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quarta-feira, 18 de junho de 2008

ALDA ESPIRITO SANTO




Onde estão os homens caçados neste vento de loucura

O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.
Ai o cais, o sangue, os homens,
os grilhões, os golpes das pancadas
a soarem, a soarem, a soarem
caindo no silêncio das vidas tombadas
dos gritos, dos uivos de dor
dos homens que não são homens,
na mão dos verdugos sem nome.
Zé Mulato, na história do cais
baleando homens no silêncio
do tombar dos corpos.
Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.
As vítimas clamam vingança
O mar, o mar de Fernão Dias
engolindo vidas humanas
está rubro de sangue.
- Nós estamos de pé -
nossos olhos se viram para ti.
Nossas vidas enterradas
nos campos da morte,
os homens do cinco de Fevereiro
os homens caídos na estufa da morte
clamando piedade
gritando pela vida,
mortos sem ar e sem água
levantam-se todos
da vala comum
e de pé no coro de justiça
clamam vingança...
... Os corpos tombados no mato,
as casas, as casas dos homens
destruídas na voragem
do fogo incendiário,
as vias queimadas,
erguem o coro insólito de justiça
clamando vingança.
E vós todos carrascos
e vós todos algozes
sentados nos bancos dos réus:
- Que fizeste do meu povo?...
- Que respondeis?
- Onde está o meu povo?
...E eu respondo no silêncio
das vozes erguidas
clamando justiça...
Um a um, todos em fila...
Para vós, carrascos,
o perdão não tem nome.
A justiça vai soar,
E o sangue das vidas caídas
nos matos da morte
ensopando a terra
num silêncio de arrepios
vai fecundar a terra,
clamando justiça.
É a chamada da humanidade
cantando a esperança
num mundo sem peias
onde a liberdade
é a pátria dos homens...

(É nosso o solo sagrado da terra)


Alda Graça

Biografia

Alda Espirito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda freqüentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas atividades políticas, mas também por motivos econômicos.
Regressou a São Tomé, onde trabalhou como professora.
Ali exerceu alguns cargos governamentais nas áreas da Educação, da Informação e da Cultura e foi deputada e Presidente da Assembleia Nacional.
É actualmente Presidente da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe, cargo que acumula com a Presidência do Fórum da Mulher de S. Tomé e Príncipe.
Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.
Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada.
É dela a letra do Hino Nacional de S.Tomé e Príncipe.

Independência total

Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Dinamismo
Na luta nacional
Juramento eterno
No país soberano
De São Tomé e Príncipe
Guerrilheiro da guerra sem armas na mão
Chama viva na alma do povo
Congregando os filhos das ilhas
Em redor da Pátria Imortal
Independência total, total e completa
Construindo no progresso e na paz
A Nação mais ditosa da terra
Com os braços heróicos do povo
Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Trabalhando, lutando e vencendo
Caminhamos a passos gigantes
Na cruzada dos povos africanos
Hasteando a bandeira nacional
Voz do povo, presente, presente em conjunto
Vibra rijo no coro da esperança
Ser herói na hora do perigo
Ser herói no ressurgir do país
Independência total
Glorioso canto do povo
Independência total
Hino sagrado combate
Dinamismo
Na luta nacional
Juramento eterno
No país soberano
De São Tomé e Príncipe

HINO NACIONAL DE São Tomé e Príncipe.

Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Obra poética:
O Jogral das Ilhas, 1976, São Tomé, e. a.;

É Nosso o Solo Sagrada da Terra, 1978, Lisboa, Ulmeiro.

10 comentários:

SADY FOLCH DE CARDONA disse...

Elvira, caríssima amiga, conform lhe participei na postagem anterior - Natércia Freire - estou entre este poema da Alda e o da Natércia.
Tens tu alguma preferência, ou, gostarias de me indicar um outro para o sarau ?
São belíssimas as tuas escolhas. Dignas da presença de quem como eu, precisa aprender e muito para escrever algo de substancial um dia.
Aguardo tua resposta.
Sady

Deusa Odoyá disse...

Oi minha estimada amiga Elvira, obrigado por sua visita ao meu cantinho.
Te desejo um bom fim de semana com muita paz e amor.

Voltarei sempre aqui.
Beijos da amiga.

Paradoxos disse...

venho respirar sabedoria aqui!!
obrigado pela partilha!

São disse...

Mais um post estupendo, Elvira!
Mas para quando poesia sua?
Um óptimo fim de semana, partilhado com os seus.

lena disse...

mais uma poeta que admiro e acompanho

excelentes os momentos que por aqui passo, recordar quem gosto. ler dá-me alento e um certo prazer incalculável

este seu blog é excelente

e é ainda sei um pouquinho de cor:


ilha nua

coqueiros e palmares da terra natal
mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos
vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos.
verdura, oceano, calor tropical
gritando a sede imensa do salgado mar



Alda Graça


obrigada pelas partilhas, pela poesia que adoro

um terno abraço

lena

Sonia Regly disse...

Elvira,
Você publica cada coisa lindíssima e é bom que vamos aprendendo sobre outros poetas e poetisas. Parabéns pelo bom gosto. Têm post novo lá no Compartilhando as letras, me honre com sua presença.Te aguardo lá.Beijinhos.

Alice Matos disse...

Querida Elvira, é sempre com o maior enlevo que visito este teu espaço cheio de substância, pleno de verdades que devemos reconhecer e lembrar... Obrigada por isso...

Beijo grande para ti...

DE-PROPOSITO disse...

Uma gravura interessante. E perante ela, cada um que tire as suas ilações.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

Um Certo Olhar disse...

aqui, a poesia feminina, noutro ponto a poesia erótica feita por homens e mulheres.respirei um ar despoluído, de liberdade.

bjos

um certo olhar

Sophiamar disse...

Que bonito está o teu blog! Gosto mesmo muito! És já uma exímia fazedora de blogs. Parabéns!
E quanto ao conteúdo, sabes quanto gosto de poesia. Excelente!

Beijinhos

Tem um bom dia!

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