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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SANDRA AUGUSTO FRANÇA

MEMÓRIA


Esta vertigem volta agora
quase sempre ao entardecer para me contemplar
lá do alto onde costumavas mas
não, não és tu quem espreita agora pela
vidraça na calada da noite
projetando na parede uma sombra de pássaros
não és tu quem povoa a exiguidade da casa
imersa nas ruínas de
quem ecoa na ventania que se expande
pelos braços da avenida
subindo a cidade como
um mar de mosto pesando sobre as têmporas

não, já não és tu.

e à memória sobe-me então
uma imagem de lareira antiga como a
daquela casa de família no Alentejo
onde pairas ainda após anos de ausência porque
para mim serás definitivamente essa
eterna viajante afastando-se devagar
em direção à tundra gelada que precede
os meus gritos na noite
digo-te,  finalmente
pertencerás para sempre a esse lugar que
visito todas as madrugadas onde
suspiros da lareira a um canto rouco
nos presenciavam em silêncio até ao fim da noite

ouve: sei, sei,

não encontrarás tão cedo outro
continente de eternidade, outra floresta
com pirilampos e neve e sempre
este sino ao longe
viajo contigo na distância dos anos
e mesmo que eu chore, sim,
mesmo que eu chore e te
envie algum dia o choro numa carta.


Sandra Augusto França


Biografia DAQUI
Sandra Augusto Pereira, nasceu em Lisboa em 1971. Estudou Engenharia, foi Gestora de Projeto, jornalista de imprensa escrita e televisão e bolseira-investigadora no Centro Nacional de Cultura. Está representada em algumas antologias e colectâneas editadas pela Secretaria de Estado da Cultura (1993), Centro Nacional de Cultura (1993), Clube Português de Artes e Ideias (1996, 1997 e 1998) e Diário de Notícias (1990). Foi distinguida com o Premio de Revelação APE/IPLB 1995 na modalidade de poesia, com o livro Estações. Com Poema dos Ausentes, Sandra Augusto França venceu em 1997 o Premio Literário Cidade de Almada.

15 comentários:

Evanir disse...

Querida Amiga quanta coisa linda postado no seu blog.
Li varias postagens amei todas elas.
Um beijo no coração .
Evanir
P.S
Obrigada pelo seu carinho no Clube Dos Novos Autores.

São disse...

Desconhecia...e agradou-me.

Amiga, amanhã passe lá por casa, sim?

Um abraço grande.

Olinda Melo disse...

A memória das coisas passadas, da pessoa amada,da presença que não se esvai...o que nós fomos e somos, é a nossa âncora.

Não conhecia esta poetisa.Gostei muito.

Bj

Olinda

lis disse...

Oi Elvira
Trazes sempre escritores/poetas que ainda desconheço e isso é ótimo.
Lembranças que ficam na memória muitas vezes escondidas e que derepente surgem inundando-nos de saudade.
São as ausencias inevitáveis.
Gostei de ler a Sandra.
um abraço de boa semana

* quanto a temporada fora do blog , nada a ver com saúde,felismente.
Apenas aqueles interlúdios pra botar a casa em ordem rs
aliás estou literalmente de mudança.E depois Elvira o verão as férias se aproximam e saio sempre nessa época , esse ano vou antecipar um pouquinho.Nunca consigo ficar muito tempo longe de voces.rs vou estar sempre por perto.
obrigada pela preocupação.

manuela barroso disse...

Foi uma ótima surpresa passear pela sua casa.
Uma prosa poética nostálgica e doce
que nos embala.
Obrigada pela sua visita.
Boa semana
bji

Sonhadora disse...

Minha querida

Muito bela esta prosa poética, não conhecia a poeta, é sempre um prazer passar aqui.
Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

DE-PROPOSITO disse...

a exiguidade da casa
------
A casa pode ser exígua, mas estar repleta de felicidade.
-----
Tudo de bom por aí.
Manuel

saf disse...

Que surpresa encontrar-me aqui, num texto tão antigo, por mero acaso. Obrigada por me lembrar de mim! e por visitar quem escreve. De facto, as fronteiras e os oceanos não existem!
Abraço de Lisboa,
Sandra Augusto França

Ana Martins disse...

Que lindo, Elvira!
Não conhecia, adorei!

Beijinho e muito obrigada pelo apoio e carinho.

Ana Martins

Evanir disse...

De todas as flores que colhemos nos campos,
a Amizade é o único sentimento que os ventos podem soprar,
mas, suas pétalas jamais cairão.
Estou com uma infinita saudades.
A partir do dia 25 estarei voltando se Deus quiser.
Farei o possivel para ir fazendo visitas visitas a noite.
Beijos com infinitas saudades.
Evanir

Sonhadora disse...

minha querida

Passando para ver se havia algo de novo e deixando um beijinho com votos de bom fim de semana.

Sonhadora

Danilo Henrique disse...

Oi.. gostei do seu blog.. gostaria de opiniões em um texto, acessa o meu http://pensamentosdovacuo.blogspot.com/2011/12/de-mais-ninguem.html... vlw.. t+

Duarte disse...

Não conheci e gostei.
Versos que aproximam o ser à plenitude.
Um estilo personal que me agrada.
Abraços

Ana Martins disse...

Elvira, boa noite!
Quase que podia jurar que já comentei este poema duas vezes. A primeira está cá, e diz que não conhecia o poema, e a segunda, dizia que mesmo já o conhecendo, foi um prazer relê-lo.
Bom mas isso agora não importa, vim deixar um beijinho com votos de um santo e Feliz Natal.
Ana Martins

lis disse...

Oi Elvira
Passando pra deixar um abraço de Natal e desejar que 2012 seja de Paz e harmonia.
Feliz Natal

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