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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

LAURA LIUZZI


ORQUESTRA
Não há cortina
para esconder os músicos
nem mesmo a música
se esconde nos instrumentos.
Está tudo aos olhos da platéia
porque a sinfonia não se pode ver
senão nos gestos do maestro.
À minha frente, antes do primeiro
comando, pode estar o violoncelista
em terno preto, como muitos ouvintes.
Quando se sentam os músicos
cada um em seu tempo afina
seu instrumento e acerta a folha
da primeira sinfonia: confusa algaravia.
Então vem o regente
sob uma saraivada de palmas
com sua vara de condão.
Os músicos ajeitam a coluna
alisam os traços do rosto
e encaram o maestro
que, com dois olhos apenas
cruza com todos que têm nele a mira
buscando a confirmação
de que pode começar.
Tão logo soerga
a batuta e soe
o primeiro acorde
ouve-se, milagrosamente, o silêncio.

Laura Liuzzi


Biografia AQUI

sábado, 29 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN




AUSÊNCIA


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



PUDESSE EU


Pudesse eu não ter laços 
nem limites
Ó vida de mil faces 
transbordantes
Para poder responder 
aos teus convites
Suspensos na surpresa 
dos instantes!


APESAR DAS RUÍNAS


Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - LIBERDADE


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Vamos continuar com Sophia de Mello Breyner Andresen até 2 de Julho data do Aniversário da sua morte.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - AS ROSAS

 Continuamos com Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen


As rosas


Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.



Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Obra Poética", Ed Caminho, Lisboa, 2010