouxe ontem da Fonte do Sol.
Povoo esse mini-mundo também com conchas
que combinam com a cor do barro rosado
do presépio de Viana.
Mas do que mais gosto
é do musgo:
cheira a terra molhada
a verde
a vida.
Sorrio para o Menino (o mesmo em todos os presépios)
e digo-lhe:
Bem hajas por vires todos os anos
festejar com os homens o dia dos teus anos!
Invento para ti mundos simples e pacíficos
para eles se envergonharem das suas ambições
e guerras.
Ámen.
Teresa Rita Lopes
AQUI a biografia da autora



