Estranho ofício este
navegar
o rio da palavra portentosa
pelas frestas deslumbradas
dos olhos. Ser nau
soçobrada no muro, rede na areia
pura, ouro decantado
da sombra. Sabemos
dos fogos altos, da luz arremetida
à órbita dos braços, do poder da raiz.
Dos leitos fechados do tempo
que gritam êxtases.
As palavras que escrevo
tocam mãos em outras mãos,
quando de meus dedos transborda a espuma.
Desço em ti, fonte luminosa,
maresia, fio inacessível,
nocturno espelho
do encontro
És a viagem alva dos crescentes
com o sangue da lua ainda fixo no ocaso.
Mordem-se espelhos
Seremos mar
nas noites, seremos
dança,
o diamante que se verte no recesso curvo,
o verso líquido
O mar chove-nos o sal todo:
sou uma partícula de luz
agarrada à pele da tua garganta
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