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segunda-feira, 30 de julho de 2018

LUIZA NETO JORGE - ANOS QUARENTA, OS MEUS


Anos Quarenta, os Meus

De eléctrico andava a correr meio mundo
subia a colina ao castelo-fantasma
onde um pavao alto me aflorava muito
em sonhos à noite. E sofria de asma
alma e ar reféns dentro do pulmao
( como um chimpanzé que à boca da jaula
respirava ainda pela estendida mao ).
Salazar tres vezes, no eco da aula.
As verdiças tranças prontas a espigar
escondiam na auréola os mais duros ganchos.
E o meu coito quando jogava a apanhar
era nesse tronco do jardim dos anjos
que hoje inda esbraceja numa árvore passiva.
Níqueis e organdis, espelhos e torpedos
acabou a guerra meu pai grita "Viva".
Deflagram no rio golfinhos brinquedos.
Já bate no cais das colunas uma
onda ultramarina onde singra um barco
pra cacilhas e, no céu que ressuma
névoas águas mil, um fictício arco-
-irís como é, no seu cor-a-cor,
uma dor que ao pé doutra se indefine.
No cinema lis luz o projector
e o FIM através do tempo retine.

Luiza Neto Jorge



sexta-feira, 27 de julho de 2018

ANA MAFALDA LEITE




Papoilas

estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas

o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro

aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me

qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos

coisa estranha

opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro

para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras

Ana Mafalda Leite


Nota: A partir de hoje e até ao fim de Agosto as postagens sairão de forma automática. Não há biografias destas poetizas porque já todas são repetentes. Se tiverem interesse na biografia procurem-na na caixa de pesquisas. Bom Agosto para todos

sábado, 21 de julho de 2018

quarta-feira, 11 de julho de 2018

POR AMOR

Continuo a Homenagem a esta poetisa do Barreiro


Por Amor

Quando em nós nasce o amor é intenso
que mais não vemos que essa luz divina.
E faz da nossa alma peregrina,
caminho, às vezes, dum calvário imenso.

Tem o perfume do mais raro incenso.
Marca o destino, a boa ou má sina.
Poderoso senhor que nos domina,
o Deus e o carrasco a quem pertenço.

Mas não amar é junto à dor ter mágoa,
implorar no deserto a gota de água,
ter fome aonde todos negam pão.

Façam do amor, caminho dos seus passos.
Por amor tem-se o peito em mil pedaços
e ainda dá-se inteiro o coração!

Maria Helena Bota Guerreiro 
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