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domingo, 1 de março de 2015

DÉBORA BELLENTANI




QUANDO VIER ME VISITAR...


Traga flores,
Muitas delas…
Porém, não me traga apenas flores:
Não se esqueça de juntar a elas
A beleza do seu sorriso,
A ternura do seu olhar,
A força do seu abraço.
O calor dos seus beijos…
Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas…
Mas não esqueça de tirar-lhes
Os espinhos que machucam,
As folhas envelhecidas,
Os galhos secos,
As dores embutidas…
Quando vier me visitar,
Traga flores,
Muitas delas…
Perfumadas, coloridas, alegres:
Todas parecidas com você!
Quando vier me visitar,
Traga você por inteira…
As flores?
Nem sei se vai precisar!



Débora Bellentani


BIOGRAFIA
Débora Bellentani de Oliveira

Publicitária, jornalista, licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Sorocaba, Pós-Graduada em Propaganda pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo, Pós-Graduada em Administração de Marketing pela UNISO - Universidade de Sorocaba. Vencedora de vários concursos literários, participante em 8 livros de antologia, 3 deles pela Universidade de São Francisco (dois poemas em um deles - ed.1988), artigos e poemas publicados nos jornais Diário de Sorocaba e Cruzeiro do Sul, membro da Academia Sorocabana de Letras (Cadeira 21 - Rodrigues de Abreu).   Publicitária há 21 anos,atualmente é sócia da agência Bonsai Comunicação. Filha de Aldo Bellentani e Lázara Clarinda Bellentani. Nascida em Sorocaba, na Rua Bolívia, ali no Bairro Barcelona! Casada e mãe de três filhos.
Aconselho uma visita ao blogue da autora, aqui

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

ALEXANDRA SANTOS

PASSEIO AS MÃOS PELO TEU CORPO E SINTO-TE...



Passeio as mãos pelo teu corpo e sinto-te…
Sinto o pulsar do teu coração que bate desenfreado
Sinto a tua respiração num ritmo descontrolado…
Sinto que queres ser minha como eu ser teu
Sinto que és a rainha deste plebeu…
Mas sinto essencialmente a tua pele…
Toda ela é a tua essência
Toda ela é a mulher que foste,
A mulher que és, a mulher que amo:
Pele madura, vivida,
Repleta de marcas do tempo,
Perfeita para mim;
Pele suave, sensível,
Propensa a arrepios,
Beijada até ao fim…
Pele… é tua… é minha… é nossa…
Onde a tua termina, a minha começa…
Quando a tua sente frio, a minha te aquece
Quando a tua sente ardor, a minha te arrefece…
Não preciso de mapa para me orientar
Mas na tua pele ainda me posso perder
Em cada cicatriz, em cada recanto,
Em cada sinal, em cada encanto…
Pele com pele, eu sinto o teu aroma…
Pele com pele, o nosso único idioma…



Alexandra Santos, in Palavras Sussurradas, Chiado Editora, 2014


Biografia: Professora de Português e Inglês a autora desde menina que sonhava com o mundo das letras. Influenciada pelos poetas que estudava apaixonou-se pela poesia e começou a escrever. Gostava de vos dizer mais sobre esta poetisa mas sinceramente não encontrei nenhuma biografia. Mas no YouTube encontram alguns vídeos da autora e seus poemas.













quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ALDA LARA






                                                               (Imagem de Sergio Afonso)




PRESENÇA AFRICANA

E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!... Rua 11!...)
pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
Longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente...

Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!

Benguela 1953



ALDA LARA (Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque. Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962). Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova veio para Lisboa onde concluíu o 7º ano dos liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das actividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI). Figura em: Antologia de poesias angolanas,Nova Lisboa, 1958; amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959; Antologia da terra portuguesa - Angola, Lisboa, s/d (196?)1; Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963; Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963; Mákua 3, idem; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969. Livros póstumos: Poemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de chuva (c), Lobito, 1973
Paulo de Carvalho imortalizou o seu poema, "PRELÚDIO"

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SONHANDO O NATAL




Sonhando o Natal




Se eu pudesse…
Por um dia ser o bom velhinho
Mensageiro de Deus repartindo carinho
Com certeza
Exterminaria a pobreza
Caminharia por todas as favelas,
Adentraria às vielas,
Levando alegria,
Secando lágrimas,
Matando a fome que mata,
Transformando míseros barracos
Em lares decentes
Num gesto de amor!
Levaria o sonhado presente
Entregaria a cada criança
Triste, sem esperança,
Rosto pálido,
Sonhos murchos
Como a flor que não vingou
No árido chão
No descaso do próprio torrão.
Construiria escolas decentes
Preencheria o vazio latente
De cada coração!
Estenderia a mão em amizade
Conferindo solidariedade,
Segurança num futuro melhor,
Uma auto-estima maior.
Ofereceria educação
E com uma varinha de condão
Extinguiria a violência,
Transformaria balas perdidas
Em rosas, miosótis, hortênsias…
Dando cor ao negro da dor!

As favelas seriam imensos jardins,

As casas iluminadas,
Cirandas nas calçadas
Amor aproximando os afins…

Em cada uma delas

Substituiria as vazias panelas
Por uma substancial ceia de natal
Pois afinal
Num mundo tão desigual
Todos têm os mesmos direitos…
Merecem o mesmo respeito…
Têm o direito de serem felizes
Sonhando em matizes!

Mas como não sou o bom velhinho

Não sou mágico, nem adivinho…
Peço ao mundo perdão
Por só alcançar com minha pequena mão
Aos que estão próximos a mim.


Carmen Vervloet


AQUI  o blogue da autora


Durante todo este mês vou tentar postar poemas de Natal.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN


 UM DIA


Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.








Sophia de Mello Breyner Andersen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919. Se fosse viva faria hoje 95 anos. Para assinalar a data, a Porto Editora, vai reeditar o livro de poesia "Dual" e o conto "A noite de Natal".  

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CLAU ASSI


                                                                          foto Daqui




SARAU
Num tempo de breu
de braços estendidos
dor intensa
a vida soluçou-me
saudade imensa
ecoou-me.
Rígida e fria
qual tampo de mármore.

Poesia bendita
que em rimas suaves
sonho acordou
corpo e alma juntou.

Repara, vê!
Sob seu laço estreito
eu e você
atados num abraço
formamos o infinito
e recebemos a vida
de braços estendidos
soluçando amor.






AQUI encontra tudo sobre a autora. Biografia, poemas, livros publicados, prémios etc





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ALEXANDRA VIEIRA DE ALMEIDA






Tempo





Crianças gritam abismos,
mas o tempo é medido
nas cordas do vento.
A passagem eterniza-se
nas cores do olhar.
Voam lírios, madressilvas...
E dançam ao sol, ao vento,
à chuva...
O silêncio acalma os tempos,
de sonhos despertos, incompletos,
de folhas de jasmim.
Corações presos somente
pelas linhas do tempo
e pela sombra que tece o ser
que não é.
Elas buscam um céu, nuvens.
Mas o sol derrete estrelas,
que se apagam na memória.
O lapso do tempo é curto,
sem volta.
E elas olham para ele
como para as ondas do mar.



Biografia

Alexandra Vieira de Almeida nasceu no Rio de Janeiro. É agente de leitura, tutora de ensino superior, poeta, contista, cronista, ensaísta. Publicou o livro de crítica literária Literatura, mito e identidade nacional, pela Ômega Editora, em 2008. Tem vários ensaios literários publicados em revistas acadêmicas e livros. Participou da Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas, em 2011. Tem dois livros de poesia publicados pela Editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel” (2011).  Pode encontrar a poetisa  no facebook


Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br
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