terça-feira, 16 de junho de 2020
CLÁUDIA R. SAMPAIO
Tragam-me um homem que me levante
com os olhos
que em mim deposite o fim da tragédia
com a graça de um balão acabado de encher
tragam-me um homem que venha em baldes,
solto e líquido para se misturar em mim
com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se
leve, leve, um principiante de pássaro
tragam-me um homem que me ame em círculos
que me ame em medos, que me ame em risos
que me ame em autocarros de roda no precipício
e me devolva as olheiras em gratidão de
estarmos vivos
um homem homem, um homem criança
um homem mulher
um homem florido de noites nos cabelos
um homem aquático em lume e inteiro
um homem casa, um homem inverno
um homem com boca de crepúsculo inclinado
de coração prefácio à espera de ser escrito
tragam-me um homem que me queira em mim
que eu erga em hemisférios e espalhe e cante
um homem mundo onde me possa perder
e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos
atirando-me à ilusão de sermos duas
novíssimas nuvens em pé.
Cláudia R. Sampaio, Ver no Escuro
Biografia AQUI
sábado, 13 de junho de 2020
E PORQUE HOJE É DIA DE SANTO ANTÓNIO
Num blogue onde só entram poetisas, e porque não há regra sem excepção, ela aqui está hoje. Porque hoje é um dia especial. Festeja-se em Portugal o dia de Santo António, (este ano sem marchas nem arraiais por causa do vírus que ninguém convidou, mas que veio e alterou tudo) o nascimento de um dos maiores poetas de sempre a nível mundial, Fernando Pessoa, e a segunda aparição de Fátima, a primeira celebração religiosa com peregrinos desde o início da pandemia.
Espero que gostem e me perdoem a excepção.
quarta-feira, 10 de junho de 2020
10 JUNHO DIA DE CAMÕES- DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Dulce Pontes & Banda da Armada - O Amor a Portugal
O Amor a Portugal
O dia há de nascer
Rasgar a escuridão
Fazer o sonho amanhecer
Ao som da canção e então
Rasgar a escuridão
Fazer o sonho amanhecer
Ao som da canção e então
O amor há de vencer
E a alma libertar
Mil fogos ardem sem se ver
Na luz do nosso olhar
Na luz do nosso olhar
E a alma libertar
Mil fogos ardem sem se ver
Na luz do nosso olhar
Na luz do nosso olhar
Um dia há de se ouvir
O cântico final
Porque afinal falta cumprir
O amor a Portugal
O amor a Portugal
O cântico final
Porque afinal falta cumprir
O amor a Portugal
O amor a Portugal
segunda-feira, 8 de junho de 2020
DÊ O PODER A UMA FLOR
DÊ O
PODER A UMA FLOR
Dê o
poder para uma flor,
que
representa a simbologia do amor.
Dê o
poder a uma flor,
pois por
detrás da sua fragilidade
esconde
os espinhos
para
aliviar a dor.
Dê o
poder para uma flor,
a flor
feminina,
a flor
que procria a vida
nas
diversas formas de sabedoria,
e sabe
que foi feita para vencer
e atingir
o poder da humanidade
na sua
concepção de fraternidade.
Dê o
poder para uma flor,
porque
além do sexto sentido
vem o
amor no peito
que
carrega contigo,
e a
sensibilidade para olhar nos olhos
e ver o
povo além de uma multidão.
Dê o
poder para uma flor,
a flor
feminina
que tem o
poder de transformação
sobre o
destino dos homens.
Dê o
poder para uma flor
que
constrói a vida
sem
destruir o amor.
A flor
feminina
que
ensina
que não é
o poder que governa a terra,
mas sim
as formas diversas
de se
criar poesia no cotidiano humano.
Cristiane Neder
Cristiane Neder já é uma repetente neste blog pelo que a sua biografia se encontra AQUI
segunda-feira, 1 de junho de 2020
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA - MARIA DA GRAÇA ALMEIDA
DA CRIANÇA PARA O ADULTO
Cuide de mim com delicadeza,
sou pequenina, frágil,
preciso aprender que o amor
faz abundar a fonte da alegria.
Fale comigo com carinho,
explique -me as coisas, direitinho,
e dê-me tempo para entendê-las.
Ofereça oportunidades
aos meus passos pequenos,
às minhas mãos diminutas,
aos meus braços curtos.
Respeite o meu tamanho
e as minhas impossibilidades,
você, com minha idade,
também sentiu tais limitações.
Quando eu for um pouco maior,
não me veja enquanto
um homem pequeno e sim
enquanto uma criança grande.
Deixe que eu decida a hora
de fazer-me adulto.
Mostre-me o certo e o errado,
o bom e o mau, o bem e o mal
e não me permita nada do que
faça de mim um ditador.
Valorize minhas conquistas,
leve a sério o meu aprendizado.
Diga-me não, tantas vezes
quantas forem necessárias, porém,
por favor, ame-me, ame-me muito,
eu estou aqui não só por estar,
eu estou aqui porque você
foi me buscar.
Maria da Graça Almeida
Biografia
Biografia AQUI
quinta-feira, 28 de maio de 2020
ANA MAFALDA LEITE
foto da net
Papoilas
estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
Ana Mafalda Leite
Biografia
Ana Mafalda Leite nasceu em Portugal e apenas com alguns meses foi para Moçambique (Tete-Moatize), onde viveu até aos dezoito anos, tendo feito parte dos estudos universitários em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane.
Literáriamente vincula-se ao país onde cresceu, com o qual mantém uma relação de pertença afectiva, bem como apaixonada intervenção criativa e crítica.
É professora na Universidade de Lisboa e especializou-se em Literaturas Africanas, desenvolvendo actividade de pesquisa e de docência em várias universidades de língua portuguesa e estrangeiras. Autora de livros de ensaio, entre os quais A Poética de José Craveirinha (1990), Oralidades & Escritas nas Literaturas Africanas (1998) e Literaturas Africanas e Formulações Pós-Coloniais (2003).
Como poeta publicou Em Sombra Acesa (1984), Canções de Alba (1989), Mariscando Luas (em colaboração com o pintor Roberto Chichorro e com o poeta Luís Carlos Patraquim, 1992), Rosas da China (1999) e Passaporte do Coração (2002).
estou opiada de ti
e percorres-me os nervos todos
com papoilas borboletas vermelhas
o meu corpo entrança-se de sonhos
e sente-se caminhando por dentro
aspiro-te
como se me faltasse o ar
e os perfumes dançam-me
qualquer coisa como uma droga bem forte
corpo e alma
rezam pequenas orações
gestos ritmados ao abraçar-te como que abraça
sonhos
coisa estranha
opiada me preciso ou apenas vestida de papoilas e
muito sol com luas por dentro
para poder mastigar estes sonhos
reais como mandrágoras
Ana Mafalda Leite
Biografia
Ana Mafalda Leite nasceu em Portugal e apenas com alguns meses foi para Moçambique (Tete-Moatize), onde viveu até aos dezoito anos, tendo feito parte dos estudos universitários em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane.
Literáriamente vincula-se ao país onde cresceu, com o qual mantém uma relação de pertença afectiva, bem como apaixonada intervenção criativa e crítica.
É professora na Universidade de Lisboa e especializou-se em Literaturas Africanas, desenvolvendo actividade de pesquisa e de docência em várias universidades de língua portuguesa e estrangeiras. Autora de livros de ensaio, entre os quais A Poética de José Craveirinha (1990), Oralidades & Escritas nas Literaturas Africanas (1998) e Literaturas Africanas e Formulações Pós-Coloniais (2003).
Como poeta publicou Em Sombra Acesa (1984), Canções de Alba (1989), Mariscando Luas (em colaboração com o pintor Roberto Chichorro e com o poeta Luís Carlos Patraquim, 1992), Rosas da China (1999) e Passaporte do Coração (2002).
terça-feira, 26 de maio de 2020
MARIA VELHO DA COSTA
Maria Velho da Costa deixou-nos hoje. Uma tremenda perda para a nossa literatura.
Para a cultura portuguesa.
Luz e Paz para o seu espírito
Revolução e Mulheres
Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.
Elas gritaram à vizinha que era fascista.
Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.
Elas vieram para a rua de encarnado.
Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.
Elas gritaram muito.
Elas encheram as ruas de cravos.
Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.
Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.
Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.
Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.
Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.
Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.
Elas tiveram medo e foram e não foram.
Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.
Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.
Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.
Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.
Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.
Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.
Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.
Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.
Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.
Elas acendem o lume.
Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.
São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.
Maria Velho da Costa
Biografia AQUI
sexta-feira, 22 de maio de 2020
EM CASA SOZINHA - DIVA CUNHA
Em casa sozinha
Em casa sozinha
para matar meu desejo
leio poesias
não beijo
Me masturbo
e me contorço
leio poesias
não ouço
a voz
onda da pele clara
que aflora
sobre meus ossos
Em casa
entre coqueiros e arcos
ouço o desejo e passo
pelo fim do meu desejo
portas adentro atravesso
prendo sonhos entre paredes
minhas mãos prendem nos versos
os meus desejos inda verdes.
Diva Cunha
Biografia DAQUI
Em casa sozinha
para matar meu desejo
leio poesias
não beijo
Me masturbo
e me contorço
leio poesias
não ouço
a voz
onda da pele clara
que aflora
sobre meus ossos
Em casa
entre coqueiros e arcos
ouço o desejo e passo
pelo fim do meu desejo
portas adentro atravesso
prendo sonhos entre paredes
minhas mãos prendem nos versos
os meus desejos inda verdes.
Diva Cunha
Biografia DAQUI
| Nascida em 10 de dezembro de 1947, em Natal, (RN), Diva Cunha está se revelando uma das principais poetas da contemporaneidade. Formou-se em Letras, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e fez a pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, defendendo a dissertação Dom Sebastião: a metáfora de uma espera. Foi professora de Literatura Portuguesa no curso de Letras da UFRN, até aposentar-se, e, atualmente, faz o curso de doutorado na Universidade de Barcelona, e integra os quadros da Universidade Potiguar, onde ensina História da Literatura do Rio Grande do Norte e Cultura Brasileira, temas que se tornaram objeto de inúmeras pesquisas.
Seu primeiro livro — Canto de página — revelou uma poetisa madura, com extrema capacidade de manejo do verso e com uma dicção própria. Os seguintes — Palavra estampada e Coração de lata — reforçam a noção de uma poética que trabalha a emoção e a razão, tentando atingir o equilíbrio possível entre elas. Seus principais temas poderiam ser assim resumidos: a poesia, a cidade, a mulher.
|
quinta-feira, 14 de maio de 2020
TERESA RITA LOPES
E porque estamos em Maio, mês de Maria, a mãe de todos os que comungam da fé cristã. E hoje até é dia 12, mais um poema dedicado às mães que temos, que somos, e às que virão a ser
Vão-se Esfumando
Vão-se esfumando como retratos velhos
alguns desses amores
que foram parte de mim
e me deixaram decepada
mutilada
quando um dia partiram
alguns desses amores
que foram parte de mim
e me deixaram decepada
mutilada
quando um dia partiram
Depois o corpo foi-se custosamente habituando
refazendo a sua unidade
refazendo a sua unidade
Pouco a pouco foram ficando ausentes
inócuos
estrangeiros
inócuos
estrangeiros
Agora já lhes sorrio de leve
Nem já preciso de lhes perdoar
Nem já preciso de lhes perdoar
Só tu
Mãe
desde que te foste
és cada vez mais presente
Mais precisa
Mais preciosa
Mãe
desde que te foste
és cada vez mais presente
Mais precisa
Mais preciosa
Teresa Rita Lopes
AQUI a biografia da autora
Hoje estou AQUI numa gentileza da Teresa do blogue Ontem é só Memória Se puderem passem por lá.
AQUI a biografia da autora
Hoje estou AQUI numa gentileza da Teresa do blogue Ontem é só Memória Se puderem passem por lá.
domingo, 10 de maio de 2020
FELIZ DIA DA MÃE
Neste dia, que as amigas do outro lado do oceano festejam o seu dia da mãe, desejo-vos um dia muito feliz, e ofereço-vos este poema de Cora Coralina.
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Cora Coralina
Feliz dia para todas as mães que o sabem ser
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
Cora Coralina
Feliz dia para todas as mães que o sabem ser
quarta-feira, 6 de maio de 2020
CÂNDIDA RIBEIRO (CANDUXA)
POEMA
Neste silêncio ensurdecedor,
um grito sacode o corpo e a alma.
Acordo!
Abro a janela.
O sol acaba de nascer,
a montanha ilumina-se,
o rio corre tranquilo,
os pássaros voam felizes.
O medo abre os olhos incrédulo,
a esperança sorri,
a fé ganha asas.
Oh, a vida continua!
Esqueço o motivo deste silêncio.
Contemplo o meu rosto ao espelho,
descubro que a minha fé é imensa,
compreendo que é tempo de parar.
O caminho percorrido foi de preparação.
Relembro os obstáculos que ultrapassei,
tudo o que sofri, o que me fez sorrir
o que aprendi.
A alma agita-se e fala em surdina:
é este o momento para te reencontrares,
descobre o que te faz feliz,
sorri, ama-te e confia.
Abro a gaveta das recordações,
contemplo as fotografia da família,
dos amigos.
Murmuro palavras cheias de sentimento.
Emociono-me!
Tenho saudades do vosso abraço,
do som das vossas vozes.
Que pena não ter ido almoçar convosco
naquele dia.
Recordo as nossas diferenças,
as birras divertidas, a cumplicidade.
Todos sabemos:
é o amor que nos torna tolerantes
solidários, amigos e unidos.
Juntos seremos vencedores!
É verdade que depois desta experiência nada vai ser igual.
É tempo de mudança!
Ainda há tempo para viver
um tempo diferente.
O Amor será a porta,
a União a janela,
um novo Mundo vai renascer.
Canduxa
Maria Cândida Ribeiro é natural de Lamego, mas viveu grande parte da sua vida no Porto.
Há dois anos mudou-se para Espinho.
Já teve quatro blogues, mas atualmente está no FB. De qualquer modo os blogues estão abertos se alguém quiser conhecer melhor a sua poesia. Aqui ficam os endereços:
Blogues
domingo, 3 de maio de 2020
3 DE MÃE - DIA DAS MÃES - MARA CHAN - SER MÃE
Ser Mãe
Deixei a natureza transformar-me
Com todas suas leis
Tive o prazer de sentir um bebê no meu ventre
Chorei na maternidade,
Troquei fralda,
Passei noites acordada,
Desfrutei a sensação de amamentar,
Ensinei a comer,
Ensinei a andar,
Com todas suas leis
Tive o prazer de sentir um bebê no meu ventre
Chorei na maternidade,
Troquei fralda,
Passei noites acordada,
Desfrutei a sensação de amamentar,
Ensinei a comer,
Ensinei a andar,
Chorei no primeiro dia de escolinha
Talvez tenha deixado algumas pessoas de lado,
Talvez não tivesse tempo para dar atenção para as amigas
Pode ser que me relaxei um pouco com minha aparência
Ou quem sabe não tive nem tempo para pensar nisso
Pode ser que deixei alguns projetos pela metade
Ou talvez porque não conciliava com meu horário familiar
Momento algum joguei nada para o alto
Na verdade segurei com as duas mãos
Tudo o que vi cair do céu
Porém permiti
Talvez não tivesse tempo para dar atenção para as amigas
Pode ser que me relaxei um pouco com minha aparência
Ou quem sabe não tive nem tempo para pensar nisso
Pode ser que deixei alguns projetos pela metade
Ou talvez porque não conciliava com meu horário familiar
Momento algum joguei nada para o alto
Na verdade segurei com as duas mãos
Tudo o que vi cair do céu
Porém permiti
A Mão de Deus me tocar
Para ser uma verdadeira mãe
Para ser uma verdadeira mãe
Mara Chan
Não encontrei na Internet uma biografia da autora embora algumas editoras dos seus livros tenham alguma informação.
AQUI por exemplo
Não encontrei na Internet uma biografia da autora embora algumas editoras dos seus livros tenham alguma informação.
AQUI por exemplo
sexta-feira, 1 de maio de 2020
1ª DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR
1º DE MAIO
A voz de tanta vontade
permanece intacta
dizendo liberdade
de maneira
que as palavras de esperança
pareçam ser de aço
de asa, de canto
de exultação e queira
colocar mais alto
e solto ao vento
o voo arrebatado
da bandeira
nas mãos de quem
ao erguê-la alto
Deseja do país a alma inteira.
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 29 de abril de 2020
FELIZ ANIVERSÁRIO
Bom dia amigos. este meu e vosso blogue, está hoje de parabéns. Nasceu em 29/4/2008 precisamente um ano depois do seu irmão Sexta-Feira. E nasceu porque me dei conta de que embora havendo neste mundo da Blogosfera muitas bloguistas que publicavam os seus poemas, não encontrei nenhum que fosse assim uma espécie de "antologia no feminino". Então decidi que eu podia fazer isso. Utilizando grandes nomes da poesia no feminino, mas também dando a conhecer poetisas quase desconhecidas, mas que me agradam. Para este trabalho, tenho pesquisado imenso entre as poetisas portuguesas, brasileiras, guineenses, sãotomenses, angolanas e moçambicanas. Isto é, todas do universo de expressão portuguesa. Gostaria de o fazer a nível mundial, mas infelizmente só me entendo com o português e o espanhol. Posto isto vamos à festa?
Grata pelo vosso carinho. Sem vós este blogue não tinha razão de existir.
domingo, 26 de abril de 2020
25 DE ABRIL - DIA DA LIBERDADE
LIBERDADE
No verde dos campos te semeio
e de mim nasces como um rio
nas ruas te festejo e te premeio
no vermelho dos cravos te sorrio
No amarelo do sol que nos aquece
desenho um malmequer que não desfolho
e ao branco da lua que te esconde
atiro beijos aos teus olhos
No azul do mar em que me deito
oiço cantos de sereias sem idade
descanso-me na rocha, e já refeito
que em todas as cores te conquisto, Liberdade!
Maria Ermelinda Morgado in Mar de Abril editora Lua de Marfim
Maria Ermelinda Morgado é o verdadeiro nome da Maria Morgado do blogue O Cheiro da Ilha
sexta-feira, 24 de abril de 2020
NONAME
E depois?
Cremados os mortos
Curadas as feridas dos vivos
Subvertidos
os princípios, os tratados, as análises
O que restará?
Talvez, a palavra por dizer
em forma de poesia
Rimando,
O coração na mão - com o aperto no peito
O frio na barriga - com o grito na garganta
AMOR
alguém dirá
Então
na nova aurora
cantarão os pássaros
como se o mundo
nunca tivesse acabado
Noname
quarta-feira, 15 de abril de 2020
MARIA TERESA HORTA
foto da Internet
Desperta-me de noite
Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito
É rede a tua língua
Em sua teia
É vicio as palavras
Com que falas
A trégua
A entrega
O disfarce
E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes
Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo
E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vais descobrindo vales.
Maria Teresa Horta
Biografia
Escritora portuguesa, natural de Lisboa. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, enveredando depois pela carreira jornalística. Dirigiu o ABC Cine-Clube e fez parte do grupo Poesia 61. Colaborou em jornais e revistas (Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Jornal de Letras e Artes, Hidra 1, entre outros) e foi chefe de redacção da revista Mulheres. Feminista, publicou, com Maria Velho da Costa e Isabel Barreno, as Novas Cartas Portuguesas (1971), cujo conteúdo levou as autoras a tribunal. A sua obra encontra-se marcada por uma forte tendência de experimentação e exploração das potencialidades da linguagem, numa escrita impetuosa e frequentemente sensual. Estreou-se com a obra poética Espelho Inicial (1960), a que se seguiram, Tatuagem (1961), Cidadelas Submersas (1961), Verão Coincidente (1962), Amor Habitado (1963), Candelabro (1964), Jardim de Inverno (1966), Cronista Não é Recado (1967), Minha Senhora de Mim (1971), Poesia Completa (1983, dois volumes), e as obras de ficção Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970), Ana (1975), A Educação Sentimental (1975), Os Anjos (1983), Ema (1984), O Transfer (1984), Rosa Sangrenta (1987), Antologia Política (1994), A Paixão Segundo Constança H. (1994) e O Destino (1997). Em 1999, lançou a obra A Mãe na Literatura Portuguesa, constituída por uma longa introdução da autora, depoimentos de várias individualidades, uma antologia de poesia e prosa de escritores portugueses e no fim um conjunto de quadras e provérbios, tudo em torno da temática da mãe. Em 2001, publica Minha Senhora de Mim
biografia da Internet
Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito
É rede a tua língua
Em sua teia
É vicio as palavras
Com que falas
A trégua
A entrega
O disfarce
E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes
Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo
E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vais descobrindo vales.
Maria Teresa Horta
Biografia
Escritora portuguesa, natural de Lisboa. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, enveredando depois pela carreira jornalística. Dirigiu o ABC Cine-Clube e fez parte do grupo Poesia 61. Colaborou em jornais e revistas (Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Jornal de Letras e Artes, Hidra 1, entre outros) e foi chefe de redacção da revista Mulheres. Feminista, publicou, com Maria Velho da Costa e Isabel Barreno, as Novas Cartas Portuguesas (1971), cujo conteúdo levou as autoras a tribunal. A sua obra encontra-se marcada por uma forte tendência de experimentação e exploração das potencialidades da linguagem, numa escrita impetuosa e frequentemente sensual. Estreou-se com a obra poética Espelho Inicial (1960), a que se seguiram, Tatuagem (1961), Cidadelas Submersas (1961), Verão Coincidente (1962), Amor Habitado (1963), Candelabro (1964), Jardim de Inverno (1966), Cronista Não é Recado (1967), Minha Senhora de Mim (1971), Poesia Completa (1983, dois volumes), e as obras de ficção Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970), Ana (1975), A Educação Sentimental (1975), Os Anjos (1983), Ema (1984), O Transfer (1984), Rosa Sangrenta (1987), Antologia Política (1994), A Paixão Segundo Constança H. (1994) e O Destino (1997). Em 1999, lançou a obra A Mãe na Literatura Portuguesa, constituída por uma longa introdução da autora, depoimentos de várias individualidades, uma antologia de poesia e prosa de escritores portugueses e no fim um conjunto de quadras e provérbios, tudo em torno da temática da mãe. Em 2001, publica Minha Senhora de Mim
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