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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MANUELA MARGARIDO

                                  Foto de Laércio Miranda


ROÇA

A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.

A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;

capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.

E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto
                        há-de realizar.


                      Manuela Margarido


 Biografia


Poetisa são-tomense, Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido nasceu em 1925, na ilha do Príncipe, e faleceu a 10 de março de 2007, em Lisboa. Tendo, desde muito cedo, abraçado a causa da independência e do combate anti-colonialista, esteve exilada em Paris, onde se interessou por várias áreas de estudo, como sociologia, ciências da religião e cinema, que estudou na Universidade de Sorbonne.
Chegando a ocupar o cargo de embaixadora do seu país em Bruxelas, viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde se dedicou à divulgação da cultura são-tomense.
Empenhada na luta pela independência de São Tomé e Príncipe, a sua poesia, de uma maneira geral, reflete e denuncia a repressão colonialista portuguesa, assim como a vida pobre dos seus conterrâneos nas roças do café e do cacau.

Fonte 
infopédia

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

ANA BRANCO



 Foto da net

Sétimo Poema

Dormitei na noite coberta de frio
Enquanto sonhava
Com a tempestade que me cobria
Quando subtilmente
Entreabri os olhos
E despertei sobressaltada
Ouvindo uivos e ganidos do vento furioso a lamentar-se.


Subi os degraus da solidão
E ouvi
O vento chamar por mim,
Como quem diz:
— "Sai, Sai, procura os filhos que pariste perdidos algures pelas savanas distantes das praias ensolaradas africanas".

O medo entranhou-se-me
Nas veias ensanguentas da carne
Estremecendo a medula dos cérebros
Que tão dificilmente carrego.
O vento estava furioso comigo
E a chuva castigava-me inocente.
Estava tudo coberto e enevoado,
A água escorria e encobria
Todas as portas dos vizinhos desconhecidos,
Nenhum som era desenhado na terra figura da chuva forte.


Ana Branco


Biografia


Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras: Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua direcção.

fonte: União dos Escritores Angolanos


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