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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CLARICE LISPECTOR


Quero escrever o borrão vermelho de sangue


Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


Clarice Lispector


Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo. Escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".


Pequeno extracto de uma biografia, que pode consultar na integra em

http://www.releituras.com/clispector_bio.asp

AOS AMIGOS QUE POR AQUI PASSAM, PEÇO DESCULPA DE NÃO ESTAR A VISITÁ-LOS NOS VOSSOS BLOGUES. DE MOMENTO QUASE NÃO TENHO TEMPO DE FAZER UM POST. PROMETO VOLTAR LOGO QUE POSSÍVEL. E AGRADEÇO A VOSSA AMIZADE E COMPREENSÃO.

4 comentários:

Valter Montani disse...

Oi Elvira tudo bem?

Parabéns pela postagem da Clarice, muito bom, bjs e sucesso!

Sonia Schmorantz disse...

Façam tardes as manhãs
Façam artes os artistas
Faça parte da maçã
A condenação prevista
Façam chuvas os Xamãs
Façam danças as coristas
Façam votos que esta corda
Não sabote o equilibrista

Façam Beatles "For No One"
Faça o povo a justiça
Faça amor o tempo todo
Que amor não desperdiça
Faça votos pra alegria
Faça com que todo dia
Seja um dia de domingo

Façam tardes as manhãs
Façam artes os artistas
Faça parte da maçã
A condenação prevista

Façam Beatles "For No One"
Faça o povo a justiça
Faça amor o tempo todo
Que amor não desperdiça
Faça votos pra alegria
Faça com que todo dia
Seja um dia de domingo

(Osvaldo Montenegro)

Votos de um lindo final de semana
Um abraço

Delfim Peixoto disse...

Onde estou eu???
Bom FDS

Valter Montani disse...

Olá querida Elvira, tudo bem?
Voltei para lhe avisar:

Eu fiz alguns Selos para os Blogs amigos e parceiros, estão no link abaixo, esteja a vontade para aceitar ou não, mas não deixe de dar uma olhada, bjs e boa semana.

http://valterpoeta.blogspot.com/2009/01/meus-presentes-para-seu-blog.html

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