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sábado, 23 de Agosto de 2014

DORA FERREIRA DA SILVA

Boneca



A boneca de feltro
parece assustada com o próximo milênio.
Quem a aninhará nos braços
com seus olhos de medo e retrós?

O signo da boneca é frágil
mais frágil que o de pássaro.
Confia. Assim passiva
o vento brincará contigo
franzirá teu avental
dirá coisas que entendes
desde a aurora das coisas:
foste um caroço de manga
uma forma de nuvem
ou um galho com braços
de ameixeira no quintal.

Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim.
Para ser embalada nos braços
da menina que houver.



Biografia DAQUI




Poeta e tradutora de Rilke e de Hölderlin, entre outros. Faleceu na tarde do dia 06/04/2006, aos 87 anos, em São Paulo-SP, onde morava.
 

" Dora tem uma longa trajetória de mais de 50 anos dedicados à poesia. Autora de livros como Andanças, Talhamar, Retratos de Origem, Poemas da Estrangeira e Hídrias. Foi três vezes ganhadora do Prêmio Jabuti. Recebeu também o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2000, por sua obra Poesia Reunida, editado pela Topbooks.

Como tradutora, destacam-se seus trabalhos com autores como Rilke, Saint-John Perse, San Juan de la Cruz, Hörderlin e Jung. Também atuou como editora, fundando a revista Diálogos, juntamente com seu marido, o filósofo Vicente Ferreira da Silva. Depois, criou a revista Cavalo Azul, para difusão da poesia. Atualmente, funcionava em sua casa, um Centro de Estudos de Poesia com o mesmo nome.

Dora conquistou o Prêmio Jabuti 2005, um dos mais prestigiados da literatura brasileira, com o livro Hídrias."

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

MARIA ERMELINDA MORGADA




                                                                 Foto do Google


HÁ DIAS ASSIM


Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em

 concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é 
tanto.
Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que

 nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao 
longe o mar.
Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. 

Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de
quem dorme na rua.
Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho 

nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama.
Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me 

de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio 
sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E 
fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, 
o mar és tu...




Maria Ermelinda Morgado, é o nome da autora, conhecida na blogosfera por Maria Morgado, que acaba de publicar o seu primeiro livro de poesia.  "Mar de Abril" editora Lua de Marfim do qual vos deixo este poema.


Aqui podem encontrar o blogue da autora.

domingo, 20 de Julho de 2014

MAR. MARIA



                                                                          Foto DAQUI


PERMITE-ME...


Hoje, só hoje, permite-me:


abrir livros,
tomar banho nas palavras,
enfeitar-me de joias,
ser cor-de-rosa
cheirar as flores,
andar descalça,
ser mimada,
sonhar noutro tempo,
encontrar-me em local desconhecido,
ser lamechas.


Permite-me hoje, fantasias de diamante
pois o meus coração é carvão.




Mar Maria, é o nome da  Pérola. que publicou há pouco tempo o seu primeiro livro de poesia.
Dele retirei este pequeno poema que muito me agradou.  Para conhecer melhor a autora, clique no livro ou
Aqui, e será direcionado/a para o blogue da autora, onde poderá ler outros poemas , ou pedir o livro.

domingo, 13 de Julho de 2014

YOLANDA MARAZZO


Barcos


"Nha terra é quel piquinino
É São Vicente é que di meu"
Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.
Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.
E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação
Para o mar!
É para o mar!...

E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu...




Biografia daqui

Yolanda Marazzo Lopes da Silva, poeta e escritora de língua portuguesa, nasceu em São Vicente, Cabo Verde,  África, a 16 de Dezembro de 1927.  Ao 15 anos, 1943, partiu para Lisboa, onde completou o estudos no Liceu Rainha Dona Leonor. É diplomada com o curso superior de Francês e o curso superior de Moderna Literatura Francesa, da Alliance Française e com o curso de Ingês do Instituto Britânico. Em 1958, parte para Angola acompanhando o marido e aí permanence no período convulso da guerra colonial, de 58 a 68. Findo esse tempo foi vver para Luanda onde lecciona no ensino particular, trabalhando ao mesmo tempo na Embaixada da Jugoslávia.
Neta de José Lopes, um dos maiores e mais cultos poetas de Cabo Verde, cedo revelou a sua poesia, tendo feito parte do Grupo do Suplemento Cultural, juntamente com Gabriel Mariano, Aguinaldo Fonseca, Ovídio Martins, Carlos Alberto Monteiro Leite e Francisco Lopes da Silva.
Colaborou em Lisboa no Artes e Letras do Diário de Notícias, no República e em periódicos angolanos, como Província de Angola, Jornal de Lobito e Notícias.
Figura nas seguintes Antologias: Modernos Poetas de Cabo Verde; Portugalidade; Mulheres e a Sensbilidade Portuguesa; Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa
Publicou: Cântico de ferro, Lisboa, 1976. Em 2006 a Casa da Moeda, em Portugal, publicou a sua Poesia completa 1954-2004.

Faleceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 2009, vitima de doença prolongada 

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

MANUELA MARGARIDO


                             foto da net


Roça

A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.

A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;

capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.

E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto

há-de realizar.

Biografia

Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido (roça Olímpia, Ilha do Príncipe, 1925 - Lisboa, 10 de Março de 2007) foi uma poetisa são-tomense.

Manuela Margarido cedo abraçou a causa do combate anti-colonialista, que a partir da década de 1950 se afirmou em África, e da independência do arquipélago. Em 1953, levanta a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa.
Denunciou com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.

Estudou ciências religiosas, sociologia, etnologia e cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.

Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé e Príncipe.

Fonte: Wikipédia

domingo, 29 de Junho de 2014

MARIANA BOTELHO


Coisa que me ocorreu de repente



a poesia se derrete nas mãos do poeta
como gato que ele afaga

a poesia queima nas mãos do poeta
como um fogo que ele alimenta

a poesia afoga as mãos do poeta
é um copo do oceano que ele mesmo inventa

o poeta é um mar de si mesmo.




Biografia daqui

Mariana Botelho nasceu em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, interior de Minas Gerais, a 7 de abril de 1983. O silêncio tange o sino, seu primeiro livro, foi publicado pela Ateliê Editorial em 2010. Tem poemas publicados na revista Ciência e Cultura (SBPC), no Suplemento Literário de Minas Gerais e em várias revistas digitais.

sábado, 21 de Junho de 2014

ANA DE SANTANA



NÚPCIAS


Penetro
esse colchão de cristal,
e
um lençol de mar
me envolve
tecendo o meu vestido raro,
                                      espuma e sal.
Interrompo estas núpcias com o coral,
vem-me o mavioso murmurar
das palmeiras pela brisa

será que não aprovam?


Biografia

Poetisa angolana, Ana Paula de Jesus Faria Santana nasceu a 20 de Setembro de 1960, em Luanda (Angola).
Completou o curso de Ciências Económicas na Universidade de Lisboa e, em 1985, ingressou na União de Escritores Angolanos. A poetisa publicou, em 1986, Sabores, Odores e Sonho .


Biografia extraída de: www.infopedia.pt
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