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terça-feira, 29 de Abril de 2008

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Porque me parece importante o papel da mulher na literatura, especialmente na poesia, resolvi criar este blog, onde apenas se falará de poesia no feminino. E para começar, escolhi, um dos maiores vultos da poesia portuguesa.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Mulheres à beira-mar

Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longa
mente a virgindade de um mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.


Sophia



Sophia de Mello Breyner Andresen
(1919-2004)

Nasceu no Porto, frequentou Filologia Clássica em Lisboa e publicou a sua primeira recolha poética, Poesia, em 1947.
A sua escrita, tensa e contida, constrói-se em volta do mar, quer do mar do destino português, quer do mar da Grécia Clássica, a cuja mitologia, Sophia foi buscar muito do material sobre o qual levantou uma obra ímpar, quer na poesia contemporânea portuguesa, quer na literatura para a infância.
Ao carácter excepcional da sua obra acresce ainda a grande exigência moral que a poetisa sempre revelou e que a tornou numa figura cívica incontornável no Portugal anterior e posterior à instauração da democracia.

(texto de José Fanha e José Jorge Letria)

17 comentários:

O Guardião disse...

Por acaso cheguei aqui via perfil, e deparo logo com a poesia da Sophia. Um excelente começo para este espaço "reservado à poesia no feminino". Desejo bom trabalho e uma boa semana.
Cumps

Andréa Motta disse...

Belo início de blog! Parabéns!

Marta Ribeiro disse...

olá,
Antes demais chamou-me a atenção o seu nome, visto que é o nome da minha mãe "Elvira"...por outro lado gostei muito de conhecer este blog...nunca o tinha visitado mas gostei


beijinho

pin gente disse...

se eu fosse verde podia ser alga num mar vestido de azul
na volta das ondas rodopiava com sabor a sal
empurrada para a praia salpicada de areia
enrolaria o meu amor com a espuma branca da rebentação
e depois de exausta do jogo abraçava de novo o mar


abraço
luísa

João Videira Santos disse...

Sophia...sempre! Com ela a palavra é magia,alcance do sonho!

Brancamar disse...

Minha amiga,
Começou este blog com uma mulher que sempre admirei e que é uma poetisa de uma sensibilidade imensa. Este poema é um lindo hino de liberdade e esperança!
Desejo-lhe sorte e quero vir aqui aprender.
Beijinhos

Sonia Regly disse...

Encontrei seu Blog ,através de Blogs de amigos. Vim te convidar para conhecer o Compartilhando as letras.
www.compartilhandoasletras.blogspot.com

salome disse...

Novo blog e com poesia bom começo.Beijinho de carinho.Salomé

Osc@r Luiz disse...

Nossa, minha amiga...
Não tinha me falado daqui.
Só pelo primeiro post já dá pra ter uma noção do que vem por aí.
Certamente vai pros meus links na próxima atualização.
Beijos e bom final de semana!

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá minha querida Elvira, fiquei extremamente feliz com o teu novo blogue e teres começado com a Sophia, foi direitinho ao meu coração... Adoro-a em todo o seu explendor!
Beijinhos de carinho,
Fernandinha

São disse...

Parabéns!
Acho a ideia muito interessante.E começou com boa escolha, pois claro. Mas , já agora, espero ler aqui poemas seus.
Um abraço bem grande, linda.

EDUARDO disse...

Uma grande poetiza, sem dúvida! Beijão!

Menina do Rio disse...

Adorei esta tua idéia!
Pois a mulher é poesia pura e a mulher também faz poesia

Um beijo pra ti

anamarta disse...

Cheguei aqui via Sino da Aldeia, e felicito-a pela ideia deste blog. O começo com Sophia é excelente!
Parabéns
bom fim de semana

Sady Folch disse...

Elvira, estou de fato encantado com as suas escolhas neste blog. Resolvi conhecê-lo, e ao mergulhar na superfície com Alda Lara, fui atraído por Kátia Drummond a não voltar, e vendo-me completamente absorvido pelo canto destas sereias, cheguei ao início de tudo, onde este oceano começou a tomar forma, e encontrei estas belas palavras de Shopia, que mais me parecem fundir a mulher e o espaço a sua volta em uma só existência.
Não volto a superfície. Fico aqui uns instantes, respirando as imagens que elas me proporcionaram. Só assim sobreviverei.
Parabéns. Peço sua licença para tornar este, um link em minha página.
Sady

Sophiamar disse...

Elvira

Há coisas para as quais por mais que busque não encontro explicação.
Esta é uma delas. Como pude deixar passar este post sem que o tenha comentado. E logo Sophia, a grande, cujo nome, de origem grega, significa sabedoria. Premonição ou não, o certo é que foi um grande vulto da sabedoria. E da Liberdade.
Um poema fantástico em que o sujeito quase idolatra a mulher.
Bem hajas, Sophia!

Bem hajas, Elvira!

Beijinhos

Anónimo disse...

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