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sábado, 16 de setembro de 2017

ANA BRANCO


Chovia simplesmente

Saí...
E meu corpo sacudiu estonteante
Ao embate do vento
E da chuva na pele
Sangrava violentamente o espírito desesperado
Que lutava pelo escasso espaço a circular pelas artérias,
Lutava para me manter à tona.
Os pulmões vomitavam os sons lindos da morte.

Estava a morrer
Enquanto o mundo fugia devagar
Por toda aquela maré.
Já todos tinham ido embora,
Tinham todos fugido da chuva
E do vento
Gritando os nomes sonantes dos parentes
Já falecidos lá longe pelas velhas matas do Maiombe.

Estava a morrer,
Mas ecoei os ecos dos mortos
Enquanto lutava para chegar ao único sítio
Onde seria feliz
à sombra da minha árvore.

Despertei,
Não choveu
Eram as lágrimas de uma criança que me molhavam.




Biografia


Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras: Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua direcção.


fonte: União dos Escritores Angolanos

10 comentários:

Janita disse...

Um poema que nos traz a emoção à flor-da-pele.
Lindo. Obrigada pela partilha.

Abraço

Cidália Ferreira disse...

Lindo demais!

Beijo. Bom Domingo.

Evanir disse...

Com carinho e acima de tudo respeito,
que hoje fui abençoada para deixar uma mensgem ,
e dizer estou aqui e viva graças a Deus.
È com enorme aleria que
deicho essas palavras.
Uma forma de dizer estou aqui para
deixar meu carinho e buscar o seu.
Obrigada por estar presente na minha vida sempre.
Um Domingo abençoado.
Beijos.
Evanir.

lua singular disse...

Oi Elvira,
Não conseguia abrir o comentário, mas como sou teimosa voltei para o meu blog para ver se era a conexão, estava tudo O.K., voltei.

Achei a poesia de uma doçura franca. Que desespero da jovem!
Um beijão
Lua Singular

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...


Olá!
Para fugir da rotina, lancei hoje a brincadeira “POETISANDO E ENCANTANDO, no blog Filosofando na vida.
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/
Vim convidar você a participar da saudável brincadeira.
Como acontece, postarei uma foto e a partir desta foto, criamos um verso. Não precisa ser poeta, basta usar da criatividade e postar seu versinho ou poesia em sua página. Exercite sua imaginação, use sua criatividade.
Comente, leve o selinho número 1º, desta saudável brincadeira.
Postarei aos domingos e deixarei durante toda segunda feira, a sequência da brincadeira para que facilite os participantes pegar seu selinho e a imagem.
O link desta página, ficará na lateral do meu blog.
Ficarei feliz com sua participação.
Abraços, Profª Lourdes Duarte.
Desculpe, estou com um convite, igual para todos.

Donetzka Cercck L. Alvarez disse...

Que linda essa poesia,amiga Elvira!

Desespero diante da morte! Fiquei desesperada ao imaginar.

O final é inesperado e feliz.

Grande poeta!

Amiga. Você está linda! Descobriu a fonte da juventude e beleza? Conte para mim porque quero beber dessa fonte também.

Beijos sabor carinho e uma semana que se inicia de bênçãos

Donetzka

Maria Rodrigues disse...

Tão nostálgico, mas tão belo.
Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Profª Lourdes disse...

Uma exemplo de mulher. Belo escrito, postagem perfeita amiga. Grata pela visita ao meu cantinho. Serás s sempre bem vinda! Abraços, tenha uma noite de paz e um amanhecer feliz. Bjuss

Manuel Luis disse...

Por alguns momentos senti-me naquela imensa floresta que tanto amo. Senti-me em Angola com a poesia a céu aberto.
Bjs.

Tais Luso disse...

Muito bonito, junto com ela despertou a criança! A criança que carregamos para o resto da vida.
Parabéns pela postagem, Elvira, poema de muita sensibilidade.
Beijo.

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