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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

GRACIETE DOS SANTOS PEREIRA

Há mais um livro de poesia no mercado. De uma poetisa do Barreiro, que publicou no passado dia 14 o seu primeiro livro, intitulado Lírios.


Ampliem a foto  s.f.f. e podem ver o link da editora se estiverem interessados no livro.



VAMOS PINTAR A VIDA

Vamos pintar a vida?
Mas a vida já tem cores
O encanto e a beleza
Foi buscar à Natureza.
Tem o azul, tem o verde,
O Vermelho e o amarelo
Há que sabe-las escolher.
Às vezes surgem garridas
Mais ou menos coloridas
O que é preciso é viver.
O azul tem serenidade
O verde esperança e porvir.
O vermelho força e poder
O amarelo tem sol
Que nos dá luz e calor
E vontade de vencer.
E quando elas se misturam?
O branco retira cor.
O azul torna-se céu,
O verde seara doce,
O vermelho rosa amor,
O amarelo amortece.
Enquanto o branco aclara,
O preto tudo escurece.
Se misturares docemente
Vamos ver o que acontece.
Cor vermelha e amarela
Faz o laranja na tela.
Do azul mais encarnado
Nasce o roxo, que engraçado!
Com um pouco de branquinho
Vamos ver o que é que faz.
Olha, fica lilás.
Então o preto e o branco
Ficou cinzento que encanto.
O azul com amarelo
Ficou verde que loucura,
E agora vamos ver
O que faz esta mistura.
Verde vermelho amarelo
Virou castanho que espanto
Podes pintar um castelo!
E uma verdade sentida
De humor e alegria.
De tristeza e emoção.
A cor reflete a harmonia,
Na tela da nossa vida
E no nosso coração.

Graciete dos Santos Pereira

sábado, 19 de janeiro de 2019

SÓNIA SULTUANE




Africana
dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana,
porque não uso missiri nem missangas,
deixa-me rir…
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de “Levis, Gucci ou Diesel”,
não o sou… será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem esta profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que é que tu saberás? O que é que tu sabes?
Deixa-me rir…
deixa-me rir…

Sónia Sultuane


Biografia AQUI

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

MARIA JOÃO CANTINHO

Os que caminham descalços



Os que caminham descalços
procuram a penumbra,
o fio de água pura
e a rara flor da montanha,
a nascente.

Os que caminham de olhos cerrados
vindos de longe,
marcados pelo relâmpago da loucura,
rasgam as roupas e renegam-se,
ajoelham no pó e descem ao poço,
cobrem-se de terra, em gesto
de melancolia acerada.

Os que caminham de rosto coberto
trazem o rosto em chaga
e no olhar a intacta ferida,
são os que procuram a salvação,
o olho único e a grande ave,
cruzando todos os céus
e os tempos da terra,
em acesa, secreta caligrafia.

Os que caminham e nunca chegam
peregrinos de um clarão sem nome,
sabem que o fruto se fecha em si
e que a vida é isto:

vela branca na escuridão.


  Maria João Cantinho


Biografia e outros poemas AQUI

domingo, 6 de janeiro de 2019

FELIZ DIA DE REIS



Termina oficialmente hoje, o interregno que a humanidade faz todos os anos, para fingir ser boazinha, para fingir preocupar-se com os deserdados da fortuna, para fingir que quer um mundo de paz, mais justo e mais solidário. 
Guardam, bem guardadas , a ambição, a usura, a corrupção, as armas, e fingem...fingem...fingem...
Amanhã, abrem-se as gavetas, onde foram guardadas, e volta a cavar-se o fosso entre aqueles que tudo têm e os que morrem à mingua, entre os que atacam e os que não têm como se defender, entre os ditadores e os oprimidos. Até Dezembro.
Nessa altura, volta o interregno. Até lá que cada um de nós viva o melhor possível. E já agora, que cada um de nós faça da sua parte o que possa para a mudança que todos desejamos.
Feliz dia para todos.
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