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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

VERÓNICA ALMEIDA (MENINA DO RIO)

Foto enviada pela Menina do Rio

MENINOS NA PRAÇA


Os meninos dormem
nas calçadas nuas, nas ruas
no centro do Rio, no frio
Meninos de todas as idades
acordam a cidade
E no afã;
o café da manhã
garrafinhas de cola
que de mão em mão rola
cheirando
aspirando
enganando a fome
que os consome
Rostos sujos, sem banho
São de todos os tamanhos
meninos
anjos caídos
entorpecidos
cheirando solventes
que lhes travam as mentes
anestesia,
na crueza dos dias
vagando sem mais
pedindo em sinais
- Moço, me dá um trocado
pra comprar um pão
- Que trocado, meu irmão?
Vai trabalhar, vagabundo!
E lá vai o filho do mundo
A fome gritando alto
Passa a grana, é um assalto!
Ai maluco, perdeu
É tu ou eu
Passa a carteira
Que eu não tou pra brincadeira
E, nessa luta injusta
Quanto a vida custa?
Talvez escola, comida...
Educação, porque não?
Um amigo,
Um irmão
E um motivo pra sonhar...
que um dia vai melhorar


Menina do Rio


Biografia
Verónica Almeida, nasceu em 11 de Dezembro de 1954 e
mora no Rio de Janeiro. Tem formação na área administrativa,
embora sempre tenha exercido funções de contabilidade.
Escreve, desde que se entendo por gente, embora tenha jogado
fora dois terços de tudo o que escreveu, por achar que eram escritos
sem interesse, excesso de romantismo de uma fase onde os sonhos povoam
a mente. Durante o período em que esteve casada, teve filhos e viveu apenas para eles, deixando de lado a escrita. Utiliza o pseudónimo de MENINA DO RIO
"Foram 17 anos sem escrever uma palavra; talvez porque só consigo
escrever quando estou triste e carente, já que o meu estilo é voltado
pra nostalgia, saudosismo e nesses momentos deixo fluir as emoções
que me habitam a alma. Não tenho uma leitura específica, leio de tudo,
desde que o assunto seja de meu interesse e sei apreciar uma boa escrita,
seja de um génio da literatura ou de pessoas anónimas. Tenho vocação pra entrelinhas, pro que fica subentendido, e isso reflecte no que escrevo"


Biografia cedida pela própria poetisa.

Este é um dos muitos poemas de uma autora de que muito gosto, mas que infelizmente não tem ainda nenhum livro publicado. Porém poderão apreciar os seus poemas em
http://meninamomentos.blogspot.com/
o blog da autora

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

INÊS LOURENÇO

Foto da net



Rua de Camões

A minha infância
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha mãe

Ao fogão a carvão
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustentáculo da mansarda
obstáculo da perspectiva.

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas tão incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e a sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam lá em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imutável expressão

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

Não olhes para os rapazes
que é feio.



Inês Lourenço


Biografia

Inês Lourenço nasceu no Porto em 1942. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Trabalhou nos CTT e no Ensino Secundário.
Publicou os seguintes livros de poesia: Cicatriz 100%, Editora das Mulheres, Lisboa, 1980,.(prefácio de Maria Isabel Barreno); Retinografias, idem, Lisboa, 1986; Os Solistas, Limiar, Porto, 1994; Teoria da Imunidade, Felício & Cabral, Porto, 1996; Um Quarto com Cidades ao Fundo – poesia reunida (1980-2000) incluindo mais vinte inéditos, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2000. A Enganosa Respiração da Manhã, Asa Editores, Porto, 2002.
Principais colaborações em Antologias: Antologia de Poesia Contemporânea, O Poeta e a Cidade, organizada por Eugénio de Andrade, Campo das Letras, Porto, 1996, 3ª edição, Asa Ed., Porto, 2001; Aproximações a Eugénio de Andrade, Asa Ed., Porto, 2000, 2ª edição, 2001; Vozes e Olhares no Feminino, Ed. Afrontamento, Porto, 2000; Das Tripas ao Coração, Antologia trilingue (português, francês e inglês), Campo das Letras, Porto, 2001; Homenagem a Júlio / Saúl Dias, Quasi Ed., V. N. Famalicão, 2001; Ao Porto, Colectânea de Poesia sobre o Porto, Publicações D. Quixote, Lisboa, 2001; O Futuro em Anos-Luz – 100 anos – 100 poetas – 100 poemas, Quasi Ed., V. N. Famalicão, 2001; Assinar a Pele – Antologia de poesia contemporânea sobre gatos, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001; EnCantada Coimbra – Antologia de poesia sobre Coimbra, D. Quixote, Lisboa, 2003.
Colaborou com poesia em diversas publicações portuguesas, como: JL-Jornal De Letras, Artes e Ideias, Cadernos de Serrúbia, Colóquio-Letras, etc. e também em revistas de poesia de Espanha, Itália e França (Página – cien años de poesia portuguesa, Tenerife, – Ánfora Nova-Mujer y Poesía, Córdoba, – Hablar/Falar de Poesia, Badajoz, – Bolletario 4, Modena, – Europe, Paris, 2000, etc.) com poemas que foram traduzidos nas respectivas línguas.
Coordenou e editou desde 1987, os Cadernos de Poesia – Hífen, com 13 números editados, na sua maioria, temáticos, publicação de carácter inter-geracional, em que têm participado, com colaborações inéditas, grande parte dos poetas portugueses actuais, bem como poetas de outras línguas.
Participou em diversos eventos dedicados à Poesia, entre os quais destaca: Bibliothéque Faidherbe, Paris, 2000; Encontros com Poetas, Fundação Eugénio de Andrade, 2000; Vozes e Olhares no Feminino, Porto 2001, Biblioteca Almeida Garrett, com Teolinda Gersão e Isabel Allegro de Magalhães, 2001; 4º Encontro Internacional de Poetas, Coimbra, Biblioteca Joanina, 2001.





Biografia daqui http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/ineslourenco.htm

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ALFONSINA STORNI

Monumento a Alfonsina Storni

Diante do mar

Tradução de José Agostinho Baptista


Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.

Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".

Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.

Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.

Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.


Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.

Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.

Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.

E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!

Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.


Alfonsina Storni

Biografia

Nascida na Suiça, emigrou com os seus pais para a província de San Juan, na Argentina em 1896, Em1901, muda-se para Rosário, (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalhou para o sustento da família como costureira, operária,atriz e professora.
Descobre-se portadora de cancro no seio em 1935. O suicídio de um amigo, o também escritor Horácio Quiroga, em 1937, abala-a profundamente.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”. Consta que suicidou-se andando para dentro do mar — o que foi poeticamente registrado na canção "Alfonsina y el mar", gravada por
ercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de Outubro de 1938. Alfonsina tinha 46 anos.

texto retirado da net

Nesta página encontrará uma biografia completa , bem como alguns poemas:
http://www.cervantesvirtual.com/bib_autor/Alfonsina/

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