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sábado, 20 de janeiro de 2018

BÁRBARA LIA


Flor escandalosa

Meu pai sonhava o deserto
E viveu ao lado do amor
Rimbaud sonhava as areias
Também reinventar o amor
Rimbaud viveu no deserto
Meu pai morreu de amor
Meu pai surfava o mar de estrelas
Com um teodolito da cor da destemperança
– verde oliva que tende ao amarelo –
Quando eu dormia ele soprava
Sementes de poesia
Por cima das minhas cobertas
Rimbaud passava noites inteiras
Regando com um regador de nuvens
Minha alma de fogo e a semente
Nasceu esta flor escandalosa
Misto de estrela e rosa
Da cor dos olhos do amor
E do deserto sonhado
Por meu pai e Rimbaud
Meu pai viveu em poesia
Nunca escreveu um verso
Rimbaud desistiu bem cedo
Meu pai sabia; sabia Rimbaud
O vento que atravessa a cortina
Traz a voz de ambos, mixada:
Ilumine o verbo!
Incendeie a alma!
Faça de corações desertos
Cactos em flor
Sangue em ebulição

 Bárbara Lia



BIOGRAFIA  AQUI

14 comentários:

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, lindo poema da Bárbara Lia, fazer dos corações desertos em cactos em flor, tem um significado enorme.
AG

Cidália Ferreira disse...

Amei este poema. Obrigada pela partilha.

Beijos e bom fim de semana.

Evanir disse...

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem.
Todo dia.
Esse jeito de ouvir além dos olhos,
de ver além dos ouvidos,
além do horizonte...
Esse amor tão vívido em terra em que
a maioria parece se assustar
parece que o mundo tem medo de amar.
Tenha um abençoado final de semana.
Um Domingo com missa ou culto
tanto faz Deus esta em toda parte.
Bjs.Evanir.
Sinto falta do seu carinho.
Ficaria feliz se pudece ver a tristeza do meu
profundo olhar.

Edith Lobato disse...

É um belíssimo poema. Amei a postagem.
Boa noite. Bjs

Os olhares da Gracinha! disse...

Não conhecia mas gostei imenso!bj

Érika Oliveira disse...

Que lindo poema Elvira, gostei muito! Você pode dar uma olhadinha no blog? Falei de uns músicos cearenses muito bons!

https://arteculturaespiritualidade.blogspot.com.br/2018/01/um-toque-cearense.html

Hetero Doméstico disse...

Tão intenso *_*

CÉU disse...

Olá, estimada Elvira!

Adorei. Lindo demais (risosssssssssssssssssssss)!

Evidente que este nunca poderia ser o meu comentário, pke eu li o poema todo e julgo, que o compreendi.

Bárbara Lia, poetisa mineira, estabelece neste seu poema uma comparação entre o pai dela e o escritor francês, Rimbaud, a quem chamavam "pequeno Shakespeare", tal não era o seu talento.

Parece que ambos tinham as mesmas atitudes, embora de maneiras diferentes e em épocas tb diferentes. Ambos "vadios, "sem rei, nem roque, e amantes de poesia. Um escrevi-a, outro não. De toda esta movimentação e "desnorte" de seu pai, nasceu esta flor (Bárbara Lia), que ela chama escandalosa, misto de sonho e de estrelas.

O poeta francês morreu cedo, com 30 e poucos anos, vítima de cancro, daí ela dizer no poema: "Rimbaud desistiu bem cedo", mas o vento ainda lhe traz a voz de seu pai e dele.

Que a palavra ecoe, arde e se espalhe e que torne/transforme os corações solitários em roseiras de todas as cores, mas fervendo de amor e vida.

Li a biografia dela e nela vi que tem recebido mtos prémios. Li vários poemas dela, também, e saltou-me aos olhos um de nome "Profana".

Beijos para todos e as suas melhoras, definitivas.

CÉU disse...

Já me estava a esquecer, Elvira! Fiquei durante alguns segundos olhando o cabeçalho deste seu blogue, embevecida, tal como o poema de sua autoria.

Que delícia de boneca! Bonecas, sempre as encontramos por aí, mas voltar à nossa meninice, isso é que, por enquanto, não é possível. Vamos sonhando e desejando.

Dias felizes!

Mar Arável disse...

Belas são as flores dos desertos

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

Querida Elvira, seguindo mais esse lindo espaço seu, muita poesia e muita cultura. parabéns querida! bjuss

Gil António disse...

Lindo poema. Direi mesmo que: BRILHANTE.
.
* Adejam pétalas ... como lábios se beijando *
.
Deixando votos de um dia feliz
Boa tarde

lua prateada disse...

Teu pai e Rimbaud, dois seres maravilhosos
Feliz por aqui ter passado
Abracito...

Cidália

O Puma disse...

Pensar globalmente
resistir localmente

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