sábado, 8 de março de 2014
CARLA QUEIROZ
DECLARAÇÃO
Nasci
No ventre desencantado da serpente
No leito guarnecido das sementes
Cresci
Nos trapos sujos do desespero da rocha
Encaracolada e desfeita pelo projecto
do cão
Multipliquei-me
Na corrente do desequilíbrio cívico dos
sinistrados
Como uma espécie de insecto que
pernoita no zumbido.
Da argola e do conto
Morri sem uma bela insígnia
distinguindo minhas intimidades
Sem uma coroa bonita ao redor do meu sonho
Carla Queiroz
Biografia
Pouco descobri na net além disto: Carla Queiroz, nasceu no Kwanza-Sul em 1968 Angola, e foi vencedora do Prêmio António Jacinto/ 2001.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
ISABEL FERREIRA
Caí em letargia ...
Meu sonho adormeceu profundamente ...
Ficou num par de fronhas virgens ...
Estreadas em noites de volúpia ...
Ficou num par de fronhas virgens ...
Estreadas em noites de volúpia ...
Sonho bordado
Nas fronhas dum hotel
Vidas aneladas
Pontos cheios de suspiros em gemidos …
Juntos dormimos
Mas nossos sonhos
Esses!
Adormeceram
Mas nossos sonhos
Esses!
Adormeceram
Num par de fronhas ...
Isabel Ferreira
Biografia
Aqui encontra um perfil completo da escritora.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
MANUELA MARGARIDO
Foto de Laércio Miranda
ROÇA
ROÇA
A noite sangra
no mato,
ferida por uma aguda lança
de cólera.
A madrugada sangra
de outro modo:
é o sino da alvorada
que desperta o terreiro.
E o feito que começa
a destinar as tarefas
para mais um dia de trabalho.
A manhã sangra ainda:
salsas a bananeira
com um machim de prata;
capinas o mato
com um machim de raiva;
abres o coco
com um machim de esperança;
cortas o cacho de andim
corn um machim de certeza.
E à tarde regressas
a senzala;
a noite esculpe
os seus lábios frios
na tua pele
E sonhas na distância
uma vida mais livre,
que o teu gesto
há-de realizar.Manuela Margarido
Biografia
Poetisa são-tomense, Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido nasceu em 1925, na ilha do Príncipe, e faleceu a 10 de março de 2007, em Lisboa. Tendo, desde muito cedo, abraçado a causa da independência e do combate anti-colonialista, esteve exilada em Paris, onde se interessou por várias áreas de estudo, como sociologia, ciências da religião e cinema, que estudou na Universidade de Sorbonne.
Chegando a ocupar o cargo de embaixadora do seu país em Bruxelas, viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde se dedicou à divulgação da cultura são-tomense.
Empenhada na luta pela independência de São Tomé e Príncipe, a sua poesia, de uma maneira geral, reflete e denuncia a repressão colonialista portuguesa, assim como a vida pobre dos seus conterrâneos nas roças do café e do cacau.
Fonte
infopédia
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
ANA BRANCO
Dormitei na noite coberta de frio
Enquanto sonhava
Com a tempestade que me cobria
Quando subtilmente
Entreabri os olhos
E despertei sobressaltada
Ouvindo uivos e ganidos do vento furioso a lamentar-se.
Enquanto sonhava
Com a tempestade que me cobria
Quando subtilmente
Entreabri os olhos
E despertei sobressaltada
Ouvindo uivos e ganidos do vento furioso a lamentar-se.
Subi os degraus da solidão
E ouvi
O vento chamar por mim,
Como quem diz:
— "Sai, Sai, procura os filhos que pariste perdidos algures pelas savanas distantes das praias ensolaradas africanas".
O medo entranhou-se-me
Nas veias ensanguentas da carne
Estremecendo a medula dos cérebros
Que tão dificilmente carrego.
O vento estava furioso comigo
E a chuva castigava-me inocente.
Estava tudo coberto e enevoado,
A água escorria e encobria
Todas as portas dos vizinhos desconhecidos,
Nenhum som era desenhado na terra figura da chuva forte.
Nas veias ensanguentas da carne
Estremecendo a medula dos cérebros
Que tão dificilmente carrego.
O vento estava furioso comigo
E a chuva castigava-me inocente.
Estava tudo coberto e enevoado,
A água escorria e encobria
Todas as portas dos vizinhos desconhecidos,
Nenhum som era desenhado na terra figura da chuva forte.
Ana Branco
Biografia
Ana Maria José Dias Branco, nasceu a 24 de Maio de 1967, no município de Lucapa, província da Luanda Norte. Fez os estudos primários no colégio de Madres, Sagrado Coração de Maria, em Anadia – Coimbra, Portugal e os estudos Secundários na Escola secundaria de Albergaria- a- Velha, Aveiro, Portugal e ainda o Curso de Química, feito no então Instituto Karl Marx, hoje IMIL (Instituto Médio Industrial de Luanda) e o Curso de Ciências Sociais no PUNIV - Luanda.
Vencedora do Prémio Literário António Jacinto, em 1997 com a obra Meu
Rosto Minhas Mágoas e nomeada ao Prémio Galax 97, na categoria de
escritor do ano. Ana Maria Branco, representa a poesia feminina Angolana
na Antologia da Poesia Feminina dos PALOP. Tem para edição as obras:
Maria a Louca da Janela,(conto), A princesa Cioca (conto infanto
juvenil). O Livro (poesia) As Mãos de Deus e do Diabo ( prosa), O bico
da Cegonha (poesia) A Despedida de Mi (poesia por acabar). É membro da
União dos Escritores Angolanos desde 1997, onde já fez parte da sua
direcção.
fonte: União dos Escritores Angolanos
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