Você só diz
O que eu não quero ouvir.
Não fala de uma ilha
onde nasce um rio
que desagua céus.
Não lembra caminhos
indo, indo se esconderem
em matos e pedras.
Não ergue o facão do sol
e faz zunir centelhas
nas alamedas do estio.
Nem traz assombros
de ramagens na noite
pisando o carmim das flores.
Você só diz – Eu te amo.
Assim não dá, é pouco
muito pouco para se levar a vida.
- Deborah Brennand, em "Folhagens". Recife: Travessa dos Editores, 2002.
