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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ANA LUÍSA AMARAL






Um céu e nada mais

Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
ímplodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais -que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.


Ana Luísa Amaral

Biografia

Nasceu em 1956, onde nasceram 90% dos lisboetas (na Maternidade Alfredo da Costa). Aos nove anos, mudou-se, por vontade alheia, de Sintra para terras do Norte (Leça da Palmeira), tendo sofrido na pele a estupidez da divisão Norte/Sul. Como era muito magrinha, estava em minoria e tinha acentuada pronúncia da capital, foi várias vezes atirada ao ar por colegas mais velhas da escola. Felizmente sempre apanhada a tempo, acabou por ficar amiga de algumas. Leituras que mais a marcaram: o Zorro (de que foi assinante desde os seis anos e de que possui ainda hoje todos os números); Oito Primos; a colecção completa de Os Cinco (nunca gostou de Os Sete); Ivanhoe; David Crockett; Os Contos de Alhambra. Como não havia as antologias que há hoje de poesia pensada para um público infantil, nem os seus pais tinham livros de poemas em casa (esses que os poetas costumam dizer terem lido omnivoramente na infância), as suas influências literárias principais vieram-lhe das várias Selectas Literárias do liceu. Poema decorado aos seis anos e recitado na escola de Sintra: "O Passeio de Santo António". Andou, dos dez aos dezasseis anos, num colégio de freiras espanholas muito pouco canónico (aí, aprendeu a gostar de churros e a fazer rissóis de atum com tomate). Frequentou a Faculdade de Letras do Porto, tendo-se licenciado em Germânicas.


Deve ter gostado tanto da Faculdade que por lá se deixou ficar, como professora, até ao presente momento. Por necessidade de carreira, tinha que fazer doutoramento. E fez; sobre Emily Dickinson, cujos poemas a fascinam tanto como a fascinara o Zorro. Pelo caminho, foi publicando livros de poemas. Vive ainda em Leça da Palmeira, tem uma filha de doze anos chamada Rita, uma gata chamada Muffin e uma cadela chamada Lili (Marlene).
Biografia e foto da net

7 comentários:

Serena Flor disse...

Adoro a escolha dos poemas minha querida! Sempre scolhe os melhores...parabéns!
Um grande beijo e ótima semana!

Cöllyßry disse...

Mora aqui bem pertinho...Que bela escolha, lindo o Poema e homenagem...




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........\,---“`...\\
....._.;_“.-._ Terno beijo






ölhår_Îñðîscrëtö...Å ¢µ®¡ö§¡dädë

Vanessa disse...

Olá, cai aqui nem sei como , adorei o blog. Gostei da idéia do poema conjugado com a biografia. Virei mais vezes.

mundo azul disse...

É um bonito poema!!!


Beijos de luz e o meu sincero carinho...

Serena Flor disse...

Que belo poema minha querida!
Como sempre escolhe os melhores...já te falei, mas falo de novo...adoro vir aqui!rs
Beijos e ótimo Domingo pra você!

lena disse...

cada uma das tuas escolhas tem um toques especial

mais uma mulher poeta, uma mulher das letras, que leio e admiro

"Entre dois rios e outras noites", o último livro de poesia de 2008 que li e gostei

...

A lua outra vez lua a adormecer

serena, duas linhas

de amor, não sou capaz de mais: não eras tu,

mas eu que não te achava

na confusão de tanto nomear

e o teu nome ficou,

as tuas mãos, os braços verdadeiros,

condenados a folhas de resguardo:

pendentes sobre mim

duas espadas

Como duas tendências

de voar —
...

Ana Luísa Amaral


obrigada por partilhares e me fazeres recordar

adorei

beijinhos para ti muitos

um abraço terno e carregado de carinho

lena

pin gente disse...

muito obrigada pela tua ajuda.
um beijo
luísa

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