Acordamos tarde para a tarefa
de juntar as partes da vida,
jogo de armar em mãos inábeis.
Demasiado próximos da seiva,
enxergamos pouco.
Quem disse que é tão simples
dividir a vida em frases?
(ó infância rasurada!)
Só tempos fases.
A vida invade o tempo
(e não o oposto)
e nos atordoa
com sua face leve,
sedução e jogo,
ó vida, vida,
construção tardia:
acordamos tarde nessa arquitetura.
Grande é a gula. Parcas as nascentes.
Mas a garganta molha-se de sede,
procriando espaços de viver.
- Maria da Conceição Paranhos, em "As esporas do tempo". Salvador BA: Fundação Casa de Jorge Amado/ COPENE, 1996
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