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domingo, 12 de outubro de 2014

ISABEL MORAIS RIBEIRO FONSECA


EU NÃO SOU O TEMPO

Eu não sou o tempo....
Mas eu sei que vai chover
Sinto-me bem quando fico contigo....
Para viver o dia a dia.....
Vejo-te à minha frente....
Num caminho de lama e chuva....
Um caminho que eu espero de felicidade...
Mas eu perco-me no meio de palavras....
Um sonho não basta....
Preciso de de ti meu amor ...
Que me afastes, da ilusão e da incerteza...
Tenho de acreditar e confiar nos meus instintos..
Deste nevoeiro que é a minha vida.....
Amar-te como ninguém já amou....
Como se fosses uma parte de mim.....
Até desconhecer quem eu sou.....
Encontrar-te como ninguém te encontrou.....
Amar-te entre as flores do meu jardim....
Colher as mais belas e perfumadas.....
Sentir o jasmim dos teus beijos....
Simplesmente querer amar...
Amor é palavra estranha.....
Que rima com dor e saudade...
Arde como a lenha numa fogueira !




Isabel Morais Ribeiro Fonseca



Biografia: AQUI  encontrarão a biografia e obra da autora.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

AGLAIA SOUZA


                 


                  CANTARIA




Estou indo bem mais velha:

Maranhão me envelheceu.



Suas ruas, suas casas,

onde o passado ainda mora,

criaram raízes, lianas,

azulejaram as paredes,

ruíram caibros e tetos,

musgos nasceram nos becos.



Estou levando comigo

Maranhão feito em pedaços.



Suas pedras, suas portas,

seus licores, suas frutas,

camarões, peixes enormes,

a fala mansa, sem pressa,

os livros (tantos poetas!),

seus rios cheirando a mar.



Estou indo assim saudosa

do tempo do Maranhão.





Biografia AQUI



terça-feira, 16 de setembro de 2014

ANTONIELLA DEVANIER






PEDIDOS DO CORPO



O corpo pede um drink:
pode ser martini
Na manhã que chega,
estranha e solitária,
sou mulher também.
Mas, ontem à noite,
o corpo pediu um toque
da língua, nos gelos
que estavam
perdidos no copo.





Biografia  AQUI

domingo, 7 de setembro de 2014

MARIA ISABEL BARCELOS

a menina sabe que
nenhum olho existe fora de um rosto

não quer ver o barco
também ele existe fora do mar

quer desenhar um sol
mas não se recorda do lugar onde guardou a caixa
dos lápis de cor

a menina está triste e não está triste
todo o lugar é um não-lugar
todas as coisas andam perdidas ou talvez não andem perdidas
e se tenham encontrado noutro lugar que elas ainda não conhecem

nesse outro lugar o sol está á espera
da caixa dos lápis de cor e da menina

onde fica o lugar do sol?
a criança abre os braços e imagina muitas crianças alegres a saltar,
com os braços abertos, e quem salta mais alto chega ao lugar do
sol mas eu só quero chegar à minha mãe.

Maria Isabel Barcelos


Biografia

Nasceu no Funchal em 1958. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.
Prémio Revelação da Literatura Infantil da APE. Obteve a Bolsa de Criação Literária em 2001 do Ministério da Cultura, na modalidade de poesia.
É professora do ensino secundário e divulgadora de poesia e literatura infantil em escolas.
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