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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

ADALGISA NÉRI


Poema da amante

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo
cair sobre mimSuavemente.

Biografia

Adalgisa nasceu menina pobre e teve uma infância triste. Era filha de um modesto funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro e ficou órfã de mãe aos 8 anos de idade. Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como "subversiva" por defender as "órfãs" (categoria comum nos colégios religiosos da época), consideradas subalternas e maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola. Portanto, única educação formal que recebeu na vida foi a do curso primário, feito dos 9 aos 12 anos.
Aos 15 anos apaixonou-se por um vizinho, o pintor Ismael Nery, um dos precursores do Modernismo no Brasil, com quem casou aos 16 anos. O casamento durou 12 anos, até a morte do pintor em 1934 A partir do casamento, Adalgisa mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado circuito intelectual graças a freqüentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a conseqüente aquisição de cultura. Mas a vida de Adalgisa foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel sobreviveram.
Em 1959 publicou o romance autobiográfico A Imaginária, que se tornou seu maior sucesso editorial. Adalgisa, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na vida cotidiana.
Viúva aos 29 anos, sem muitos recursos e com dois filhos para criar, Adalgisa foi trabalhar primeiro na Caixa Económica, mas depois conseguiu arranjar um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty.
Em 1937 lançou um primeiro livro de poesia, intitulado Poemas. Em 1940 casou-se com o jornalista e advogado Lourival Fontes, que era o diretor do Departamento da Imprensa e Propaganda (DIP), criado por Getúlio Vargas em 1939, para difundir a ideologia do Estado Novo.
Seguiu o marido em funções diplomáticas, em Nova York de 1943 a 1945 e como embaixador no México em 1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera, José Orozco (ambos a retrataram), Frida Kahbo, David Siqueiros, e RufinoTamayo. Em 1952, viajou novamente àquele país, como embaixadora plenipotenciária, para representar o Brasil na posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines.
O casamento com Lourival durou 13 anos e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher. Em razão do grande sofrimento, e apesar de seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como na França Adalgisa resolveu destruir a própria fama e renegar sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora, e política. Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro,(PSB) e depois, no tempo do bipartidarismo, pelo Movimento Democrático Brasileiro(MDB). Em 1969 teve o mandato e seus direitos políticos cassados.
Pobre e desamparada, sem ter onde morar, passou parte dos anos 1974/75, em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu como reclusa. Contrariando seu propósito de nunca mais dedicar-se à literatura, escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance, Neblina. O romance foi dedicado a Flávio Cavalcanti, reconhecido como "dedo-duro", em gratidão pelo acolhimento que lhe dera. No conflito entre o que seria "politicamente correto" e a lealdade a um amigo, Adalgisa escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.
Em maio de 1976, sem ter doença alguma, ela resolveu internar-se em uma casa de repouso de idosos, em Jacarepaguá. Um ano mais tarde, sofreu um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica. Três anos mais tarde, Adalgisa faleceu.

Biografia da Wikipédia
Foto da net

11 comentários:

Serena Flor disse...

Esse poema é lindo minha querida.
Acho muito legal você colocar a biografia dos poetas, assim ficamos conhecendo além das poesias, um pouquinho da vida deles também.Parabéns e obrigada pela visita carinhosa...beijos.
Serena.

mundo azul disse...

É um poema muito lindo!!!

Gostei muito de le-lo, amiga...


Beijos de lua e o meu especial carinho!!!

Valter Montani disse...

Elvira,

agradeço e retribuo a visita e o comentário, bjs

Volte sempre, eu voltarei

Sophiamar disse...

Um poema muito bonito. A poesia é sempre um bálsamo para o espírito e ainda o é mais quando o tema é o amor.
Uma história de vida que gostei muito de conhecer.

Beijinhos

Círculo Literário disse...

Uau.. uma imagem divina , contemplada com versos sensuais e intensos!!!Belissima , arrasou na postagem!!!
O Círculo vem agradecer sua visita!!!
"A Vida é um Combate que aos fracos abate e aos fortes conduz..."

anad disse...

Olá Elvira

Gosto muito do seu blogue. Vou voltar porque «fiz uma amiga e coisa mais preciosa não há».
Um abraço
Anad

Serena Flor disse...

Passando pra te desejar uma ótima Sexta e deixar meu beijinho pra você minha amiga.
Serena.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Elvira, maravilhoso poema... Uma belíssima postagem... Votos de bom fim de semana... Beijinhos de carinho,
Fernandinha

AnaMar disse...

Acho que ...também amo assim.
Mas não o saberia dizer desta forma.
Bj

Ana Martins disse...

Um belíssimo poema, uma óptima escolha.

Gostei de saber um pouco do percurso de vida desta MULHER corajosa e fantástica.

Beijinhos

São disse...

A afasia é algo terrível!
E obrigada por me ter apresentado mais uma escritora que vale a pena.
Boa e rápida recuperação.
Beiojos.

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