domingo, 14 de julho de 2013
VERA SOUSA
SAUDADE
Queria ser um perfume que paira no teu abraço,
musa dos teus sonetos.
Queria ser a boia que paira à tona de água
e a liberdade que apazigua o meu sonambulismo de escritora
extasiada pelos chás da emoção.
Quando tenho saudades,
a dor perdura
e os meus olhos clamam pelo brilho intenso
de ver uma alma rejuvenescer.
O que será a minha saudade
sem o tom brilhante das notas tocadas e trocadas?
O que será a minha saudade
sem o êxtase da tua respiração e o pulsar do coração?
A saudade é a distância camuflada
enclausurada por entre janelas enfeitadas
por cortinas desanexadas pela alma
e pelos sorrisos bordados que aparecem
quando se observa de perto o rosto que se procura,
o cheiro e os beijos
entre silhuetas mentais perfumadas pela imaginação.
Vera Sousa
Aqui o site da escritora onde pode encontrar a sua biografia.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
ORIDES FONTELA
PRECE
Senhora
das feras
e esferas
das feras
e esferas
Senhora
do sangue
e do abismo
do sangue
e do abismo
Senhora
do grito
e da angústia
do grito
e da angústia
Senhora
noturna
e eterna
noturna
e eterna
— escuta-nos!
A ESTRELA PRÓXIMA
A poesia é
A poesia é
impossível
o amor é mais
que impossível
a vida, a morte loucamente
impossíveis.
Só a estrela, só a
estrela
existe
- só existe o impossível.
BIOGRAFIA
Aqui encontrarão a biografia da autora bem como
alguns dos seus poemas. Espero que gostem. Eu
gostei.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
ALICE VIEIRA.
A CONCHA PERFEITA DAS TUAS MÃOS
sei um jeito de te fazer ficar
murmuravas nas manhãs em que nascíamos
ávidos de nós
e éramos tão novos
e faltávamos às aulas
posso ter esquecido admito muita coisa
caminhos promessas lugares a cor
da saia que vestia no dia em que não voltei
muita coisa admito menos
a concha perfeita das tuas mãos sobre o meu peito
o cheiro das laranjeiras as cartas
em papel tão adolescente e azul
o esplendor de junho à mesa familiar
os espelhos garantindo-nos um lugar único na casa
posso ter esquecido admito muita coisa
menos os nossos corpos simultâneos
às portas do amor
no arco da minha pele que humidamente
se abria ao lume da tua língua
nessas manhãs em que jurámos
não morrer nunca
In “Dois Corpos Tombando na Água”
Editorial Caminho – 2007
AQUI encontrarão a biografia desta extraordinária escritora cujo talento se expande pela prosa e pela poesia em muitos livros publicados. Imperdoável da minha parte a sua não inclusão até hoje neste espaço.
sei um jeito de te fazer ficar
murmuravas nas manhãs em que nascíamos
ávidos de nós
e éramos tão novos
e faltávamos às aulas
posso ter esquecido admito muita coisa
caminhos promessas lugares a cor
da saia que vestia no dia em que não voltei
muita coisa admito menos
a concha perfeita das tuas mãos sobre o meu peito
o cheiro das laranjeiras as cartas
em papel tão adolescente e azul
o esplendor de junho à mesa familiar
os espelhos garantindo-nos um lugar único na casa
posso ter esquecido admito muita coisa
menos os nossos corpos simultâneos
às portas do amor
no arco da minha pele que humidamente
se abria ao lume da tua língua
nessas manhãs em que jurámos
não morrer nunca
In “Dois Corpos Tombando na Água”
Editorial Caminho – 2007
AQUI encontrarão a biografia desta extraordinária escritora cujo talento se expande pela prosa e pela poesia em muitos livros publicados. Imperdoável da minha parte a sua não inclusão até hoje neste espaço.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
25 de ABRIL de 2013. DIA DA LIBERDADE
CANSAÇO
Estou cansada
dos homens que adormecem ao sol
como lagartos.
Estou cansada dos ideais esquecidos
condenados sem nenhum recurso
nas mentes abarrotadas de ambição
dos líderes políticos.
Estou cansada
das aldeias de terras abandonadas
regadas
pelas lágrimas ardentes
das mulheres saudosas.
Estou cansada de crianças sem pai
que não sabem rir
porque ainda não têm pão.
Estou cansada
dos operários submergidos no desespero
dos salários em atraso,
que tornam caricato o pensamento
dum sol que nasce igual para todos.
Estou cansada
das mulheres que não têm noites de amor
desaparecidos os seus homens
no mar da emigração.
Estou cansada
das promessas das campanhas eleitorais
e das promessas a longo prazo, dos governos eleitos.
(Tão a longo prazo que não chegam nunca )
Estou cansada desta hipocrisia
que corre em linhas de incerteza
nos lábios dos homens sem tempo
nem idade.
Elvira Carvalho
Hoje no Sexta o 25 de Abril comemora-se com outro poema meu. Se lhe apetecer passe por lá.
Resto de bom feriado e bom fim de semana
como lagartos.
Estou cansada dos ideais esquecidos
condenados sem nenhum recurso
nas mentes abarrotadas de ambição
dos líderes políticos.
Estou cansada
das aldeias de terras abandonadas
regadas
pelas lágrimas ardentes
das mulheres saudosas.
Estou cansada de crianças sem pai
que não sabem rir
porque ainda não têm pão.
Estou cansada
dos operários submergidos no desespero
dos salários em atraso,
que tornam caricato o pensamento
dum sol que nasce igual para todos.
Estou cansada
das mulheres que não têm noites de amor
desaparecidos os seus homens
no mar da emigração.
Estou cansada
das promessas das campanhas eleitorais
e das promessas a longo prazo, dos governos eleitos.
(Tão a longo prazo que não chegam nunca )
Estou cansada desta hipocrisia
que corre em linhas de incerteza
nos lábios dos homens sem tempo
nem idade.
Elvira Carvalho
Hoje no Sexta o 25 de Abril comemora-se com outro poema meu. Se lhe apetecer passe por lá.
Resto de bom feriado e bom fim de semana
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