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quinta-feira, 28 de maio de 2020

ANA MAFALDA LEITE

foto da net


Papoilas

estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas

o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro

aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me

qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos

coisa estranha

opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro

para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras

Ana Mafalda Leite


Biografia

Ana Mafalda Leite nasceu em Portugal e apenas com alguns meses foi para Moçambique (Tete-Moatize), onde viveu até aos dezoito anos, tendo feito parte dos estudos universitários em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane.
Literáriamente vincula-se ao país onde cresceu, com o qual mantém uma relação de pertença afectiva, bem como apaixonada intervenção criativa e crítica.
É professora na Universidade de Lisboa e especializou-se em Literaturas Africanas, desenvolvendo actividade de pesquisa e de docência em várias universidades de língua portuguesa e estrangeiras. Autora de livros de ensaio, entre os quais A Poética de José Craveirinha (1990), Oralidades & Escritas nas Literaturas Africanas (1998) e Literaturas Africanas e Formulações Pós-Coloniais (2003).
Como poeta publicou Em Sombra Acesa (1984), Canções de Alba (1989), Mariscando Luas (em colaboração com o pintor Roberto Chichorro e com o poeta Luís Carlos Patraquim, 1992), Rosas da China (1999) e Passaporte do Coração (2002).


terça-feira, 26 de maio de 2020

MARIA VELHO DA COSTA



Maria Velho da Costa deixou-nos hoje. Uma tremenda perda para a nossa literatura. 
Para a cultura portuguesa. 
Luz e Paz para o seu espírito



Revolução e Mulheres

Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.
Elas gritaram à vizinha que era fascista.
Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.
Elas vieram para a rua de encarnado.
Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.
Elas gritaram muito.
Elas encheram as ruas de cravos.
Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.
Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.
Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.
Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.
Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.
Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.
Elas tiveram medo e foram e não foram.
Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.
Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.
Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.
Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.
Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.
Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.
Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.
Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.
Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.
Elas acendem o lume.
Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.
São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.

Maria Velho da Costa


Biografia AQUI

sexta-feira, 22 de maio de 2020

EM CASA SOZINHA - DIVA CUNHA

Em casa sozinha

Em casa sozinha
para matar meu desejo
leio poesias
não beijo
Me masturbo
e me contorço
leio poesias
não ouço
a voz
onda da pele clara
que aflora
sobre meus ossos
Em casa
entre coqueiros e arcos
ouço o desejo e passo
pelo fim do meu desejo
portas adentro atravesso
prendo sonhos entre paredes
minhas mãos prendem nos versos
os meus desejos inda verdes.


Diva Cunha


Biografia DAQUI





   Nascida em 10 de dezembro de 1947, em Natal, (RN), Diva Cunha está se revelando uma das principais poetas da contemporaneidade. Formou-se em Letras, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e fez a pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, defendendo a dissertação Dom Sebastião: a metáfora de uma espera. Foi professora de Literatura Portuguesa no curso de Letras da UFRN, até aposentar-se, e, atualmente, faz o curso de doutorado na Universidade de Barcelona, e integra os quadros da Universidade Potiguar, onde ensina História da Literatura do Rio Grande do Norte e Cultura Brasileira, temas que se tornaram objeto de inúmeras pesquisas.
Seu primeiro livro — Canto de página — revelou uma poetisa madura, com extrema capacidade de manejo do verso e com uma dicção própria. Os seguintes — Palavra estampada e Coração de lata — reforçam a noção de uma poética que trabalha a emoção e a razão, tentando atingir o equilíbrio possível entre elas. Seus principais temas poderiam ser assim resumidos: a poesia, a cidade, a mulher.



quinta-feira, 14 de maio de 2020

TERESA RITA LOPES


E porque estamos em Maio, mês de Maria, a mãe de todos os que comungam da fé cristã. E hoje até é dia 12, mais um poema dedicado às mães que temos, que somos, e às que virão a ser 




Vão-se Esfumando
Vão-se esfumando como retratos velhos
alguns desses amores
que foram parte de mim
e me deixaram decepada
mutilada
quando um dia partiram
Depois o corpo foi-se custosamente habituando
refazendo a sua unidade
Pouco a pouco foram ficando ausentes
inócuos
estrangeiros
Agora já lhes sorrio de leve
Nem já preciso de lhes perdoar
Só tu
Mãe
desde que te foste
és cada vez mais presente
Mais precisa
Mais preciosa
Teresa Rita Lopes



AQUI a biografia da autora

Hoje  estou AQUI numa gentileza da Teresa do blogue Ontem é só Memória Se puderem passem por lá.

domingo, 10 de maio de 2020

FELIZ DIA DA MÃE

Neste dia, que as amigas do outro lado do oceano festejam o seu dia da mãe, desejo-vos um dia muito feliz, e ofereço-vos este poema de Cora Coralina. 
Mãe

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.



Cora Coralina



Feliz dia para todas as mães que o sabem ser

quarta-feira, 6 de maio de 2020

CÂNDIDA RIBEIRO (CANDUXA)


POEMA


Neste silêncio ensurdecedor, 
um grito sacode o corpo e a alma. 
Acordo! 
Abro a janela. 
O sol acaba de nascer, 
a montanha  ilumina-se,
o rio corre tranquilo, 
os pássaros voam felizes.
O medo abre os olhos incrédulo,
a esperança sorri,
a fé ganha asas. 
Oh, a vida continua!
Esqueço o motivo deste silêncio. 
Contemplo o meu rosto ao espelho, 
descubro que a minha fé é imensa, 
compreendo que é tempo de parar.
O caminho percorrido foi de preparação. 
Relembro os obstáculos que ultrapassei,
tudo o que sofri, o que me fez sorrir 
o que aprendi. 
A alma agita-se e fala em surdina:
é este o momento para te reencontrares,
descobre o que te faz feliz, 
sorri, ama-te e confia. 
Abro a gaveta das recordações, 
contemplo as fotografia da família,
dos amigos. 
Murmuro palavras cheias de sentimento.
Emociono-me! 
Tenho saudades do vosso abraço, 
do som das vossas vozes. 
Que pena não ter ido almoçar convosco 
naquele dia.
Recordo as nossas diferenças, 
as birras divertidas, a cumplicidade. 
Todos sabemos:
é o amor  que nos torna tolerantes 
solidários, amigos e unidos. 
Juntos seremos vencedores! 
É  verdade que depois desta experiência nada vai ser igual. 
É tempo de mudança!
Ainda  há tempo para viver
um tempo diferente. 
O Amor  será a porta, 
a União a janela, 
um novo Mundo vai renascer. 

Canduxa

Maria Cândida Ribeiro é natural de Lamego, mas viveu grande parte da sua vida no Porto.
Há dois anos mudou-se para Espinho.
Já teve quatro blogues, mas atualmente está no FB. De qualquer modo os blogues estão abertos se alguém quiser conhecer melhor a sua poesia. Aqui ficam os endereços:


Blogues









domingo, 3 de maio de 2020

3 DE MÃE - DIA DAS MÃES - MARA CHAN - SER MÃE


Ser Mãe

Deixei a natureza transformar-me
Com todas suas leis
Tive o prazer de sentir um bebê no meu ventre
Chorei na maternidade,
Troquei fralda,
Passei noites acordada,
Desfrutei a sensação de amamentar,
Ensinei a comer,
Ensinei a andar,
Chorei no primeiro dia de escolinha
Talvez tenha deixado algumas pessoas de lado,
Talvez não tivesse tempo para dar atenção para as amigas
Pode ser que me relaxei um pouco com minha aparência
Ou quem sabe não tive nem tempo para pensar nisso
Pode ser que deixei alguns projetos pela metade
Ou talvez porque não conciliava com meu horário familiar
Momento algum joguei nada para o alto
Na verdade segurei com as duas mãos
Tudo o que vi cair do céu
Porém permiti
A Mão de Deus me tocar
Para ser uma verdadeira mãe

 Mara Chan 

Não encontrei na Internet uma biografia da autora embora algumas editoras dos seus livros tenham alguma informação.
AQUI  por exemplo

Saúde e Felicidade para todas as mães que por aqui passem

sexta-feira, 1 de maio de 2020

1ª DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR




1º DE MAIO
A voz de tanta vontade
permanece intacta
dizendo liberdade
de maneira
 
que as palavras de esperança
pareçam ser de aço
 
de asa, de canto
de exultação e queira
 
colocar mais alto
e solto ao vento
 
o voo arrebatado
da bandeira
 
nas mãos de quem
ao erguê-la alto
 
Deseja do país a alma inteira.
 
Maria Teresa Horta