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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ISABEL MEYRELLES

imagem do Google


Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?

Isabel Meyrelles

Biografia

Escultora e poetisa portuguesa nascida em 1929, em Matosinhos. Começou cedo o seu interesse pela escultura, aos 16 anos iniciou os estudos no Porto, mas decidiu ir para Lisboa estudar e conhecer os artistas nas tertúlias dos cafés. Assim sendo, conheceu personalidades das artes, como Mário de Cesariny e Cruzeiro Seixas, e assistiu ao surgimento do Grupo Surrealista Português e do Os Surrealistas. Corrente artística à qual ficou sempre, de alguma forma, ligada.Nos tempos difíceis que se viviam em Portugal, Isabel Meyrelles sentiu a necessidade de evasão, de sair do país para viver em liberdade. Foi então que decidiu ir viver para França, o seu país de adopção e com o qual se identifica. Em Paris continuou os estudos, desta vez não só de Escultura, na Ecole National Supérieure des Beaux-Arts, como também de Literatura, na Universidade de Sorbonne. Fez várias exposições em Portugal e em França e traduziu obras de vários autores como, por exemplo, Jorge Amado.As suas obras literárias foram publicadas tanto em português (nos primórdios) como em francês. São elas: Em Voz Baixa (1951), Palavras Nocturnas (1954), O rosto deserto (1966), O Livro do Tigre (1976), O Mensageiro dos Sonhos, publicado somente na antologia Poesia (2004).


fonte: infopédia

4 comentários:

Isamar disse...

Gosto muito deste poema. Talvez o facto de andar nostálgica me tenha feito gostar ainda mais dele mas é, de facto, muito bonito.

Boa escolha!

Beijinhos

Bem-hajas!

Sonia Schmorantz disse...

É uma linda poesia, retrato poético de certos momentos da vida de todos nós...
beijos, lindo final de semana

EDUARDO POISL disse...

De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!

Fernando Sabino

Hoje passei pra deixar um poema para refletir e desejar uma semana linda com muito amor e carinho.
Abraços.

Deusa Odoyá disse...

Elvirinha querida!!!
Gosto muito dos poemas dela.
Adorei...
Beijinhos doces.
Regina Coeli.

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