Bloquear botão direito do mouse: Bloquear seleção de texto: Bloquear tecla Ctrl+C/Ctrl+V: Bloquear arrastar e soltar:

Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta poesia contemporânea. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia contemporânea. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de fevereiro de 2020

DALILA MOURA

Entre nós e o infinito

Amamo-nos assim
entre as palavras e a melodia.
Entre o espasmo dos dias
e a brancura da noite.
Soltam-se os fios de luar e tecemos
a cama e o fogo.
Incendiamos as horas – num único momento –
E toda a labareda alastra como furacão
com olho no mar.
Um barco. Um cais deserto.
Duas mãos que remam num toque de sal
que escorrega no corpo e no silêncio.
As palavras não fazem falta.
A ausência é o local onde nos encontramos.
O verde propaga-se entre os olhos e os limos.
Tudo é mar! Toda a nudez se veste de espuma.
E carícia.
Amamo-nos assim: entre o mel e o silêncio.
Entre nós e o infinito.


Dalila Moura
Dalila Moura, já  é repetente neste blog. AQUI  podem ler a sua biografia.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

MARIA ROSA COLAÇO - PRENDA DE NATAL




PRENDA DE NATAL



Dou-te um pão

e uma flor,
dou-te um búzio
e um beijinho.

Dou-te uma canção

de amor
e um peixe pequenino.

Outro beijo

e uma estrela,
uma história
de encantar,
e um navio azul
para poderes viajar.

Abre as mãos!

Abre os olhos
e o coração
neste dia
e atravessa
também
nossa ponte de alegria.

Esta praia,

esta margem,
são um lugar
construído,
onde pode ancorar
todo o sonho
prometido.

Os da terra

e os do mar
juntos
na mesma sede,
os reis, os pescadores
puxando
a mesma rede.

Leva o beijo,

leva a estrela,
leva também o sonho
e um sorriso contente.

E pede ao Menino Jesus

que fique entre nós
para sempre.



Maria Rosa Colaço

AQUI a biografia da autora

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

SOLEDADE MARTINHO COSTA





Outros Natais


Onde a magia dos Natais de outrora
O presépio dos olhos da infância
São José, a Virgem, o Menino
Figuras modeladas
Quase gente
A mostrar-se ao espanto
Dos pastores que vinham
Em fila pelo musgo dos caminhos
Para ofertar cordeiros e presentes.

Onde a azáfama do rumor das mãos
Nos alguidares de barro onde a farinha
A abóbora, os ovos, o fermento
Tomavam forma e gosto tão distantes.

Aonde o sono arredio que não vinha
Nessa Noite Sagrada em que os pinheiros
Choram saudades de bosques e de estrelas
Sob a caruma de luzes e de enfeites.

Onde o mistério que seguia os passos
Dos adultos no ranger das tábuas
Em nossos passos furtivos de criança
Na ânsia de encontrar em qualquer canto
De barbas e de saco o Pai Natal.

Quantos Natais assim em que a Família
Se reunia inteira à grande mesa
Da sala de jantar tão velha e gasta
Mas que nessa noite por magia
Transformava em cristal os vidros baços.

Quantos presépios retidos na memória
Quantos aromas ainda a Consoada
Quantos sons a deixar nos meus ouvidos
Os risos, os beijos, os abraços.

Quantas imagens cingidas na penumbra
Desta lembrança que se fez saudade
Dos rostos, dos gestos, das palavras
Na lonjura das vozes e da Casa.

Noite Divina em que torno a ser criança
Ante o meu olhar adulto e me desperto
Na emoção que nos traz os anos:
O meu Natal é hoje mais concreto
Mas muito menos belo e mais deserto.



Soledade Martinho Costa



AQUI a biografia da autora




terça-feira, 17 de setembro de 2019

AILIME






O TEU SORRISO




Gosto do teu sorriso
quando o barco te aporta
ao início da madrugada
na praia incendiada por pássaros
no rebentar das marés.

Pé ante pé persigo a luz
que desponta suave,
quase inocente
nos gestos das águas
que te aspergem o dia.

Um rasto de corais
move-se contra o vento
que sopra a manhã
que te abraça
com faíscas imperceptíveis.

Ailime


BIOGRAFIA

Na blogosfera desde 2007, Ailime é uma mulher simples, simpática e cheia de talento, como o provam os sete blogues que tem. Podem encontrá-la AQUI


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

LAURA LIUZZI


ORQUESTRA
Não há cortina
para esconder os músicos
nem mesmo a música
se esconde nos instrumentos.
Está tudo aos olhos da platéia
porque a sinfonia não se pode ver
senão nos gestos do maestro.
À minha frente, antes do primeiro
comando, pode estar o violoncelista
em terno preto, como muitos ouvintes.
Quando se sentam os músicos
cada um em seu tempo afina
seu instrumento e acerta a folha
da primeira sinfonia: confusa algaravia.
Então vem o regente
sob uma saraivada de palmas
com sua vara de condão.
Os músicos ajeitam a coluna
alisam os traços do rosto
e encaram o maestro
que, com dois olhos apenas
cruza com todos que têm nele a mira
buscando a confirmação
de que pode começar.
Tão logo soerga
a batuta e soe
o primeiro acorde
ouve-se, milagrosamente, o silêncio.

Laura Liuzzi


Biografia AQUI

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

MARIA JOÃO CANTINHO

Os que caminham descalços



Os que caminham descalços
procuram a penumbra,
o fio de água pura
e a rara flor da montanha,
a nascente.

Os que caminham de olhos cerrados
vindos de longe,
marcados pelo relâmpago da loucura,
rasgam as roupas e renegam-se,
ajoelham no pó e descem ao poço,
cobrem-se de terra, em gesto
de melancolia acerada.

Os que caminham de rosto coberto
trazem o rosto em chaga
e no olhar a intacta ferida,
são os que procuram a salvação,
o olho único e a grande ave,
cruzando todos os céus
e os tempos da terra,
em acesa, secreta caligrafia.

Os que caminham e nunca chegam
peregrinos de um clarão sem nome,
sabem que o fruto se fecha em si
e que a vida é isto:

vela branca na escuridão.


  Maria João Cantinho


Biografia e outros poemas AQUI

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

MANUELA MARGARIDO

Depois de Alda Espírito Santo, Olinda Beja, Conceição Lima, continuo na poesia S. Tomense, com Manuela Margarido


                                         S. Tomé e Príncipe






ALTO COMO O SILÊNCIO


A ilha te fala
de rosas bravias
com pétalas
de abandono e medo.


No fundo da sombra
bebendo por conchas
de vermelha espuma
que mundos de gentes
por entre cortinas
espessas de dor.

Oh, a tarde clara
deste fim de Inverno!
Só com horas azuis
no fundo do casulo,
e agora a ilha,
a linha bravia das rosas
e a grande baba negra
e mortal das cobras


Manuela Margarido


Biografia AQUI

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

MARINA COLASANTI






SEXTA-FEIRA À NOITE


Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.

Biografia AQUI



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

ADÍLIA LOPES

Foto daqui


Arte Poética


Escrever um poema 
é como apanhar um peixe 
com as mãos 
nunca pesquei assim um peixe 
mas posso falar assim 
sei que nem tudo o que vem às mãos 
é peixe 
o peixe debate-se 
tenta escapar-se 
escapa-se 
eu persisto 
luto corpo a corpo 
com o peixe 
ou morremos os dois 
ou nos salvamos os dois 
tenho de estar atenta 
tenho medo de não chegar ao fim 
é uma questão de vida ou de morte 
quando chego ao fim 
descubro que precisei de apanhar o peixe 
para me livrar do peixe 
livro-me do peixe com o alívio 
que não sei dizer 

Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'



terça-feira, 18 de setembro de 2018

MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

                                   IMAGEM DE UM DOS BLOGUES DA AUTORA



UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU
*


É lençol de água pura e linho cru,
Este amor que se expande e gratifica,
Que não tem voz, mas te trata por tu
E em ternura te eleva e multiplica,


 Tal qual nasce um menino e, todo nu,
Reduz a nada a extrema dor que implica
O parto, essa memória de baú
Que se relê quando já nada a explica.


 Cobrimo-lo de panos pra que aqueça,
Amparamos-lhe a queda, se tropeça,
Tentamos dar-lhe tudo, nada tendo,


E o mesmo fazemos, sem sabê-lo,
Se a mão nos obedece ao estranho apelo
De um verso que nos nasce e vai crescendo.





BIOGRAFIA DA POETISA, ESCRITA PELO SEU PRÓPRIO PUNHO

O meu nome é Maria João Brito de Sousa.
Nasci em Lisboa, no dia 04 de Novembro do ano de 1952, mas fui registada no Concelho de Oeiras por expressa vontade de meu avô, o poeta António de Sousa que, tendo deixado Coimbra para fixar residência em Algés, passou a nutrir profundo afecto pelo Concelho onde desde sempre residi.
Coube-me em sorte ser neta de um dos "grandes" do Modernismo e poder conviver com alguns dos maiores nomes da poesia do século XX.
Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Natália Correia, David Mourão Ferreira, Virgínia Moura, Manuel Ribeiro de Pavia, Guilherme Filipe e José Régio, entre muitos outros, foram pessoas com quem privei desde os meus primeiros tempos de vida e de quem, se assim se pode dizer, fui "absorvendo" conhecimentos, aguçado espírito crítico e paixão pela criatividade e pela escrita.
Decidida a trabalhar e a casar-me cedo, abandonei os estudos acadêmicos mal terminei o curso complementar dos liceus, no então Liceu Nacional de Oeiras, hoje Escola Secundária Sebastião e Silva, onde frequentei a alínea de Germânicas.
Trabalhei como intérpetre para a Agência Abreu durante cerca de dois anos, acabando por deixar o cargo aquando do nascimento da minha filha mais velha, em 1973.
Desde o ano 2000 e enquanto a saúde mo permitiu, fui membro da Associação de Artistas Plásticos - Paço De Artes, sediada no Alto da Loba, Concelho de Oeiras e, nessa qualidade, participei em inúmeras exposições de pintura de carácter colectivo e de uma individual, na sala Elisiário Carvalho - salão nobre da Associação - sob a temática Auto-Retrato, em 2007.
Dessas muitas exposições, destaco a Colectiva da Fundação Marquês de Pombal, a Colectiva da Escola Náutica Infante D. Henrique em Dezembro de 2000, a Colectiva de Setembro de 2005 na Galeria Verney e, dentre as muitas mostras anuais, a do salão nobre do Clube Recreativo de Paço de Arcos e a Colectiva, na Galeria Viagraça, em Lisboa, por ocasião do lançamento do livro Poemas de Mim, de Ezequiel Francisco, bem como de uma Colectiva em 2004, no Instituto de Estudos Tecnológicos de Cascais.
Foi ainda enquanto membro activo da Paço de Artes que, em Abril de 2006 participei na acção de formação, promovida pela CultDigest,"Gestão das Actividades Associativas - Produção e Organização de Projectos Culturais - 1ª edição", com frequência dos módulos"Gestão de Projectos" e "Contexto Jurídico das Associações".

Em Janeiro de 2000, estreara-me, no âmbito das exposições individuais, em Lisboa, na Voz do Operário, onde, no salão João Hogan, tive expostas vinte e oito telas sob o título Promessas Traídas, tendo ainda participado na Voz D`Arte - Primavera 2000, no hotel Roma, em Lisboa.

Sou também membro da Associação Portuguesa de Poetas, ainda que por motivos de saúde me não tenha sido possível comparecer às reuniões do colectivo desde 2009, e tenho apenas três livros publicados; Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009, Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012 (World Art Friends) e Almas Gémeas, em Março de 2016, uma edição que me foi ofertada pelos poetas e grandes amigos Joaquim Sustelo e Albertino Galvão, sob a chancela da Euedito. Colaborei, ainda, com várias Antologias Poéticas editadas anualmente também por Joaquim Sustelo a cada aniversário do conceituado site de poesia "online" - Horizontes da Poesia.

Vários sonetos meus foram editados, em 2014, na colectânea de poetas lusófonos Enigma(s), sob a chancela da Sinapis Editores - Editorial Minerva - e nas antologias "Tertúlia da Gandaia"I e II, Hórus Editora, 2016, bem como na Antologia da Academia Virtual de Letras, no mesmo ano.

A minha produção literária tem-se espraiado e adquirido a dimensão de vasta obra poética, nestes últimos dez anos de completa e diária entrega ao trabalho de produção, maturação e partilha "online" do poema - clássico e também modernista -, na Web, nos blogs que criei na plataforma Sapo no dealbar do ano de 2008, na Academia Virtual de Letras - Intenção e Gestos, no site Horizontes da Poesia e na página autoral que mais recentemente criei no Facebook, bem como na Colectânea Literária Oline - Fenix, onde me foram gentilmente oferecidas pelos escritores Carmo Vasconcelos e Henrique Lacerda Ramalho duas colectâneas individuais; uma de trabalhos de expressão plástica e poesia e outra contendo apenas sonetos.
Muito recentemente, fui ainda convidada a participar com dezoito sonetos e várias parcerias em glosas - com meu avô António de Sousa, Fernando Pessoa, Antero de Quental, Florbela Espanca e Maria da Encarnação Alexandre -, no blogue O SECULAR SONETO, criado pela poetisa Regina Coeli e inspirado na obra do poeta brasileiro Vasco de Castro Lima, "O Mundo Maravilhoso do Soneto".
Já no ano de 2016, integrei o grupo de quinze munícipes oeirenses que, em conjunto com elementos da Câmara Municipal de Oeiras e da Fundação Aga Khan, foram convidados a participar na delineação do Modelo de Funcionamento do Forum Oeiras Sénior, uma estrutura de apoio direccionada para a população mais idosa, no sentido de garantir a sua participação social no contexto de um envelhecimento mais digno, mais saudável e mais participativo.

Agraciada em Outubro de 2017 com um Título Honorífico no âmbito da Arte Cultura pela Assembleia da Freguesia de União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias.