Conceição Lima
Depois de Alda Espírito Santo, e Olinda Beja, eis-me de novo na poesia de S. Tomé, desta vez pela pena de Conceição Lima.
Inegável
Por dote recebi-te à nascença
e conheço em minha voz a tua fala.
No teu âmago, como a semente na fruta
o verso no poema, existo.
Casa marinha, fonte não eleita
a ti pertenço e chamo-te minha
como à mãe que não escolhi
e contudo amo.
*
Digo em Surdina o Teu Nome
Digo em surdina o teu nome e solto um
pássaro
Escondida na minha voz, ancorada na luz
da insónia.
Afugento agoiros para esconjurar a erosão
da profecia.
Os anjos desertaram ou fui eu que roubei
as suas asas?
Biografia:
Conceição Lima. Nascida em Santana, ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe, a 8 de Dezembro de 1961. Jornalista de profissão, tendo exercido vários cargos de chefia nos órgãos nacionais de comunicação social, incluindo o de directora da TVS, Televisão São-tomense. Durante vários anos, foi jornalista e produtora dos Serviços de Língua Portuguesa da BBC, baseada em Londres. Licenciada em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King’s College of London, com o grau de mestre em Estudos Africanos, pela School of Oriental and African Studies, SOAS, de Londres. Publicou O Útero da Casa, A Dolorosa Raiz do Micondó e O País de Akendenguê pela Editorial Caminho, de Lisboa. Em 2015, publicou Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico. Está traduzida para o alemão, o árabe, espanhol, francês, inglês, italiano, turco, servo-croata e shona.
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