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sexta-feira, 16 de maio de 2008

FLORBELA ESPANCA


(Foto de Manuel Silva)


Charneca em Flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca


Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.
Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais o Portugal Feminino. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. Nesse ano também o seu pai se divorciou, para casar, no ano seguinte, com Henriqueta Almeida. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Em 1925, Florbela casou-se, pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.
Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar».
Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982.

A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.
Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.

Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.

(Texto retirado da net)

Nota. Florbela Espanca é uma das mais conhecidas e apreciadas poetisas da nossa lingua. Para quem conheça a poesia da poetisa anterior - ALDA LARA - vai verificar que os poemas destas duas poetisas, têm muito em comum. Um dia mostrarei exemplos do que digo.

BOM FIM DE SEMANA

14 comentários:

nile santos disse...

Oi amiga.Linda poesia portuguesa.bjtos.nile.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá minha querida Amiga Elvira, aqui tens mais um belo Soneto da minha Poetisa preferida!
Belíssima escolha Elvira... Quando eu andava na escola primária era uma leitora de ficar a ler até de manhã... Ou quando acabava o petróleo no candeeiro, lembras-te ?
Comecei a ler, poesia muito cedo...
andava no liceu, já então rabiscava
uns versos, mas a sério foi depois de vir para Lisboa, para matar as saudades escrevia e devora livros e
Florbela Espanca, com a sua nostalgia, comoveu-me!!!
Querida Elvira, bom fim de semana,
Beijinhos de carinho,
Fernandinha

Alice Matos disse...

Florbela... nunca a entendi muito bem... até perder o meu irmão... Ele declamava-a... conhecia-lhe a vida... sabia-lhe a obra... como se adivinhasse as afinidades que teriam...

Beijinho grande para ti...

Renata Cordeiro disse...

Vc não sabe como amo Florbela ESpanca. Sei todos os poemas dela praticamente de cor. E quando fui a Portugal, fiz questão de ir a Vila Viçosa, sua terra natal. Quando vi a foto da paisagem e o poema dela no seu blog, quase chorei. Também tenho um poema dela postado no blog:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Um abraço,
Renata

Sonia Regly disse...

OI!! Linda essa poesia, vc têm excelente gosto. Escolhe coisas lindas para colocar nesse cantinho. Obrigada pela visita, fico muito honrada e feliz!!!!

EDUARDO disse...

Olha ja aprendi muito mais em relação a vida desta grande poetiza! É bom passar aqui, vim colher saberes... Amiga! Beijao

paradoxos

Fernando Rodrigues disse...

Simplesmente fantastica
parabéns!

Menina do Rio disse...

Florbela sempre foi a minha poetisa preferida. Talvez pela sua sensibilidade de sentir o amor na forma mais dolorosa e pungente e expressar esse sentir em toda a sua nudez e intensidade...


Um beijo

O Profeta disse...

Solta nota de uma flauta
Um retrato preso à mão
Um tambor fora do compasso
Segue o bater de coração


Convido-te a partilhar as emoções
Deixadas pelos ponteiros de um relógio…


Boa semana


Mágico beijo

Maria Clarinda disse...

Que bom é (re)ler a poesia de Flobela Espanca, ainda por cima com um extracto da sua biografia. Jinhos mil

Sonia Regly disse...

Oi,Elvira!!!
Vim visitar esse cantinho lindo, com boa música e alegre. Linkei seu Blog lá no Compartilhando as Letras, é uma alegria grande!!!Beijinhos.

anamarta disse...

Olá Elvira boa noite
Florbela Espanca é também uma das minhas Poetisas preferidas.
Como ela descreve bem o Alentejo! E hoje aqui aprendi muito mais sobre ela.
Obrigada
Um abraço e bom feriado

mundo azul disse...

Um belo soneto de Florbela Espanca! Ela é maravilhosa...Obrigada por trazê-la! Beijos e muita luz...

São disse...

Pobre Florbela, que tanto sofreu.
Foi bom relê-la ao som de Fanhais.
Espero que o feriado lhe seja sereno.
Abraços.

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