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sábado, 19 de janeiro de 2019

SÓNIA SULTUANE




Africana
dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana,
porque não uso missiri nem missangas,
deixa-me rir…
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de “Levis, Gucci ou Diesel”,
não o sou… será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem esta profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que é que tu saberás? O que é que tu sabes?
Deixa-me rir…
deixa-me rir…

Sónia Sultuane


Biografia AQUI

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

MARIA JOÃO CANTINHO

Os que caminham descalços



Os que caminham descalços
procuram a penumbra,
o fio de água pura
e a rara flor da montanha,
a nascente.

Os que caminham de olhos cerrados
vindos de longe,
marcados pelo relâmpago da loucura,
rasgam as roupas e renegam-se,
ajoelham no pó e descem ao poço,
cobrem-se de terra, em gesto
de melancolia acerada.

Os que caminham de rosto coberto
trazem o rosto em chaga
e no olhar a intacta ferida,
são os que procuram a salvação,
o olho único e a grande ave,
cruzando todos os céus
e os tempos da terra,
em acesa, secreta caligrafia.

Os que caminham e nunca chegam
peregrinos de um clarão sem nome,
sabem que o fruto se fecha em si
e que a vida é isto:

vela branca na escuridão.


  Maria João Cantinho


Biografia e outros poemas AQUI

domingo, 6 de janeiro de 2019

FELIZ DIA DE REIS



Termina oficialmente hoje, o interregno que a humanidade faz todos os anos, para fingir ser boazinha, para fingir preocupar-se com os deserdados da fortuna, para fingir que quer um mundo de paz, mais justo e mais solidário. 
Guardam, bem guardadas , a ambição, a usura, a corrupção, as armas, e fingem...fingem...fingem...
Amanhã, abrem-se as gavetas, onde foram guardadas, e volta a cavar-se o fosso entre aqueles que tudo têm e os que morrem à mingua, entre os que atacam e os que não têm como se defender, entre os ditadores e os oprimidos. Até Dezembro.
Nessa altura, volta o interregno. Até lá que cada um de nós viva o melhor possível. E já agora, que cada um de nós faça da sua parte o que possa para a mudança que todos desejamos.
Feliz dia para todos.

sábado, 29 de dezembro de 2018

TRAJE DE RÉVEILLON


TRAJE DE RÉVEILLON

O Novo Ano bate à porta
ansioso para saber
que cor desta vez eu usarei
para sua vinda e propostas receber.
Mal sabe ele que realmente importa
para mim agora
é o que com suas propostas farei.
Os sonhos vestiram-me de todas as cores,
a esperança deu um toque especial:
perfumou-me com os melhores odores
da ceia de Amor partilhada no Natal.
Não esqueci os adereços coloridos
para com graça e charme me enfeitar:
discernimento, paciência, tolerância,
alegria, lições das agruras vencidas
e muita fé para os olhos e coração iluminar.

Marilene Amaral Branquinho