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terça-feira, 23 de outubro de 2018

LINA SOARES




Hoje trago-vos uma nova poet(is)a natural do Barreiro. Melhor, não será uma nova poeta, ela é-o quase desde que nasceu, eu é que apesar de termos nascido as duas no Barreiro e cá vivermos só a conheci no Sábado passado no lançamento do seu novo livro de poesia cuja capa aí está. Memórias do meu rio, é um livro de poemas e fotografias em que a autora mistura sentires pessoais com as memórias da nossa terra. Transcrevo o poema da página 42.


Sufoco!
Vendam-me os olhos, 
Põem mordaça em minha boca, 
Calam-me os sentidos.
Sou mais uma emparedada,
Para que o espaço
Que me pertence 
Seja só meu
E me abandone ao vazio.
Tapam-me os olhos,
Janelas da alma, 
Calam-me a boca, 
Porta do meu mundo.
Nem uma lágrima,
Nem um grito me deixam ficar.





Biografia

Para além do que aqui ficou, a autora está no Facebook se alguém estiver interessado em conhecer melhor a sua obra.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

ADÍLIA LOPES

Foto daqui


Arte Poética


Escrever um poema 
é como apanhar um peixe 
com as mãos 
nunca pesquei assim um peixe 
mas posso falar assim 
sei que nem tudo o que vem às mãos 
é peixe 
o peixe debate-se 
tenta escapar-se 
escapa-se 
eu persisto 
luto corpo a corpo 
com o peixe 
ou morremos os dois 
ou nos salvamos os dois 
tenho de estar atenta 
tenho medo de não chegar ao fim 
é uma questão de vida ou de morte 
quando chego ao fim 
descubro que precisei de apanhar o peixe 
para me livrar do peixe 
livro-me do peixe com o alívio 
que não sei dizer 

Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

COM AS MINHAS PALAVRAS

  

 COM AS MINHAS PALAVRAS


Com as minhas palavras invento o Sonho
terá alma o Sonho?
Saberá dos milhares de crianças chorando
a fome
revoltados
pelo vento que arranca impiedoso
os frutos ainda verdes?

Com as minhas palavras invento a Vida
terá alma a Vida?
Saberá do silêncio dos que nascem
vivem
e morrem
no desespero da solidão?

Com as minhas palavras invento a Liberdade
terá alma a liberdade?
Saberá dos milhares de homens vivendo
dia após dia
hora após hora
a esmagar a raiva que martelam na memória.

Com as minhas palavras invento o Amor
Terá alma o amor?
saberá da indiferença dos que dormem
lado a lado
frustrados
na rotina agonizante do dia-a-dia.

Elvira Carvalho



Sem tempo para pesquisar novas poetas, deixo-vos com uma reedição.

domingo, 23 de setembro de 2018

CONTINUANDO COM... MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

Apaixonei-me por este poema, desde que o li a primeira vez. Vi daí hoje fui ao seu blogue e roubei-lho. Espero que gostem tanto dele como eu.
 
Parto da Viola de Amadeo Souza Cardoso



Cada poema
Tem asas de papel nascendo incertas
Como velas rumando à descoberta
Da Ilha de S. Nunca da partida

Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida

Onde um termina,
Começa um outro verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário de memórias de uma vida…

Cada poema
Tem alma de mulher, corpo de chama
De aonde irrompe a voz que então proclama
O culminar da luz na pele rendida

Cada poema
É raiva, urgência, amor,
Silêncio, grito e voz da mesma dor
Numa explosão domada ou incontida

Cada poema
É mais do que uma inércia, é um transporte,
É eixo, é a matriz deste suporte
Das minhas transgressões de fera ferida

Cada poema
Tem sempre a dimensão de um corpo estranho,
Imensurável, pois não tem tamanho,
Porta-voz de uma força indesmentida

Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida

Onde um termina,
Começa um novo verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário de memórias de uma vida.


Maria João Brito de Sousa 


Para os amantes de poesia, aqui vos deixo os endereços de vários blogues da autora.


Poetaporkedeusker

Liberdades

Salão de baile

Salão de troféus

Maria João Brito de Sousa



Vão até lá e deixem-se encantar.