MEU CORPO DESPIDO
Meu corpo despido...entrelaçado nos
lençois de mágoa...tão ausente e tão presente este fio que me
amordaça...este gelo que em mim fica...tão ardente e tão carente
este rio que por mim passa...carregado de ilusão de um desejo já
ardido...ateando o silêncio que desagua no cais abandonado desse
sonho já perdido...embalando a nudez desse corpo noite.
Preso nesses lençois...nas margens
desse rio que sou...procurando o teu corpo nos meus braços
carregados de ausências...vestidos de Dezembros a pesar-me nos
ombros....crepúsculos a beijar a madrugada...na ausência dos meus
lábios frementes de sal e mágoa...esquecidos dos teus
olhos...anoitecidos de sorrisos.
Permaneço esperando com o corpo preso
nos espinhos desse leito...deixo que a noite me seduza...que a
escuridão me possua...que o vento acarície os meus sonhos
adiados...o meu corpo naufragado...o meu olhar entristecido desse
barco sem destino...navegando nas águas turvas do poente...sufocado
de cansaços e de gestos sem memória...prisioneiro de
ilusões...sedento de eternidade...deserto de ternura...da noite
amante.
Nessa noite que em mim grita a ilusão
da carne...morrendo tanta vez no tempo que deixou de ser tempo...no
desejo que deixou de ser cío...nas esperas que anoiteceram as
manhãs...nas mãos que afagam o vazio...que cobrem de silêncio os
gemidos de amor que rasgaram esse corpo...que estagnaram nesse rio
por onde correm todas as mágoas...nas margens da solidão desse
corpo que foi meu e que procuro em todos os muros...em todas as
esquinas da solidão...em todas as incertas sombras que deambulam
perdidas na terra do silêncio...no gume da noite onde vagueia esse
corpo só.
Adormeço na noite gelada...abraço os
despojos de amor que guardei no lugar dos sonhos...nas margens do meu
corpo nú...banhado pelo esquecimento dos luares de Agosto...pelo
silêncio dos teus olhos distantes...pela aurora que me segreda o
gelo da noite...a respiração da ausência adormecida nos meus
braços...a espera tatuada no meu corpo...prenhe de volúpia
esquecida nos lençóis de mágoa na solidão da madrugada...espectro
onde se abriga a nocturna ilusão do tempo...labirintos
inquietos que percorro na gélida noite...invísível sombra onde se
escondem os meus fantasmas...penumbras sem nome nem rosto Sonhadora,
Mais uma poetisa que descobri nas minhas voltas pelos blogues e que decidi trazer para esta galeria porque na minha opinião é de grande talento. A autora utiliza o pseudónimo de Sonhadora e descreve-se a si
mesma assim;
"Sou a distancia entre mim e a outra...a tempestade e o remanso das
águas...sou muitas...sou eu...a pétala da rosa e o espinho...um grito
solitário...a chuva de verão...um pássaro cinzento...sonho e ilusão..."
Podem visitá-la no seu blogue AQUI
etos que percorro na gélida noite...invísível sombra onde se
escondem os meus fantasmas...penumbras sem nome nem rost que
v
u sono...sem gestos...sem pal
...soturno abraço envolvendo oselírios desse corpo morto.
u sono...sem gestos...sem pal
...soturno abraço envolvendo oselírios desse corpo morto.


