À entrada das palavras me detenho.
Deixo que ondule em meu olhar
a imensa planície do passado.
Não quero falar do tempo esgotado
à míngua de tudo.
Por empenho materno adquiri
um desapego total a futilidades.
Nunca usei joias.
A minha feminilidade bastava
para me enfeitar.
A arte e a liberdade
eram as minhas pérolas
e os meus diamantes.
Lembro os momentos
encantatórios da infância,
nos fins da tarde, em que minha mãe
tocava música clássica e recitava de cor
os poetas da época, o que imprimia,
em mim, um inexplicável poder espiritual.
Graça Pires, in "Jogo sensual no chão do peito" pg 21 Editora Labirinto
Graça Pires, já está na galeria de poetas deste blog, desde 2014. AQUI



